Três furacões avançam simultaneamente pelo Oceano Pacífico nesta primeira semana de setembro de 2026: anomalias de temperatura sobre a região estão acopladas aos ventos tanto nos níveis altos quanto na superfície da atmosfera. No Brasil, já se registram chuvas superiores à normalidade na Região Sul, decorrentes da maior presença de sistemas frontais e precipitações deficientes no noroeste da Amazônia.
Foto: National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA)
O risco não é apenas meteorológico: fenômeno poderá afetar setores estratégicos, como agricultura, geração de energia, logística, saúde e segurança alimentar
Refúgio climático localizado desde 2024 no centro de Belo Horizonte, o primeiro do gênero no país, que oferece água potável, nebulização, vegetação e bancos sombreados: intervenções como essa são valiosas, mas as principais cidades do Brasil ainda precisam implementar redes mais abrangentes de proteção contra o calor extremo, como já acontece na Espanha.
Foto: Videopress Produtora
Ana Terra Amorim-Maia, BC3 - Basque Centre for Climate Change; Universidade de São Paulo (USP)
Espaços gratuitos e acessíveis onde a população pode se proteger do calor, descansar e receber informação são soluções rápidas, baratas e eficientes para um clima que registra a cada ano mais ondas de calor extremo
Tabuleiro do “Jogo do Clima”, que guia as crianças por 46 casas que abordam temas de meteorologia e biodiversidade através de animais e fenômenos naturais.
Imagem: @entrando_no_clima
Jaqueline Nichi, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Da sala de aula ao tabuleiro, a educação climática para crianças e adolescentes pode ir além da repetição da urgência com método, contexto, linguagem e recursos que transformam informação em experiência.*
Desigualdade ambiental: eventos climáticos extremos como o super El Niño tendem a tornar mais evidentes as contradições do modelo de desenvolvimento social e econômico brasileiro, expondo quesões como o racismo ambiental, que é quando determinados grupos sociais são sistematicamente mais expostos a riscos climáticos e menos atendidos pelas políticas públicas de prevenção a desastres naturais.
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
Fenômeno climático reflete não apenas a força da natureza, mas as consequências de decisões sociais, econômicas e políticas
Morador de uma comunidade ribeirinha carrega alimentos e recipientes com água potável no leito seco do Rio Amazonas, durante o El Niño de 2023-24: calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera.
Foto AP / Edmar Barros
Na região Norte, o El Niño mais recente mostrou algo além da falta de chuva. O calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera
Relatório aponta que as mudanças climáticas poderão empurrar mais 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza extrema nas próximas décadas.
Foto: Jcom / Freepik
Neste episódio, nossa equipe conversa com especialistas sobre o branqueamento da Grande Barreira de Corais australiana e o risco de a exploração de petróleo na Costa Equatorial brasileira afetar manguezais e corais da foz do Rio Amazonas
O processo de descarbonização do setor de energia não se limita à geração de energia de baixo carbono. É necessário analisar toda a cadeia energética, desde a fonte primária de energia até o uso final. São várias etapas envolvidas, como a produção, distribuição, logística, infraestrutura. Ou seja, para se ter um bom resultado é necessário um planejamento integrado de toda a cadeia.
Foto: Envato
Sem o devido planejamento, corre-se o risco de que a transição energética no país fique desbalanceada. O foco na retirada progressiva do uso dos hidrocarbonetos fósseis não pode desconsiderar que eles são insumos para um setor importante, que é a petroquímica
Em 2024, as inundações atingiram 95% dos municípios do RS, afetaram aproximadamente 2 milhões de pessoas, deslocaram 581.638 indivíduos, deixaram 800 feridos e resultaram em 178 óbitos. Mas o desastre também comprometeu infraestruturas logísticas cruciais para o abastecimento, como estradas, pontes, centros de distribuição e armazéns frigorificados.
AP Photo/Carlos Macedo
Raquel Canuto, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Com as novas chuvas que caíram no estado, especialistas alertam para prejuízo ao sistema de abastecimento que leva comida do campo para as cidades
Estrada vicinal cruza região calcinada pelas queimadas no Pantanal, em 2024: discurso predominante na cobertura midiática das mudanças climáticas é marcado por catastrofismo que pode dificultar visão mais crítica por parte do público sobre as causas e consequências do problema.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Levantamento analisou 38 publicações científicas e identificou padrões na cobertura jornalística do tema na América Latina, com destaque para o caso brasileiro
Incongruências do discurso que nega os efeitos das mudanças climáticas e refletem um radicalismo que se afasta cada vez mais do conservadorismo tradicional
Face à tragédia do ano passado (foto), o projeto “RS: Resiliência & Sustentabilidade” - feito em cooperação entre a Secretaria Extraordinária para o Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul (SERS) e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), com financiamento da Open Society Foundations - convidou pesquisadores a desenvolver diagnósticos e sugerir caminhos para a prevenção e o enfrentamento de futuros eventos climáticos extremos.
AP Photo/Carlos Macedo
João Ferrer, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP); Marcelo Danéris, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), and Pedro Marques, Universidade de São Paulo (USP)
Projeto “RS: Resiliência & Sustentabilidade”, finalizado em janeiro de 2025, motivou a pesquisa universitária a formular uma agenda de reconstrução, adaptação e resiliência climáticas. Resultado gerou livro e seminário.
Protesto de fazendeiros franceses contra o acordo comercial entre a UE e o Mercosul, na semana do G20 no Brasil: nova legislação que pode dificultar a entrada na União Europeia de produtos agropecuários gerados sem respeito ao ambiente acaba de ter sua implantação adiada por mais um ano. Entenda os interesses que estão em jogo, e o que diz a Ciência sobre o assunto.
AP Photo/Matthieu Mirville
Nova legislação que reforça fiscalização sobre produtos gerados sem respeito ao meio ambiente expõe interesse da União Europeia em liderar a transição ecológica global, mas pode dificultar interesses comerciais do Brasil e outros exportadores agrários
Um estudante caminha para a escola em uma rua inundada pela subida do Rio Negro em Iranduba, Amazonas. Atualmente, mais de 700 escolas brasileiras estão em área de risco hidrológico, e outras 1.700 em áreas de risco geológico. Cerca de 75% delas pertencem ao sistema público.
AP Photo/Edmar Barros
Mais de 700 escolas brasileiras estão em área de risco hidrológico, 75% delas pertencentes ao sistema público, enquanto mais de 1.700 escolas se localizam em áreas mapeadas como de risco geológico
Bombeiro combatendo um incêndio florestal na Califórnia: dos 35 “sinais vitais” da Terra, como extensão do gelo marinho e situação das florestas, 25 estão em níveis preocupantes.
Noah Berger/AP
Toda a civilização humana surgiu durante condições climáticas excepcionalmente benignas. À medida que as mudanças climáticas se intensificam, estamos começando a ver o que pode acontecer
Invisíveis: não se sabe exatamente quantos brasileiros estão se mudando neste momento devido às mudanças climáticas atuais, porque não existem sistemas centralizados de registro para monitorá-los.
AP Photo/Carlos Macedo
Nas últimas duas décadas, pelo menos 8 milhões de brasileiros migraram devido a tempestades, inundações, incêndios florestais, secas ou aumento do nível do mar.
Na imagem fornecida pela NASA, o furacão Beryl visto a partir da Estação Espacial Internacional. Nesta quarta, dia 3, o Beryl chega à Jamaica, com os habitantes da ilha se preparando para a poderosa tempestade de Categoria 4 que matou pelo menos seis pessoas e causou danos significativos no sudeste do Caribe.
NASA via AP
Brian Tang, University at Albany, State University of New York
A força e a rápida intensificação do Beryl estabeleceram recordes, aumentando os alarmes sobre o que já se espera que seja uma temporada de furacões muito ativa no Atlântico, como explica um meteorologista
Retrato do isolamento: enquanto o RS permanece alagado, o poder público ainda está longe de usar devidamente os estudos científicos na elaboração de políticas de prevenção.
Pedro Ladeira/Folhapress
Os últimos acontecimentos evidenciam que a ciência precisa estar presente ativamente na elaboração e proposição das políticas de prevenção. Mas a interação entre pesquisa e poder público ainda é complexa e difícil no Brasil
Doutor em Economia e codiretor do Centro de Pesquisa em Macroeconomia e Desigualdades (Made/USP), Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Mestre em Administração Pública (FGV/RJ) e Coordenador do projeto "RS: Resiliência & Sustentabilidade”, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)