Invisíveis: não se sabe exatamente quantos brasileiros estão se mudando neste momento devido às mudanças climáticas atuais, porque não existem sistemas centralizados de registro para monitorá-los.
AP Photo/Carlos Macedo
Nas últimas duas décadas, pelo menos 8 milhões de brasileiros migraram devido a tempestades, inundações, incêndios florestais, secas ou aumento do nível do mar.
Onça solitária descansa sob a vegetação incinerada à beira do rio Paraguai, durante as queimadas que estão assolando a região: área de vegetação atingida já é o dobro do registrado no mesmo período de 2020, quando mais de 17 milhões de animais pereceram.
Lalo de Almeida/Folhapress
Na maior região úmida tropical do mundo, incêndios ameaçam áreas prioritárias de restauração da vegetação e reforçam a urgência do Manejo Integrado do Fogo (MIF)
Se a Austrália quiser manter o status de patrimônio mundial da Grande Barreira de Corais - na verdade, se quiser preservar o recife - devemos agir agora para evitar mais mortes de corais.
Equipe de telejornalismo em ação durante as cheias em Porto Alegre: muito além do testemunho histórico, abordar temas como a injustiça ambiental que as mudanças climáticas evidenciam são fundamentais para despertar a sociedade para a real dimensão do problema.
Reprodução / Portal UPF
Aumento da consciência ambiental e ampla divulgação científica têm levado setores da cobertura jornalística a tratar com mais profundidade e consciência ambiental as mudanças climáticas e a importância das políticas públicas sobre o tema
O fertilizante é a principal fonte de emissões de óxido nitroso, um gás de efeito estufa que aquece o planeta.
pixdeluxe/E+ via Getty Images
A avaliação mais abrangente já feita de um poderoso gás de efeito estufa mostra quais países estão impulsionando o aumento e quais estão conseguindo reduzir as emissões.
Mais de um mês depois das chuvas, bairros de Porto Alegre como o Quarto Distrito (foto) ainda seguiam alagados. Aprender e se preparar para novas ocorrências são obrigações não só do poder público, mas da sociedade como um todo.
Evandro Leal / Agencia Enquadrar/Folhapress
Informações em tempo real, planos de contingência, combate às fake news e engajamento social estão entre os aprendizados que precisam ser extraídos do desastre para minimizar as futuras emergências climáticas
Morador solitário tenta atravessar uma rua alagada em Porto Alegre: a expressão “desastres naturais” não define corretamente os eventos climáticos cujas causas e consequências estão relacionadas ao descaso humano com a prevenção contra eventos extremos.
AP Photo/Carlos Macedo)
A expressão “desastres naturais” dá a entender que tragédias como a do Rio Grande do Sul não têm relação com ações humanas. A influência antropogênica nas causas e no enfrentamento desses acontecimentos é tão óbvia que não deveria ser objeto de disputa de narrativa
O centro de Porto Alegre alagado: 93% das cidades brasileiras foram afetadas por eventos climáticos entre 2013 e 2022. E 4,2 milhões de pessoas tiveram que deixar as suas casas em 47% dos municípios do Brasil.
AP Photo/Andre Penner
Não faltam nomes para definir e alertas para chamar a atenção contra as tragédias ambientais recentes que se sucedem. Por que, então, nada vem sendo feito?
Plantação de soja lado a lado com floresta virgem nas imediações de Santarém, no Pará: o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta está entre as alternativas já existentes de associação da produção agrária com a conservação dos recursos naturais, que ajuda a mitigar impactos da crise climática.
AP Photo/Leo Correa
Uma agricultura mais sustentável, aliada à recuperação das florestas, pode garantir a quantidade, a qualidade e o preço necessários a um acesso democrático à alimentação de qualidade em todo o mundo
Programas de habitação de emergência, subsídios para agricultura familiar, seguros contra desastres naturais e investimentos na resiliência da infraestrutura de proteção contra cheias estão entre as medidas possíveis e urgentes que poderão minimizar os impactos de futuras inundações.
AP Photo/Andre Penner
Políticas públicas de mitigação e remediação podem minimizar os impactos das mudanças climáticas no sul e outras regiões vulneráveis do país
Retrato do isolamento: enquanto o RS permanece alagado, o poder público ainda está longe de usar devidamente os estudos científicos na elaboração de políticas de prevenção.
Pedro Ladeira/Folhapress
Os últimos acontecimentos evidenciam que a ciência precisa estar presente ativamente na elaboração e proposição das políticas de prevenção. Mas a interação entre pesquisa e poder público ainda é complexa e difícil no Brasil
Agente da Defesa Civil em ação em Porto Alegre: não há como superar desastres climáticos sem o entendimento de suas causas. A comunicação de riscos é um instrumento para isso, e deve ser uma política pública, orientada para a construção de uma cultura de prevenção.
oto: Carlos Quadros /Fotoarena/Folhapress
Vários especialistas que atuam em situações de emergência sublinham que o processo de comunicação é um aspecto central para que haja prevenção de riscos e uma reação adequada nos momentos críticos. Porém, na prática, há uma série de lacunas a respeito do tema
Mãe e filha que perderam tudo caminham em abrigo no ginásio de uma universidade em Canoas (RS): relatório do IPCC indica que crianças de 10 anos ou menos sofrerão aumento de quase quatro vezes em eventos extremos se o aquecimento global for de 1,5°C até 2100.
AP Photo/Carlos Macedo
O negacionismo científico e ambiental impedem a busca por alternativas viáveis para o desenvolvimento sustentável, com usos do ambiente que garantam o bem-estar da sociedade
Turbina de vento em frente a uma usina termoelétrica na Grécia: os números mostram que, aproximadamente, os 50% mais pobres da população mundial emitiram 12% das emissões globais em 2019, enquanto os 10% mais ricos emitiram 48% do total.
AP Photo/Martin Meissner
Os números mostram que, aproximadamente, os 50% mais pobres da população mundial emitiram 12% das emissões globais em 2019, enquanto os 10% mais ricos emitiram 48% do total
O Znamia-2, implantado em 1993, é o único refletor solar que já foi lançado ao espaço: para limitar o fluxo de radiação solar, precisaríamos cobrir uma área muito maior do céu do que esse satélite foi capaz.
RSC Energia/Wikimedia Commons
A tecnologia nos permitirá influenciar o clima em escala global? Vamos dar uma olhada em duas ideias: guarda-sóis espaciais e lançamento de aerossóis na atmosfera
Há 9 anos, plano municipal de saneamento já registrava que sistema de proteção contra cheias tinha capacidade de vazão de água 70% abaixo do necessário, com mau estado geral das instalações mecânicas e elétricas de bombeamento de águas pluviais
No momento, a grande maioria dos 5.570 municípios brasileiros não tem qualquer plano de adaptação para impactos provocados por eventos climáticos extremos.
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Para o vice-presidente do SBPC e professor de Física da USP Paulo Artaxo a tragédia no Rio Grande do Sul deve ser encarada como aprendizado para não errarmos de novo no próximo evento climático extremo, que certamente virá.
Vista aérea de Porto Alegre e do rio Guaíba ainda cinco metros acima do nível normal: quando as águas baixarem, medidas de longo prazo não podem repetir os mesmos erros de planejamento, ou novos alagamentos virão.
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Paulo Niederle, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
A reconstrução do Rio Grande do Sul precisa ser planejada em novos moldes, com a adaptação à realidade de fenômenos climáticos cada vez mais intensos e frequentes
A responsabilidade pelo desastre socioambiental no RS não é só da água e do clima. É também do modelo econômico de desenvolvimento que colocou o planejamento ambiental em segundo plano. E a ciência mostra como isso aconteceu.
AP Photo/Andre Penner
A responsabilidade pelo desastre socioambiental no RS não é só da água e do clima. É também do modelo econômico de desenvolvimento, que colocou o planejamento ambiental em segundo plano. E a ciência mostra como isso aconteceu
Uma semana depois do grande alagamento, o centro de Porto Alegre segue sob chuva e debaixo d'água. Com as mudanças climáticas cada vez mais intensas, as ilhas de bem estar das grandes cidades começam a sofrer os impactos da falta de planejamento que já assolam suas periferias há décadas.
AP Photo/Andre Penner
É preciso criar novos modelos de cidades, que levem em conta questões como o regime e volume de chuvas e o uso e ocupação do solo, não apenas nas zonas urbanas, mas também no seu entorno
Professor de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Professor de Filosofia do Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)