A frente de uma geleira encontra o mar na Antártica: o manto de gelo do continente contém água suficiente para elevar o nível global do mar em cerca de 58 metros.
Qiyue Sun
O futuro do manto de gelo da Antártica depende do desenrolar de uma cadeia de eventos, e um novo estudo mostra que as evidências apontam para uma única direção
Consequências da tempestade que atingiu a região de Valência, na Espanha, em 2024: em um cenário em constante mudança, seja no clima, na geopolítica ou na tecnologia, os parâmetros de décadas anteriores não servem mais, tampouco o planejamento e a gestão clássicos de crises.
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Marc Homedes, Generalitat de Catalunya; UOC - Universitat Oberta de Catalunya; Universitat Pompeu Fabra
Em um mundo marcado pela incerteza constante e pelo avanço das mudanças climáticas, da inteligência artificial e dos conflitos geopolíticos, os paradigmas do passado já não servem mais para responder às crises
Secretário-geral da ONU de longa data, ele poderia ter feito mais para proteger as pessoas mais vulneráveis do mundo
Sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um dos mais importantes ativos do Brasil e do Sul Global para o desenvolvimento de projetos e iniciativas inovadores sobre questões ambientais críticas, como desmatamento, monitoramento da qualidade do ar e emissões de carbono.
Foto: Divulgação / INPE
Andrea Latge, Universidade Federal Fluminense (UFF)
A dois meses da próxima COP, desta vez na Turquia, o Brasil ainda se pergunta como podemos transformar o conhecimento que produzimos sobre o clima em decisões capazes de proteger vidas, territórios e nossa economia
Conceito acumulou muitas interpretações desde que foi proposto pela primeira vez, algumas muito diferentes de seu significado original e essencial de um afastamento marcante da estabilidade do Holoceno.
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Nova pesquisa defende que nenhum outro conceito reflete nossa transformação em escala planetária em seu contexto adequado de tempo profundo
Durante a seca histórica de 2023 e 2024, também influenciada pelo El Niño, houve altas mortalidades de peixes (foto) e até de botos-cor-de-rosa em rios e lagos da região. Em 2026, Amazônia já começa a vivenciar novamente condições excepcionais.
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A baixa umidade relativa do ar representa um risco para animais que dependem de uma superfície corporal úmida para respirar e conservar a quantidade de água necessária para o funcionamento do seu organismo
Três furacões avançam simultaneamente pelo Oceano Pacífico nesta primeira semana de setembro de 2026: anomalias de temperatura sobre a região estão acopladas aos ventos tanto nos níveis altos quanto na superfície da atmosfera. No Brasil, já se registram chuvas superiores à normalidade na Região Sul, decorrentes da maior presença de sistemas frontais e precipitações deficientes no noroeste da Amazônia.
Foto: National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA)
O risco não é apenas meteorológico: fenômeno poderá afetar setores estratégicos, como agricultura, geração de energia, logística, saúde e segurança alimentar
Ainda é possível, no entanto, que isso seja um desvio temporário se os países do mundo redobrarem esforços para eliminar os combustíveis fósseis e reduzir outras emissões, limitando o pico do aquecimento a 1,8°C e usando métodos de remoção de carbono para trazer as temperaturas de volta à meta.
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Já não é mais possível limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, mas o jogo ainda não acabou
Observações diárias feitas ao longo de quatro anos com auxílio de fenocâmeras, programadas para fotografar repetidamente a mesma paisagem, identificou que, quando a estação chuvosa atrasa, determinadas áreas de Caatinga diminuem drasticamente o seu crescimento. Isso pode afetar as trocas de carbono e água com a atmosfera e reduzir a disponibilidade de recursos vitais para outros organismos.
Foto: Antonia Mirelle Lopes Marques
Em um ambiente já marcado pela irregularidade das chuvas, tecnologias inovadoras são essenciais para avaliar como o bioma vai se adaptar às consequências do aquecimento global
Durante workshop em Belém pesquisadores nacionais e internacionais trabalharam com análise de dados, sensoriamento remoto, inteligência artificial e modelagem ecológica para debater o futuro da Amazônia.
Foto disponibilizada pelos autores
Parceria entre UFPA e University of Michigan traz pesquisadores com diferentes expertises para as discussões sobre a capacidade da Amazônia de resistir às mudanças climáticas
Estudos deixam cada vez mais claro que o tamanho da árvore não está diretamente relacionado à sua vulnerabilidade ao estresse hídrico e que não existe uma regra única para prever as respostas das florestas às secas.
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Os ecologistas achavam que as árvores maiores seriam as mais vulneráveis às secas, mas a realidade é mais complexa, com algumas gigantes da floresta se mostrando inesperadamente resistentes
43 graus em Paris, diz o termômetro da farmácia na avenida Champs Elysee: durante anos, a climatização foi associada na França ao consumo excessivo de energia e a uma forma individualista de responder às mudanças climáticas. Mas o calor é tanto que o consenso está mudando e a instalação em massa de aparelhos em escolas e hospitais é tema de debates políticos, enquanto o eletrodoméstico se esgota nas lojas.
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Durante anos, a climatização foi associada no país ao consumo excessivo de energia e a uma forma individualista de responder às mudanças climáticas. Mas o calor recorde está mudando esse consenso
Paisagens íngremes do Himalaia sempre sofreram com deslizamentos de terra, avalanches e enchentes, mas o aquecimento global está alterando as condições de fundo nas quais esses processos ocorrem.
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Episódio na fronteira entre Nepal e Tibete ilustra como um desastre pode criar as condições para o próximo
Uma análise preliminar sugere que o colapso repentino de uma geleira do Himalaia tenha desencadeado o desastre que matou centenas de pessoas.
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As geleiras do Himalaia não estão a salvo das mudanças climáticas. O colapso repentino de uma geleira parece ter provocado um desastre no Nepal
Desenvolvida pela PUC-Rio, uma plataforma inédita cruza análise jurídica e bancos de dados para catalogar como o Judiciário é acionado na maior crise do nosso tempo.
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Desenvolvida pela PUC-Rio, uma plataforma inédita cruza análise jurídica e bancos de dados para catalogar como o Judiciário é acionado na maior crise do nosso tempo
O conhecimento dos indígenas e outros povos originários sobre a natureza nunca esteve escrito em livros: morava no empirismo e na transmissão permanente de conhecimento e experiência dos mais velhos para os mais jovens, num ciclo harmônico e aparentemente eterno. Mas agora, como explicar fenômenos e conceitos cuja manifestação não se vê mais, foi radicalmente alterada ou mesmo tornou-se agressiva?
Foto: Heris Rocha/WikiParques
As mudanças climáticas estão alterando os ciclos que orientaram, durante séculos, a vida de povos indígenas e quilombolas no Brasil, afetando o conhecimento ancestral, a segurança alimentar e a saúde mental
Um tornado atinge o solo numa planície nos EUA: matemática mostra como uma pequena alteração na temperatura média da Terra pode mudar o clima no planeta, assim como uma pequena alta na taxa de desemprego pode gerar uma crise social.
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Matemática ajuda a explicar por que pequenas oscilações na temperatura da Terra ou em indicadores sociais, por exemplo, podem ter grandes efeitos no clima e na sociedade
A mitigação atua diretamente sobre as causas do aquecimento global. A adaptação, por sua vez, atua sobre os efeitos já observados ou inevitáveis das mudanças climáticas.
Foto: Portal Amazônia
Qualquer rápida pesquisa sobre mudanças climáticas leva a esses dois termos recorrentes. Mas é preciso entender a diferença entre eles
Refúgio climático localizado desde 2024 no centro de Belo Horizonte, o primeiro do gênero no país, que oferece água potável, nebulização, vegetação e bancos sombreados: intervenções como essa são valiosas, mas as principais cidades do Brasil ainda precisam implementar redes mais abrangentes de proteção contra o calor extremo, como já acontece na Espanha.
Foto: Videopress Produtora
Ana Terra Amorim-Maia, BC3 - Basque Centre for Climate Change; Universidade de São Paulo (USP)
Espaços gratuitos e acessíveis onde a população pode se proteger do calor, descansar e receber informação são soluções rápidas, baratas e eficientes para um clima que registra a cada ano mais ondas de calor extremo
Professor de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Professor de Filosofia do Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)