Durante a seca histórica de 2023 e 2024, também influenciada pelo El Niño, houve altas mortalidades de peixes (foto) e até de botos-cor-de-rosa em rios e lagos da região. Em 2026, Amazônia já começa a vivenciar novamente condições excepcionais.
Alessandro Falco/INCT Adapta
A baixa umidade relativa do ar representa um risco para animais que dependem de uma superfície corporal úmida para respirar e conservar a quantidade de água necessária para o funcionamento do seu organismo
Três furacões avançam simultaneamente pelo Oceano Pacífico nesta primeira semana de setembro de 2026: anomalias de temperatura sobre a região estão acopladas aos ventos tanto nos níveis altos quanto na superfície da atmosfera. No Brasil, já se registram chuvas superiores à normalidade na Região Sul, decorrentes da maior presença de sistemas frontais e precipitações deficientes no noroeste da Amazônia.
Foto: National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA)
O risco não é apenas meteorológico: fenômeno poderá afetar setores estratégicos, como agricultura, geração de energia, logística, saúde e segurança alimentar
Estudos deixam cada vez mais claro que o tamanho da árvore não está diretamente relacionado à sua vulnerabilidade ao estresse hídrico e que não existe uma regra única para prever as respostas das florestas às secas.
Chui Wui Jing/Shutterstock
Os ecologistas achavam que as árvores maiores seriam as mais vulneráveis às secas, mas a realidade é mais complexa, com algumas gigantes da floresta se mostrando inesperadamente resistentes
O estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, inteiramente alagado durante as inundações que arrasaram a cidade durante o El Niño de 2024: evidências indicam que o fenômeno este ano será ainda mais severo, provocando secas e inundações. Preparar-se antes requer planejamento e organização. Agir depois que a tragédia começou custa muito mais dinheiro - e vidas.
AP Photo/Carlos Macedo
Ainda não se sabe a intensidade exata do fenômeno, mas os sinais são suficientemente consistentes para justificar decisões e planejamento antecipado por parte dos governos e organizações da sociedade civil
Desigualdade ambiental: eventos climáticos extremos como o super El Niño tendem a tornar mais evidentes as contradições do modelo de desenvolvimento social e econômico brasileiro, expondo quesões como o racismo ambiental, que é quando determinados grupos sociais são sistematicamente mais expostos a riscos climáticos e menos atendidos pelas políticas públicas de prevenção a desastres naturais.
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
Fenômeno climático reflete não apenas a força da natureza, mas as consequências de decisões sociais, econômicas e políticas
A zona portuária de Porto Alegre inundada pelas águas do Rio Guaíba, nas enchentes de 2024: estudos estimam que o Brasil já perde mais de R$ 110 bilhões do PIB por ano devido a desastres climáticos. São recursos que poderiam financiar ações em saúde, educação, transporte, dentre outras. As verbas emergenciais em resposta a desastres, como no caso do Rio Grande do Sul, foram quase dez vezes superiores aos investimentos em prevenção e preparação.
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Em ano eleitoral, população precisa escolher lideranças levando em consideração propostas de planos, programas e projetos de curto, médio e longo prazo que integrem a perspectiva climática à sua realidade local
Morador de uma comunidade ribeirinha carrega alimentos e recipientes com água potável no leito seco do Rio Amazonas, durante o El Niño de 2023-24: calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera.
Foto AP / Edmar Barros
Na região Norte, o El Niño mais recente mostrou algo além da falta de chuva. O calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera
Imagem de satélite mostra a variação de temperatura do Oceano Pacífico que forma o El Niño, com impactos globais no clima: novo fenômento previsto para a próxima primavera é motivo de especulações e, às vezes, de informações sensacionalistas.
Imagem: Nasa
É quase certo que teremos o El Niño este ano, mas ainda é cedo para dizer qual será a intensidade do fenômeno e se ele trará consigo desastres climáticos como secas na Amazônia e nordeste, ou chuvas intensas no sul do país
Um canal pré-hispânico canaliza a água das montanhas para os campos agrícolas. Crenças, comportamentos e normas antigas foram integrados às soluções tecnológicas nessa parte do Peru nos tempos antigos. O isolamento e a remoção das ferramentas desse conhecimento as tornaram menos eficazes.
Ari Caramanica
As práticas antigas contêm lições importantes para os agricultores que enfrentam terras áridas, mas, em geral, elas eram mais complexas do que as sociedades modernas imaginam. A perda das geleiras aumenta o desafio atual.
A Terra está ultrapassando o limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris, além do qual os cientistas preveem danos catastróficos aos sistemas que sustentam a vida em nosso planeta.
Fumaça de queimadas toma conta de Manaus: seca aumenta a vulnerabilidade da Amazônia e o risco de incêndios
Toa55/UnlimPhotos
É prematuro dizer que atual seca extrema é devido às mudanças climáticas, mas o aumento da frequência e intensidade destes eventos é uma ameaça que não podemos ignorar
Maior afluente da margem esquerda do Amazonas, o Rio Negro é conhecido pelas paisagens paradisíacas, águas frescas, limpas e abundantes, onde nadam botos cor-de-rosa. Hoje, boa parte de seu leito nas imediações de Manaus está assim.
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Problema deverá afetar a região até meados de 2024, no mínimo. Os sinais de sua gravidade incluem os níveis mais baixos de água na cidade de Manaus em 121 anos.
Protesto global contra as mudanças climáticas no Rio de Janeiro: péssima reputação recente do Brasil no setor ainda ecoa.
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Apesar do otimismo gerado entre ambientalistas após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o momento atual é crítico para a imagem do país em relação a sua política ambiental.