Após três anos de funcionamento autônomo, em condições extremas de vento e temperatura, o Criosfera 1 recebe uma nova expedição de cientistas, que estão resgatando os dados de UVA e UVB coletados de forma contínua e por longo período pelo laboratório.
Foto: Heitor Evangelista / INCT Criosfera
Medições das radiações de UVA e UVB feitas pelo Crisfera 1 nos últimos anos ajudaram a concluir que a redução do ozônio e o aumento do UVB superficial provocaram impactos reais sobre a biota local, como o plâncton no oceano Austral
A Grande Barreira de Corais da Austrália.
Foto: Great Barrier Reef Marine Park Authority
Neste episódio, nossa equipe conversa com especialistas sobre o branqueamento da Grande Barreira de Corais australiana e o risco de a exploração de petróleo na Costa Equatorial brasileira afetar manguezais e corais da foz do Rio Amazonas
Antes e durante a sua realização, o governo apresentou a COP 30 como sendo a “COP da verdade”, associando-a à coragem moral e à necessidade de ação rápida. No entanto, esse discurso contrasta com a crescente apropriação da conferência por atores extrativistas, financeiros e corporativos.
Foto: Antônio Scorza / COP 30
Conferência foi operada na combinação de zonas diplomáticas, estruturas corporativas e espaços destinados à sociedade civil, em uma arquitetura que cada vez mais favorece a prevalência de interesses privados
Protesto em frente ao Congresso por demarcação de terras indígenas, em outubro de 2025: apesar de numerosa, amplamente divulgada pela mídia e apoiada por grande parte da opinião pública, a defesa do ambiente e a luta contra as mudanças climáticas ainda perde feio dentro das casas legislativas para os interesses do agronegócio e do setor de energia fóssil - encorajados pela ambiguidade do governo quanto ao tema.
AP Photo / Eraldo Peres
Estudo mostra contradições complexas: muitos brasileiros têm opinião favorável à preservação, mas compartilham conteúdos falsos sobre o clima, o que favorece os interesses do agronegócio e do setor de energia fóssil
Trajetória das políticas públicas ambientais no país mostra avanços relevantes, mas também revela diversos atrasos que persistem e são acentuados pela forma como o nosso país é demarcado e legislado.
Altrendo Images, via Envato
Trajetória das políticas públicas ambientais mostra avanços relevantes, mas também revela diversos atrasos persistentes, que são acentuados pela forma como o nosso país é demarcado e legislado na forma de federação
Gotículas sobre folhas de mirtilo: seja em forma de neblina, orvalho, garoa ou mesmo de filmes finíssimos de água condensada, as folhas de muitas espécies de plantas têm uma alta capacidade de absorver água da atmosfera, uma estratégia da natureza ainda pouco estudada, que protege diversos ecossistemas durante períodos de seca.
Foto: Stopabox / Envato
Daniela Boanares, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Absorção da água presente na atmosfera por meio das folhas ainda é um processo pouco ensinado nas escolas, mas pode ser uma ferramenta para gestores ambientais, agricultores e planejadores urbanos que buscam soluções inovadoras e sustentáveis para lidar com a escassez hídrica
Como consequência do aquecimento global previsto pelos modelos há mais de 50 anos, a nação insular de Tuvalu está perdendo terras devido ao aumento do nível do mar, e suas fazendas e suprimentos de água estão ameaçados pela água salgada.
Mario Tama/Getty Images
Nadir Jeevanjee, National Oceanic and Atmospheric Administration
Desde o aumento das temperaturas globais até a amplificação do aquecimento no Ártico, os primeiros modelos climáticos previram as mudanças há meio século.
Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que, globalmente, 13,2% de tudo o que sai do campo se perde logo após a colheita. A região da América Latina e Caribe, que abriga 9% da população mundial, representa 20% das perdas globais.
FOTO: FAO/ONU
Ainda que o Brasil tenha saído do Mapa da Fome em 2025, no triênio 2022-2024 somos cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave
Uma Amphisbaena camura num raro registro fora do subsolo, seu habitat natural: por viverem escondidas, as cobras-de-duas-cabeças são notoriamente difíceis de observar. Pouco se sabe sobre seu comportamento, alimentação ou reprodução.
Foto cedida por Jean-Paul Brouard – Fundación Para La Tierra
Pesquisa revela que animais subterrâneos, tradicionalmente vistos como protegidos das variações de temperatura, são altamente dependentes do clima. Mesmo vivendo escondidos, não estão imunes às mudanças climáticas
Uma imagem impossível: gerado por Inteligência Artificial, este “registro” do que seria uma visita de um pinguim ao habitat de um urso polar, no Ártico, nunca aconteceu e muito provavelmente jamais acontecerá. Barreiras para a expansão geográfica que envolvem o clima, a geografia, limitações evolutivas profundas e padrões comportamentais enraizados restringem a capacidade dessas aves de conquistar novos territórios.
Imagem: Envato Labs
Por serem fiéis aos seus ambientes de origem e pouco flexíveis em termos ecológicos, os pinguins podem enfrentar sérias dificuldades para se adaptar às novas condições climáticas do planeta
Durante e Rio 92, foram lançadas em escala mundial as bases para os principais acordos ambientais internacionais contra o aquecimento global e suas consequências, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que originou as próprias COPs.
Imagem: Instituto Social Ambiental (ISA)
A necessidade de alinhar o sistema financeiro global às metas de clima é muito urgente. Dados chocantes mostram que, em 2023, os 65 maiores bancos do mundo destinaram US$ 900 bilhões aos combustíveis fósseis
Arranha-céus no horizonte de Belém, metrópole encravada na floresta, às margens do Rio Amazonas: destino das cidades e das florestas é inseparável, e superar o abismo entre essas duas esferas é essencial para alcançar as metas climáticas globais.
À medida que os líderes se preparam para a COP 30, é preciso encarar uma realidade básica: o destino das florestas e das cidades é inseparável. Superar o abismo entre essas duas esferas é essencial para alcançar as metas climáticas globais
Estrada vicinal cruza região calcinada pelas queimadas no Pantanal, em 2024: discurso predominante na cobertura midiática das mudanças climáticas é marcado por catastrofismo que pode dificultar visão mais crítica por parte do público sobre as causas e consequências do problema.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Levantamento analisou 38 publicações científicas e identificou padrões na cobertura jornalística do tema na América Latina, com destaque para o caso brasileiro
O II Fórum de Finanças Climáticas e da Natureza, realizado em maio no Rio de Janeiro, é um exemplo de como a sociedade civil pode pressionar pela mobilização de recursos privados para um roteiro de financiamento climático a partir da COP 30, incentivando bancos internacionais, gestoras, seguradoras e fundos institucionais a direcionar seus investimentos para projetos em países em desenvolvimento que estejam alinhados com as prioridades climáticas.
Foto: Agência Brasil
Maria Netto, Instituto Clima e Sociedade (iCS); Lucca Rizzo, Instituto Clima e Sociedade (iCS), and Vic de Castro, Instituto Clima e Sociedade (iCS)
Muitas formas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas são conhecidas e escaláveis, mas a implementação dessas soluções ocorre num ritmo muito lento, e parte do motivo é a falta de financiamento
Na imagem premiada de uma tartaruga presa numa rede de pesca industrial, o resumo de vários temas que serão novamente debatidos na UNOC 2025: combate à poluição por plásticos e nutrientes, combate à acidificação dos oceanos, regulagem da pesca e restauração dos estoques pesqueiros.
Imagem: World Press Photo via AP / Francis Pérez
Segen Estefen, Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO)
A UNOC 2025 será uma conferência decisiva na encruzilhada entre a continuidade da degradação marinha e uma virada histórica rumo à regeneração dos oceanos
A sete meses da COP 30, obras de infraestrutura à toque de caixa se espalham por Belém, numa corrida contra o tempo para receber chefes de Estado, cientistas, ativistas e jornalistas do mundo todo. Mas outras cidades-sede sofreram com o mesmo problema no passado, e uma COP no coração da Amazônia é oportunidade inédita para que o encontro tenha relevância real na luta contra os efeitos das mudanças climáticas.
AP Photo/Jorge Saenz
Próxima Conferência do Clima sofre críticas pela falta de estrutura de Belém, mas será a melhor chance da história pra que o mundo conheça melhor e valorize essa região fundamental para o equilíbrio ambiental da Terra
A “Zona Verde”, área da COP29 onde organizações internacionais compartilham ideias sobre redução das emissões de carbono: Pesquisa recente revela que muitas empresas praticam a chamada “lavagem verde” comprando créditos de carbono baratos de projetos de compensação de baixa qualidade. Regulamentação do mercado anunciada esta semana no Azerbaijão pode mudar este quadro.
AP Photo/Sergei Grits
Na semana em que a COP29 anuncia a proposta de regulamentação de um mercado mundial de carbono, um mergulho nas práticas de 866 empresas de capital aberto e 1.413 projetos de créditos de carbono revela quais dependem de compensações baratas e quais realmente optam por reduzir suas próprias emissões
Uma imensa nuvem envolve um incêndio florestal na Califórnia: novos satélites mostram que tempestades induzidas pelo fogo são mais comuns do que cientistas pensavam.
Tempestades induzidas por incêndios e redemoinhos de fogo semelhantes a tornados são mais comuns do que se imaginava, como mostram agora imagens e dados de satélite de alta resolução.
Porto Alegre inundada pelas chuvas de maio de 2024: Estudos mostram que a percepção de riscos ambientais por parte das populações varia de acordo com fatores socioeconômicos, e é preciso encontrar caminhos para comunicar o perigo de desastres de forma mais integrada e eficiente.
AP Photo/Carlos Macedo
Estudos de percepção de risco deveriam ser sistemáticos a fim de encontrar caminhos estratégicos para melhor comunicar a população sobre prevenção em um contexto de eminente crise climática
Invisíveis: não se sabe exatamente quantos brasileiros estão se mudando neste momento devido às mudanças climáticas atuais, porque não existem sistemas centralizados de registro para monitorá-los.
AP Photo/Carlos Macedo
Nas últimas duas décadas, pelo menos 8 milhões de brasileiros migraram devido a tempestades, inundações, incêndios florestais, secas ou aumento do nível do mar.
Coordenador Científico do laboratório Criosfera 1, na Antártica Central, e professor do Departamento de Biofísica e Biometria, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Senior Researcher at Swiss Federal Institute for Forest, Snow and Landscape Research and Adjunct Associate Professor of Ecology and Evolution, Stony Brook University (The State University of New York)