O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nas Nações Unidas: movimentos políticos brasileiros, tanto de esquerda quanto de direita, disputaram a liderança nacionalista ao longo do século XX atribuindo significados muito diferentes a conceitos como soberania e interesse nacional.
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A disputa entre o presidente em exercício e Flávio Bolsonaro faz parte de uma divisão entre a direita e a esquerda em torno do significado da Nação que vem de décadas no país
Nayib Bukele e Javier Milei, durante cerimônia na Casa Rosada, ano passado: considerados hoje os dois maiores líderes da direita radical na América Latina, os presidentes de El Salvador e da Argentina sofrem um revés com a derrocada do ex-presidente brasileiro e o provável enfraquecimento do bolsonarismo no país.
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André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Um dos poucos países que conseguiu reverter a onda recente de autocratização, Brasil abre precedentes para que outros países que passem por situações semelhantes tenham condições de responder com as ferramentas democráticas e evitar novos golpes e desvios
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro ficará preso em definitivo na sede da Polícia Federal, onde já estava detido preventivamente desde o dia 22 de novembro. Com a saída de cena do ex-presidente, são a esposa Michele Bolsonaro e o filho Eduardo que registram os maiores percentuais de conhecimento entre os eleitores do campo da direita. Os possíveis candidatos desse espectro político, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, apresentam percentuais menores.
Folhapress / Gabriela Biló
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro por risco de fuga acelera disputa entre líderes que dependem da sua base para chegar a 2026 — mas que ainda não conseguem converter conhecimento em voto
O julgamento de Bolsonaro ilustra a função essencial da democracia constitucional: demonstrar que até mesmo líderes eleitos devem se submeter às regras do jogo democrático. Ao barrar a corrosão “por dentro”, o Brasil mostrou que suas instituições ainda podem conter o autoritarismo. Mas a lição é dupla: a decisão representa uma vitória da legalidade, ao mesmo tempo em que revela que o risco de erosão institucional continua presente.
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Ao condenar Bolsonaro, o Brasil sinalizou que não tolera o uso das próprias instituições contra a democracia. Mas o risco continua.
O ex-presidente Jair Bolsonaro é visto em sua residência em Brasília, em 3 de setembro de 2025: nem todos os golpistas são responsabilizados por suas ações, mas caso do brasileiro pode ser um exemplo do fim de suas pretensões políticas.
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Os líderes de golpes fracassados nem sempre enfrentam punições – e alguns dos que enfrentam recebem tratamento fora dos tribunais.
Num contexto de desinformação e fake news produzidas nas sombras, o discurso de censura e perseguição contra extremistas como Jair Bolsonaro começa a fazer sentido para parte da opinião pública. Recente pesquisa do Datafolha, divulgada dias antes da ocupação do Congresso por políticos de extrema-direita, mostrou que 45% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente está sendo perseguido e injustiçado.
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Em um contexto de desinformação, o discurso de censura e perseguição começa a fazer sentido, minando as instituições democráticas e favorecendo forças políticas interessadas em tomar poder sem respeito às normas do Estado de Direito.
O “8 de janeiro de paletó”: para libertar a democracia brasileira do cativeiro representado pela invasão da mesa diretora da Câmara, os extremistas exigiram impunidade total para si e seus aliados, além da punição a quem ousou investigá-los, julgá-los e condená-los.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Episódio desnudou a essência do fazer político da extrema-direita antidemocrática global na última década: sequestrar a democracia, fechar o regime e instaurar projeto autocrático, iliberal e populista.
“Popcorn and ice cream sellers”: a mensagem em inglês do ex-presidente pareceu prosaica mas é fruto de narrativa bem construída para descredibilizar eventuais condenações por golpe de Estado e outros crimes no julgamento do STF.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Narrativa do ex-presidente deixou de focar na disputa eleitoral com Lula para colocar em dúvida legitimidade de seus julgadores e preparar terreno para descredibilizar eventuais sentenças condenatórias
O Supremo Tribunal Federal (STF) iluminado com as cores do Brasil no dia em que foram aceitas as denúncias contra Bolsonaro e outros sete de sua cúpula governamental - entre eles militares de alta patente, ex-ministros e representantes das áreas de inteligência e segurança - por tentativa de Golpe de Estado que envolveu instrumentalização institucional, disseminação de desinformação e manipulação da opinião pública.
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Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Decisão sobre crimes de Bolsonaro e seus associados será um teste institucional de longo prazo sobre como o Brasil lida com tentativas de rupturas democráticas, e sobre o futuro das relações entre civis e militares no país
O ex-presidente Jair Bolsonaro passa por trás de grades ao desembarcar ontem no Aeroporto Internacional de Brasilia, onde acompanhou parte das deliberações do STF que o tornaram réu por tentativa de golpe de Estado. Expectativa é de que o processo se desenvolva ao longo dos próximos meses e, em razão das eleições de 2026, é possível que seja concluído ainda este ano.
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Pela primeira vez na história do Brasil, um ex-presidente e oficiais de alta patente se tornam réus por crimes ligados a um golpe de Estado
Fragmentação da extrema-direita, isolamento de Jair Bolsonaro e um certo respiro para governo reorganizar sua coordenação política estão entre as possíveis consequências da denúncia contra o ex-presidente.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Acusações formalizadas pela PGR tiveram grande repercussão nacional e internacional, e produzirão forte impacto na agenda política brasileira de 2025. Veja algumas hipóteses sobre o que pode acontecer
O deputado Eduardo Bolsonaro defendendo a tese de que os golpistas de 8 de janeiro são presos políticos perseguidos, durante encontro de partidos conservadores em Buenos Aires, ano passado: com o pai inelegível, figuras como ele, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas projetam-se como concorrentes para a corrida presidencial de 2026.
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Guilherme Casarões, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Denúncia da PGR pode ser usada para reforçar narrativa de que Bolsonaro é perseguido político, e tem o potencial de inflamar os apoiadores do ex-presidente, com possíveis desdobramentos eleitorais.
Segundo pesquisadora do Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, o bolsonarismo não contava com uma denúncia tão forte e robusta como a que foi apresentada contra o ex-presidente, o que coloca em xeque as narrativas de perseguição política
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)