Apesar de seu potencial de mobilização, é preciso reconhecer que a COP da Amazônia, assim como todas as anteriores, terá seus limites de influência, dizem os pesquisadores do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Não se deve esperar que a conferência resolva todos os impasses ou execute consensos globais de forma imediata.
Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República
Lincoln Muniz Alves, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima and Inamara Mélo, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Respostas pontuais a desastres, após sua ocorrência, são insuficientes diante da intensificação dos riscos climáticos. É preciso, portanto, investir em soluções de longo prazo
Uma abelha ‘almoça’ em uma flor: ritmo acelerado das mudanças climáticas também está afetando a polinização, colocando em risco a prosperidade e sobrevivência de plantas e polinizadores.
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O rápido aumento das temperaturas pode alterar o comportamento de plantas e animais e perturbar o delicado momento da polinização.
Mães ribeirinhas caminham pelo leito seco do Amazonas para deixar seus filhos na escola, na região da fronteira entre o Brasil e a Colômbia: ao descaso dos causadores das mudanças climáticas com os efeitos deste problema sobre a vida de populações menos favorecidas que vivem nas regiões mais afetadas dá-se o nome de racismo climático.
AP Photo/Ivan Valencia
O Norte Global, responsável pela maior parte da emissão de GEE na atmosfera, deve se comprometer com a implantação de infraestrutura de mitigação e adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento
O vasto potencial das Soluções Baseadas na Natureza se manifesta em diversas áreas. Na agricultura, elas fortalecem a segurança alimentar, enquanto que no reflorestamento utilizam a capacidade natural das florestas para armazenar carbono e preservar a biodiversidade, ao mesmo tempo em que mitigam os impactos climáticos.
Business Wire / AP Photos
Em tempos de mudanças climáticas, a inovação é crucial na busca por respostas aos muitos desafios que o planeta enfrenta, como as mudanças climáticas, a insegurança alimentar ou a perda de biodiversidade.
Peso crescente: enquanto as tarifas não param de aumentar, a qualidade do serviço não para de cair. Falta de planejamento, expansão desordenada, variações hidrológicas, judicializações e distorções na formação de preços estão entre as causas facilmente identificáveis. Difícil é achar uma solução.
Foto Adriana Toffetti/Folhapress
Clarice Ferraz, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Trajetória de alta das tarifas de energia, historicamente relacionada a problemas estruturais e questões institucionais do setor, agora é impactada também pelos efeitos das mudanças climáticas e tecnológicas
Um canal pré-hispânico canaliza a água das montanhas para os campos agrícolas. Crenças, comportamentos e normas antigas foram integrados às soluções tecnológicas nessa parte do Peru nos tempos antigos. O isolamento e a remoção das ferramentas desse conhecimento as tornaram menos eficazes.
Ari Caramanica
As práticas antigas contêm lições importantes para os agricultores que enfrentam terras áridas, mas, em geral, elas eram mais complexas do que as sociedades modernas imaginam. A perda das geleiras aumenta o desafio atual.
Calcular a biomassa de uma árvore não é nada simples. Diante da impossibilidade de se colocá-las numa balança, a alternativa desenvolvida há séculos é medir o volume da árvore (m³), e obter a biomassa multiplicando o volume pela densidade (kg/m³).\
Foto: Serviço Florestal Brasileiro / Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Eric Bastos Gorgens, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
A possibilidade de contabilizar a biomassa florestal e associá-la a uma emissão, estoque ou sequestro de carbono cria um mercado de créditos a serem comercializados
A sete meses da COP 30, obras de infraestrutura à toque de caixa se espalham por Belém, numa corrida contra o tempo para receber chefes de Estado, cientistas, ativistas e jornalistas do mundo todo. Mas outras cidades-sede sofreram com o mesmo problema no passado, e uma COP no coração da Amazônia é oportunidade inédita para que o encontro tenha relevância real na luta contra os efeitos das mudanças climáticas.
AP Photo/Jorge Saenz
Próxima Conferência do Clima sofre críticas pela falta de estrutura de Belém, mas será a melhor chance da história pra que o mundo conheça melhor e valorize essa região fundamental para o equilíbrio ambiental da Terra
O derretimento das camadas de gelo da Antártica (foto), a redução a camada florestal da Amazônia e as mudanças na circulação oceânica estão entre os “tipping points” que, uma vez ultrapassados, geram efeitos em cascata que resultarão na perda significativa da biodiversidade em diferentes escalas, na elevação do nível do mar, em secas prolongadas e alterações severas nos padrões de chuvas e temperatura.
AP Photo/Natacha Pisarenko
Thalison Correa, Rede Amazônidas pelo Clima (RAC) and Tâmara Lima, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Ainda negligenciada nas políticas climáticas globais, só ela é capaz de formar cidadãos mais conscientes e capazes de desenvolver soluções para um futuro sustentável
O Lago Imja, um enorme lago glacial na região do Monte Everest, no Nepal, começou como pequenas lagoas de água de degelo em 1962 e agora contém 90 milhões de metros cúbicos de água, volume que já foi reduzido numa tentativa de proteger as comunidades a jusante.
Alton Byers
Quando o permafrost das montanhas descongela e as geleiras derretem, os lagos glaciais podem se tornar um risco de inundação letal para qualquer pessoa a jusante.
Nas mãos de uma pesquisadora, um típico Emerita brasiliensis carioca, em seu habitat natural na Restinga da Marambaia. Encontros como esse, outrora tão comuns, voltaram a ficar raros nas areias do Rio de Janeiro e em muitas outras mundo afora.
Foto: Divulgação / Rayane Abude
Indicadores universais da saúde de ecossistemas de praias em todo o planeta - especialmente no Brasil - os pequenos crustáceos voltaram a ter drástica redução populacional
Face à tragédia do ano passado (foto), o projeto “RS: Resiliência & Sustentabilidade” - feito em cooperação entre a Secretaria Extraordinária para o Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul (SERS) e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), com financiamento da Open Society Foundations - convidou pesquisadores a desenvolver diagnósticos e sugerir caminhos para a prevenção e o enfrentamento de futuros eventos climáticos extremos.
AP Photo/Carlos Macedo
João Ferrer, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP); Marcelo Danéris, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), and Pedro Marques, Universidade de São Paulo (USP)
Projeto “RS: Resiliência & Sustentabilidade”, finalizado em janeiro de 2025, motivou a pesquisa universitária a formular uma agenda de reconstrução, adaptação e resiliência climáticas. Resultado gerou livro e seminário.
Uma samambaia no Royal Botanic Garden de Sydney, Austrália: espécies substituíram outras que foram extintas, mas levou milhões de anos para florestas verdejantes voltarem a se estabelecer.
Marcos Amores
Um mergulho profundo no passado distante da Terra mostra como a vida lutou para se recuperar muito depois do pior evento de aquecimento global de todos os tempos.
Pessoa com deficiência, vítima das inundações do Rio Grande do Sul do ano passado, sendo carregada em meio à enchente: falta de planejamento voltado às PCDs dificulta a integração desse grupo de pessoas às estratégias de mitigação dos impactos das mudanças climáticas, que só se agravarão.
AP Photo / Carlos Macedo
Capacitismo ambiental se caracteriza pela discriminação das pessoas com deficiência nas atividades de ativismo ambiental e nos fóruns de planejamento para o enfrentamento de desastres causados pelas mudanças climáticas
O calor extremo aumenta o risco de várias doenças, incluindo problemas renais e cardíacos, e os adultos mais velhos são os mais vulneráveis a seus efeitos.
Spencer Platt/Getty Images
As pessoas que vivem em locais onde ocorrem dias de calor extremo com frequência envelhecem mais rapidamente em nível molecular.
Durante a seca de 2024, o Lago Tefé, no norte do Estado do Amazonas, perdeu cerca de 75% de sua superfície e registrou temperaturas de até 41°C, um risco extremo para a biodiversidade local.
Alessandro Falco
Bacia Amazônica, que abriga a maior diversidade de peixes de água doce do mundo, está ameaçada por eventos extremos que podem comprometer a biodiversidade da região e a segurança alimentar da população local
Grandes reservas não são as únicas a desempenhar um papel importante no equilíbrio ambiental das cidades. Parques urbanos menores, muitas vezes ignorados, também podem oferecer importantes serviços ecossistêmicos. O Parque Natural Municipal do Gericinó, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, tem menos de 1 km² de extensão e é um exemplo desse potencial.
Foto de divulgação / Prefeitura de Nilópolis
Estudos da UFRJ e da Universidade Veiga de Almeida investigam desde 2010 como as áreas verdes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro contribuem para mitigar as mudanças climáticas, melhorar a qualidade do ar e promover a saúde pública
A Groenlândia tem grandes depósitos de minerais de terras raras ao longo de suas costas, mas essas também são regiões geologicamente perigosas.
Alex Hibbert/The Image Bank via Getty Images
O derretimento do gelo, o degelo do permafrost e o desmoronamento das paredes dos fiordes são apenas alguns dos riscos que a mudança climática representa para quem vive e trabalha na Groenlândia.
A Terra está ultrapassando o limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris, além do qual os cientistas preveem danos catastróficos aos sistemas que sustentam a vida em nosso planeta.
Os preços do chocolate dispararam em meio a condições climáticas muito secas na África e no Brasil, em um sintoma da crescente desertificação de terras alimentada pelas mudanças climáticas.
Chuck Fishman/Getty Images
Professor de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Professor de Filosofia do Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)