O atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que foi precedido por Arthur Lira (2021-2025) e Rodrigo Maia (2016-2021), todos políticos profissionais: a campanha antipolítica de 2018 mudou a composição da Câmara sem desfazer a sua hierarquia interna e a concentração de poder.
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Gabryela Gabriel, Universidade Federal do Paraná (UFPR) and Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Estudo mostra que a promessa de que a antipolítica varreria os políticos profissionais do ofício e devolveria a representação àqueles que combatiam “o sistema” não aconteceu na prática: o núcleo de parlamentares que ocupa cargos importantes no Legislativo continua o mesmo
Fortalecida desde a ascenção de Bolsonaro, a bancada BBB congrega políticos fisiológicos e integrantes das frentes parlamentares do agronegócio, dos evangélicos e da segurança pública,. Nas eleições de 2026, tudo indica que o grupo estará ao lado do indicado da família do ex-presidente.
Foto: Ascom / Congresso Nacional
Maioria dos integrantes da bancada BBB faz parte do chamado “Centrão”, ala fisiológica do Congresso que costuma apoiar o presidente de ocasião em busca de benesses políticas e econômicas
Inversão de sentidos: se nas eleições de 2022 a esquerda soube convencer uma franja do eleitorado de que a reeleição de Jair Bolsonaro representava riscos à manutenção do regime, agora é o campo da direita — em especial a base bolsonarista — que denuncia os que “atentaram”, na visão desse segmento, contra a democracia.
Foto: Roque de Sá / Agência Senado
Foram analisados mais de quatro mil discursos realizados noplenário e nas comissões entre 2023 e 2026
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que foi um dos entusiastas da PEC da Blindagem, hoje segue defendendo o PL da Anistia e é conhecido também por ser o autor da proposta de PL que proíbe o aborto mesmo em casos de estupro, discursa na frente do Congresso Nacional em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Boslonaro.
AP Photo/Eraldo Peres
A contradição entre a reprovação popular dos parlamentares e a reeleição é um dos temas examinados pela Ciência Política brasileira há quase 20 anos. As evidências sugerem que o voto em medidas impopulares não produz, necessariamente, derrota eleitoral.
O presidente do Senado, David Alcolumbre (à dir.), e o presidente da Câmara, Hugo Motta,durante cerimônia com o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin: em 2026, os destinos das candidaturas para o Senado terão mais influência na distribuição de poder no Brasil nos próximos anos do que a disputa majoritária para presidente.
Tradicionalmente visto como a segunda casa do Poder Legislativo, o Senado costuma receber menos atenção do que a Câmara dos Deputados. Mas para 2026, a possibilidade de renovação de dois terços da casa ganhou centralidade no embate entre os Poderes.
A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tomada por manifestantes contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia: a aprovação maciça de ambas as propostas na Câmara suscitou protestos em todo o país,mas não deve se repetir no Senado. Estudo produzido pelo programa de pós-doutorado do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) esmiuçou a distribuição ideológica entre os votos e os partidos.
No campo da extrema-direita, a proporção de votos favoráveis à PEC da Blindagem foi de 100%, uma distribuição exatamente inversa entre os partidos de extrema-esquerda, com 100% dos votos contra a medida
O “8 de janeiro de paletó”: para libertar a democracia brasileira do cativeiro representado pela invasão da mesa diretora da Câmara, os extremistas exigiram impunidade total para si e seus aliados, além da punição a quem ousou investigá-los, julgá-los e condená-los.
Foto Agência Brasil / José Cruz
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Episódio desnudou a essência do fazer político da extrema-direita antidemocrática global na última década: sequestrar a democracia, fechar o regime e instaurar projeto autocrático, iliberal e populista.
Tentativa de urgência na PL 1904 no Congresso revela muito sobre os retrocessos promovidos pela atual legislatura. Projeto ignora, desvia e distorce fatos, como o de que o aborto é um evento comum na vida das brasileiras.
Arte de Flávio Soares sobre foto de Brynn Anderson / AP
A tentativa de aprovar no Congresso a tramitação em regime de urgência do PL 1904 revela muito sobre os retrocessos promovidos pela atual legislatura. Mas também ignora, desvia e distorce fatos, como o de que o aborto é um evento comum na vida das mulheres brasileiras
A maioria branca na Câmara dos Deputados: disparidades na distribuição de recursos eleitorais, apropriação da agenda racial por partidos de direita e ascensão do neopentecostalismo estão entre as possíveis causas para a dificuldade de crescimento da representatividade preta no Congresso.
AP Photo/Eraldo Peres
Disparidades na distribuição de recursos eleitorais, apropriação da agenda racial por partidos de direita e ascensão do neopentecostalismo estão entre as possíveis causas para a dificuldade de crescimento da representivatividade política dos negros no Brasil
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Médica, doutora em Ciências Humanas e professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Fernandes Figueira, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)