Em Minas Gerais, em fevereiro de 2026 novas enchentes e deslizamentos voltaram a cobrar um preço alto, deixando dezenas de mortos e milhares de desabrigados em cidades como Juiz de Fora (foto), uma das regiões mais urbanizadas em terreno de declive do país.
Foto: Rodney Costa/O Tempo/Folhapress
Estudos globais sobre gestão de risco de desastres indicam que cada real investido em prevenção pode gerar retornos de até quatro vezes o valor em perdas evitadas
A estrada que liga as cidades de Chibuto e Chaimite, na província de Gaza, inteiramente isolada pelas águas: até agora, já foram contabilizadas 125 mortes, e mais de 700.000 pessoas estão desabrigadas.
AP Photo
Luca Bussotti, Universidade Técnica de Moçambique (UDM)
Apesar da violência das inundações, o que sobressaiu foi a imagem de um país colapsado, incapaz de gerir eventos extremos, mesmo que previstos e previsíveis
Em 2024, as inundações atingiram 95% dos municípios do RS, afetaram aproximadamente 2 milhões de pessoas, deslocaram 581.638 indivíduos, deixaram 800 feridos e resultaram em 178 óbitos. Mas o desastre também comprometeu infraestruturas logísticas cruciais para o abastecimento, como estradas, pontes, centros de distribuição e armazéns frigorificados.
AP Photo/Carlos Macedo
Raquel Canuto, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Com as novas chuvas que caíram no estado, especialistas alertam para prejuízo ao sistema de abastecimento que leva comida do campo para as cidades
Empacotadas e congeladas, milhares de galinhas podem voar de avião e, em menos de 24 horas, desembarcarem prontas para consumo em qualquer lugar do mundo. Nenhuma ave selvagem seria capaz de tal proeza. Ainda assim, demorou para que as aves migratórias parassem de ser acusadas por um problema evidentemente causado pela atividade comercial de criação e venda de galinhas para consumo.
AP Photo/Andres Kudacki
No mundo globalizado, a velocidade dos meios de transporte e da mídia compõe o contexto no qual se dá tanto a disseminação das doenças quanto a divulgação dos seus dados
Morador solitário tenta atravessar uma rua alagada em Porto Alegre: a expressão “desastres naturais” não define corretamente os eventos climáticos cujas causas e consequências estão relacionadas ao descaso humano com a prevenção contra eventos extremos.
AP Photo/Carlos Macedo)
A expressão “desastres naturais” dá a entender que tragédias como a do Rio Grande do Sul não têm relação com ações humanas. A influência antropogênica nas causas e no enfrentamento desses acontecimentos é tão óbvia que não deveria ser objeto de disputa de narrativa
Água corre para um bueiro em um beco de Los Angeles em 19 de agosto de 2023, durante a tempestade tropical Hilary: abordagem para mitigação de enchentes urbanas envolve projetos inovadores de paisagismo e drenagem para reduzir e retardar o escoamento, permitindo que certas partes da cidade sejam inundadas com segurança diante de condições climáticas extremas.
Citizen of the Planet/Universal Images Group via Getty Images
Cidades nos EUA estão adotando infraestrutura verde, mas de forma fragmentada. Enchentes provocadas pelas mudanças climáticas exigem uma abordagem mais ampla
O campo de futebol do Estádio Beira-Rio, do Internacional, completamente submerso sob as águas do Guaíba: mudanças climáticas agravam exponencialmente as consequências da falta de planejamento ambiental e infraestrutura hídrica e de saneamento.
AP Photo/Carlos Macedo
Reitor da Universidade Federal do Pampa escreve sobre sua experiência na tragédia, e traz uma visão acadêmica sobre as falhas humanas que contribuem para o agravamento da situação
Pesquisador em Direito Biomédico e propriedade intelectual de medicamentos e Professor titular da Escola de Ciências Jurídicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Professora Associada do Departamento de Nutrição e dos Programas de Pós-graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde e em Epidemiologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)