Nikolas Ferreira, 30, e Lucas Pavanato, 28, os dois deputados mais votados da história do Congresso Nacional, empunham seus principais cabos eleitorais: o combate à violência com mais violência de Estado e mais acesso individual às armas. Inúmeros estudos já mostraram que ambas as estratégias, sozinhas, não se sustentam no esforço pela redução da criminalidade.
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O Brasil fez uma escolha deliberada por uma agenda de segurança pública fundamentada na força, na expansão punitiva e no armamento individual. Mas décadas de pesquisa mostram que as propostas centrais desse campo raramente entregam reduções dos índices de criminalidade
Eleitor de Bolsonaro vota com dois símbolos emblemáticos da extrema-direita brasileira: a camisa da seleção em dia de eleição, e o boneco do presidente Lula com roupa de presidiário: é preciso investigar o processo que forma bolhas e ondas na política contemporânea. Para o escritor e cientista político Sergio Abranches, ele tem três dimensões: afetiva, valorativa e político-ideológica.
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Nenhum governo, hoje, de qualquer convicção política, em qualquer sociedade democrática, tem condições de satisfazer ao povo descontente e desconfiado. No campo democrático, o mais provável é a alta rotatividade, com aumento de governantes que não se reelegem
Posando ao lado do então presidente Jair Bolsonaro, José Acácio Tsererê, suposto integrante do povo Xavante, ganhou notoriedade ao ser apontado como o pivô da confusãp que resultou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Seu caso revelou à sociedade a existência de ativistas indígenas - ou autodeclarados indígenas - com atuação política inspirada nas visões ultraconservadoras do bolsonarismo. Visões estas que incluem o descaso pela preservação ambiental e pela defesa dos povos originários.
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Pesquisadores da Universidade de Viçosa estudam conteúdo postado nas redes sociais para traçar perfil ideológico destes candidatos e suas afinidades com as pautas conservadoras e bolsonaristas
As redes sociais não criaram o espaço democrático que se esperava para disputas eleitorai.. Pelo contrário, pesquisa realizada pelo autor mostra que candidatos homens que já detinham maior capital e eram da classe política foram aqueles cujas campanhas digitais ganharam maior engajamento. Candidatos com poucos recursos eleitorais estiveram ausentes das redes ou receberam engajamento significativamente menor.
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Estudo demonstra que as redes sociais reproduzem formas históricas de desigualdade e exclusão. E esse quadro pode piorar com as novas políticas de moderação de conteúdo da Meta, que permitiram maior circulação de conteúdo político em suas plataformas
Chuva sobre a cúpula da Câmara dos Deputados, na Praça dos Três Poderes: excesso de foco dos eleitores e da mídia na eleição presidencial prejudica a noção de que a responsabilidade para com a estabilidade política e econômica do Brasil é dividida igualmente entre Executivo e Legislativo, com mediação do Judiciário - o que torna as eleições para o Congresso tão ou mais importantes do que para o Palácio do Planalto.
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A mudança vai depender de propostas claras e de cidadãos que continuem cobrando resultados depois da eleição. Transformar o Brasil exige instituições que funcionem e uma participação que não termine na urna
Será que votamos apenas por convicção? Um estudo internacional investigou a relação entre ser canhoto e ter uma orientação política de esquerda, mas resultados indicam ser mais uma questão de identidade do que de biologia.
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Pesquisa realizada em 18 países ocidentais, observou que os canhotos se posicionam mais à esquerda no espectro político, mas resultado parece estar mais relacionado à identidade do que à biologia
Manifestação pela anistia dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023: candidatos mais à direita tendem a interpretar a anistia como um caminho para a impunidade, repetindo um erro que o país já cometeu no fim do regime militar.
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Carlos Artur Gallo, Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
as manifestações dos candidatos representam não apenas propostas antagônicas de país para os mandatos que iniciam em 2027, mas também visões divergentes sobre como podem ser encarados acontecimentos da dinâmica política brasileira dos últimos anos
Pesquisas sugerem que algumas causas tradicionalmente defendidas pela esquerda são percebidas com um peso moral especialmente elevado, não apenas por pessoas de esquerda, mas também pelas de direita e a sociedade em geral, o que pode servir de combustível para a polarização.
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Duas pesquisas mostram que tanto as pessoas de esquerda quanto as de direita acreditam que as causas políticas defendidas pela esquerda têm um peso moral especialmente elevado
Duas hipóteses podem explicar essa frieza: a primeira é que nem Lula nem Flávio Bolsonaro estão empolgando os eleitores. A segunda é que a campanha eleitoral migrou para as plataformas digitais, o que diminui o corpo a corpo, reduz o calor das improvisações nos comícios e desestimula o debate de ideias. O eleitor começa a se perguntar se o que vê nas redes é a realidade ou apenas uma seleção dos algoritmos.
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Cientista político que desenvolveu teoria sobre o presidencialismo de coalizão analisa os difíceis prognósticos para as eleições majoritárias deste ano e os riscos de seus resultados para a governabilidade e a democracia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nas Nações Unidas: movimentos políticos brasileiros, tanto de esquerda quanto de direita, disputaram a liderança nacionalista ao longo do século XX atribuindo significados muito diferentes a conceitos como soberania e interesse nacional.
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A disputa entre o presidente em exercício e Flávio Bolsonaro faz parte de uma divisão entre a direita e a esquerda em torno do significado da Nação que vem de décadas no país
Enquanto os índices de abstenção tendem a crescer entre os segmentos mais jovens, a população idosa dá demonstrações consistentes de disciplina cidadã. No Brasil, estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral apontam o crescimento sustentado do eleitorado com mais de 60 anos, que já ultrapassa 23% do total de inscritos. E como a expectativa de vida das mulheres é maior, elas são maioria absoluta na faixa de 60 anos ou mais em toda a América Latina e no Brasil. Esse predomínio numérico se traduz em um protagonismo político sem precedentes.
Foto: Luiz Roberto/TSE
Silvia Lilian Ferro, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
No Brasil e em grande parte da América Latina, eleitores maduros deixam de ser coadjuvantes e caminham para se tornar o fiel da balança eleitoral. Um fenômeno político que deve ser mais compreendido
Marine Le Pen, filha do ex-líder extremista Jean Marie Le Pen, no dia da confirmação de sua candidatura à presidência da França para as eleições de 2027: mais um poderoso infgrdiente no caldo extemista que se espalha pela Europa e pelas Américas.
Felipe Calabrez, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O que se observa hoje não é propriamente a retomada do tradicional populismo que é comum principalmente na América Latina, mas a apropriação seletiva de sua lógica pela extrema direita em todo o mundo
From right to left, Roberta Metsola, president of the European Parliament since January 2022, and Ursula von der Leyen, president of the European Commission since 2019.
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Pesquisa feita em Portugal, França, Irlanda, Itália e Espanha para a Comunidade Europeia mostra que candidatas a cargos políticos receberam mais ofensas pessoais e sexualizadas do que os homens. No Brasil, as postulantes de esquerda são principais alvos de agressividade
Em março de 2026, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), atual candidato à Câmara dos Deputados, montou uma tenda no campus da USP e, cercado de câmeras, fez discursos inflamados contra o aborto e sobre outros temas de sua pauta eleitoral, gerando confusão, feridos e grande repercussão na mídia. Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais.
Álex Kalil, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais
Brasileira se aproxima de uma cabine de votação em Lisboa, nas eleições de 2022: é notável o crescimento do registro de eleitores brasileiros residentes no exterior nos últimos anos. Passou de 500.727 pessoas em 2018 para 697.078 em 2022 - um aumento de 39,21%. Para as eleições de 2026, a expectativaé de crescimento ainda maior.
Foto: Tribunal Superior Eleitoral
Teresa Cristina Schneider Marques, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Mais de 900 mil eleitores que vivem fora do país estarão aptos a votar. Com abstenção cada vez menor, as campanhas começam a disputar o voto de quem vive fora do país
A fronteira do município de Oiapoque, no estado brasileiro do Amapá, com Saint-Georges de l’Oyapock, uma das 22 comunas do estado ultramarino da Guiana Francesa: na América do Sul e no mundo, as divisões territoriais refletem não apenas características geográficas, mas resultam de processos históricos marcados por disputas regionais, interesses locais e dificuldades na centralização do poder.
Foto: Rádio França Internacional (RFI)
As divisões territoriaisnos Estados não são naturais ou permanentes, mas resultado de decisões políticas e de processos históricos
Francisco Carvalho é acusado de crimes de falsificação de documentos públicos e abuso de poder, peculato, recebimento indevido de vantagem, violação de norma de execução orçamental, atentado contra o Estado de direito e corrupção passiva.
Foto: Elton Monteiro / Agência LUSA
Luca Bussotti, Universidade Técnica de Moçambique (UDM)
Francisco Carvalho é acusado de crimes de falsificação de documentos públicos e abuso de poder, peculato, recebimento indevido de vantagem, violação de norma de execução orçamental, atentado contra o Estado de direito e corrupção passiva
Mulheres bolivianas reunem-se com governantes para debater leis de proteção contra violência política de gênero: a Bolívia foi o primeiro país do mundo a aprovar uma legislação específica sobre o tema, em 2012.
AP Photo/Juan Karita
Danielly Milano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP); Gabriela Kyrillos, Universidade Federal do Rio Grande (FURG), and Rosangela Schulz, Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
A violência política de gênero atinge ativistas, candidatas, detentoras de mandato, integrantes de suas equipes e até familiares. Levantamento cobriu todas as leis criadas sobre o tema na região entre 2012 e 2025
Unidade hospitalar vinculada à Ascispes (Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes), um dos mais relevantes consórcios públicos de saúde de Minas Gerais. Pesquisa sobre seus 25 anos de atuação mostrou que o sucesso institucional nem sempre reduz conflitos. Em determinadas circunstâncias, pode até ampliá-los. E só a cooperação intermunicipal é capaz de neutralizar as disputas políticas.
Foto: Acispes / Divulgação
Avaliação de 25 anos de atuação de um importante consórcio público de saúde em Minas Gerais mostrou que o sucesso institucional nem sempre reduz conflitos. Em determinadas circunstâncias, pode até ampliá-los
Fortalecida desde a ascenção de Bolsonaro, a bancada BBB congrega políticos fisiológicos e integrantes das frentes parlamentares do agronegócio, dos evangélicos e da segurança pública,. Nas eleições de 2026, tudo indica que o grupo estará ao lado do indicado da família do ex-presidente.
Foto: Ascom / Congresso Nacional
Maioria dos integrantes da bancada BBB faz parte do chamado “Centrão”, ala fisiológica do Congresso que costuma apoiar o presidente de ocasião em busca de benesses políticas e econômicas
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Coordenadora Geral do Observatório Multilateral das Juventudes Frente ao Extremismo e professora de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais, PUC-Rio
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)