Sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um dos mais importantes ativos do Brasil e do Sul Global para o desenvolvimento de projetos e iniciativas inovadores sobre questões ambientais críticas, como desmatamento, monitoramento da qualidade do ar e emissões de carbono.
Foto: Divulgação / INPE
Andrea Latge, Universidade Federal Fluminense (UFF)
A dois meses da próxima COP, desta vez na Turquia, o Brasil ainda se pergunta como podemos transformar o conhecimento que produzimos sobre o clima em decisões capazes de proteger vidas, territórios e nossa economia
Os manguezais têm um papel de destaque tanto na proteção costeira, mitigando os efeitos da subida do mar, como também são muito eficientes em estocar carbono.
Foto: Envato
Os manguezais têm um papel de destaque tanto na proteção costeira, mitigando os efeitos da subida do mar, como também são muito eficientes em estocar carbono
Com as consequências do aquecimento global cada vez mais evidentes, fenômenos como secas e inundações tornam-se mais intensos e frequentes, reduzindo a produção agrícola, interrompendo cadeias de abastecimento e limitando o acesso das famílias a frutas, verduras e outros alimentos frescos, e aumentando o consumo de ultraporocessados de baixo valor nutricional.
Foto: Envato
Secas e inundações reduzem a produção agrícola,interrompem cadeias de abastecimento e limitam o acesso das famílias a frutas, verduras e outros alimentos frescos
Três furacões avançam simultaneamente pelo Oceano Pacífico nesta primeira semana de setembro de 2026: anomalias de temperatura sobre a região estão acopladas aos ventos tanto nos níveis altos quanto na superfície da atmosfera. No Brasil, já se registram chuvas superiores à normalidade na Região Sul, decorrentes da maior presença de sistemas frontais e precipitações deficientes no noroeste da Amazônia.
Foto: National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA)
O risco não é apenas meteorológico: fenômeno poderá afetar setores estratégicos, como agricultura, geração de energia, logística, saúde e segurança alimentar
43 graus em Paris, diz o termômetro da farmácia na avenida Champs Elysee: durante anos, a climatização foi associada na França ao consumo excessivo de energia e a uma forma individualista de responder às mudanças climáticas. Mas o calor é tanto que o consenso está mudando e a instalação em massa de aparelhos em escolas e hospitais é tema de debates políticos, enquanto o eletrodoméstico se esgota nas lojas.
AP Photo/Aurelien Morissard
Durante anos, a climatização foi associada no país ao consumo excessivo de energia e a uma forma individualista de responder às mudanças climáticas. Mas o calor recorde está mudando esse consenso
Desenvolvida pela PUC-Rio, uma plataforma inédita cruza análise jurídica e bancos de dados para catalogar como o Judiciário é acionado na maior crise do nosso tempo.
Imagem: Freepik
Desenvolvida pela PUC-Rio, uma plataforma inédita cruza análise jurídica e bancos de dados para catalogar como o Judiciário é acionado na maior crise do nosso tempo
O estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, inteiramente alagado durante as inundações que arrasaram a cidade durante o El Niño de 2024: evidências indicam que o fenômeno este ano será ainda mais severo, provocando secas e inundações. Preparar-se antes requer planejamento e organização. Agir depois que a tragédia começou custa muito mais dinheiro - e vidas.
AP Photo/Carlos Macedo
Ainda não se sabe a intensidade exata do fenômeno, mas os sinais são suficientemente consistentes para justificar decisões e planejamento antecipado por parte dos governos e organizações da sociedade civil
Refúgio climático localizado desde 2024 no centro de Belo Horizonte, o primeiro do gênero no país, que oferece água potável, nebulização, vegetação e bancos sombreados: intervenções como essa são valiosas, mas as principais cidades do Brasil ainda precisam implementar redes mais abrangentes de proteção contra o calor extremo, como já acontece na Espanha.
Foto: Videopress Produtora
Ana Terra Amorim-Maia, BC3 - Basque Centre for Climate Change; Universidade de São Paulo (USP)
Espaços gratuitos e acessíveis onde a população pode se proteger do calor, descansar e receber informação são soluções rápidas, baratas e eficientes para um clima que registra a cada ano mais ondas de calor extremo
Tabuleiro do “Jogo do Clima”, que guia as crianças por 46 casas que abordam temas de meteorologia e biodiversidade através de animais e fenômenos naturais.
Imagem: @entrando_no_clima
Jaqueline Nichi, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Da sala de aula ao tabuleiro, a educação climática para crianças e adolescentes pode ir além da repetição da urgência com método, contexto, linguagem e recursos que transformam informação em experiência.*
Desigualdade ambiental: eventos climáticos extremos como o super El Niño tendem a tornar mais evidentes as contradições do modelo de desenvolvimento social e econômico brasileiro, expondo quesões como o racismo ambiental, que é quando determinados grupos sociais são sistematicamente mais expostos a riscos climáticos e menos atendidos pelas políticas públicas de prevenção a desastres naturais.
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
Fenômeno climático reflete não apenas a força da natureza, mas as consequências de decisões sociais, econômicas e políticas
O Global Justice Report, relatório elaborado por uma coalizão internacional de pesquisadores ligados ao World Inequality Lab, propõe um caminho para enfrentar simultaneamente três dos maiores desafios do século XXI: a emergência climática, a desigualdade extrema e a perda de qualidade de vida. E uma das conclusões mais provocativas do estudo é que trabalhar menos pode ser parte da solução.
Foto: Envato
Relatório elaborado por coalizão internacional de pesquisadores conclui que trabalhar menos pode ser parte da solução minimizar impactos da emergência climática, da desigualdade extrema e da perda de qualidade de vida
Texto aprovado em maio reafirma que os Estados possuem obrigações jurídicas internacionais de proteger o sistema climático e prevenir danos ambientais significativos decorrentes das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa.
AP Photo / Peter Dejong
Texto aprovado em maio reafirma que os Estados possuem obrigações jurídicas internacionais de proteger o sistema climático e prevenir danos ambientais significativos decorrentes das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa
O Vidigal é uma favela junto a um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro, mas seus moradores sofrem muito mais com o calor do que seus vizinhos, com seus telhados de metal, sem áreas verdes e falta de infraestrutura.
SIALABE/Shutterstock
Algumas regiões do mundo estão se aquecendo muito mais rapidamente do que outras, mas, mesmo dentro da mesma cidade, moradores de alguns bairros estão mais expostos e sofrem mais do que outros
Atividades promovidas com estudantes do ensino médio: drones, georreferenciamento e criação de websites autorais estão entre as ferramentas usadas pelo projeto Meninas pelo Clima para preparar jovens professoras a valorizar o papel crucial das mulheres na ação climática e na gestão ambiental.
Imagem: arquivo pessoal
Cleonice Puggian, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) and Alexandra Crivel, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Projeto da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, vinculado à Uerj, prepara jovens professoras a valorizar o papel crucial das mulheres na ação climática e na gestão ambiental
Morador de uma comunidade ribeirinha carrega alimentos e recipientes com água potável no leito seco do Rio Amazonas, durante o El Niño de 2023-24: calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera.
Foto AP / Edmar Barros
Na região Norte, o El Niño mais recente mostrou algo além da falta de chuva. O calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera
Imagem de satélite mostra a variação de temperatura do Oceano Pacífico que forma o El Niño, com impactos globais no clima: novo fenômento previsto para a próxima primavera é motivo de especulações e, às vezes, de informações sensacionalistas.
Imagem: Nasa
É quase certo que teremos o El Niño este ano, mas ainda é cedo para dizer qual será a intensidade do fenômeno e se ele trará consigo desastres climáticos como secas na Amazônia e nordeste, ou chuvas intensas no sul do país
Relatório aponta que as mudanças climáticas poderão empurrar mais 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza extrema nas próximas décadas.
Foto: Jcom / Freepik
A emergência climática é global, mas seus impactos são distribuídos de maneira profundamente desigual
Em Minas Gerais, em fevereiro de 2026 novas enchentes e deslizamentos voltaram a cobrar um preço alto, deixando dezenas de mortos e milhares de desabrigados em cidades como Juiz de Fora (foto), uma das regiões mais urbanizadas em terreno de declive do país.
Foto: Rodney Costa/O Tempo/Folhapress
Estudos globais sobre gestão de risco de desastres indicam que cada real investido em prevenção pode gerar retornos de até quatro vezes o valor em perdas evitadas
Em locais como a comunidade México 70, na cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, cientistas, comunidade e a Secretaria Nacional de Periferias iniciam trabalho conjunto contra os efeitos de inundações e deslizamentos em áreas de risco.
Foto: Leandro Vaz
Na cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, cientistas, comunidade e governo se unem contra os efeitos cada v ez mais devastadores de chuvas e inundações
em áreas menos favorecidas
Todos na chuva: em seu retorno à presidência dos EUA, Donald Trump agressivamente desmontou políticas locais verdes implementadas por seu antecessor, esvaziou iniciativas alinhadas ao desenvolvimento sustentável no plano internacional, boicotou a COP 30 e pressionou outros governos a flexibilizarem suas legislações climáticas. No pano de fundo desse rolo compressor, a negação à ciência em nome da economia.
Foto: Divulgação / Governo dos Estados Unidos
Como despolitizar a agenda do clima? É preciso restabelecer um consenso mínimo em torno da ciência. Na medida em que a realidade se impõe, os efeitos cada vez mais devastadores da crise climática também cobrará um custo político dos governos que a negam
Coordenador Científico do laboratório Criosfera 1, na Antártica Central, e professor do Departamento de Biofísica e Biometria, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Senior Researcher at Swiss Federal Institute for Forest, Snow and Landscape Research and Adjunct Associate Professor of Ecology and Evolution, Stony Brook University (The State University of New York)