Eleitor de Bolsonaro vota com dois símbolos emblemáticos da extrema-direita brasileira: a camisa da seleção em dia de eleição, e o boneco do presidente Lula com roupa de presidiário: é preciso investigar o processo que forma bolhas e ondas na política contemporânea. Para o escritor e cientista político Sergio Abranches, ele tem três dimensões: afetiva, valorativa e político-ideológica.
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Nenhum governo, hoje, de qualquer convicção política, em qualquer sociedade democrática, tem condições de satisfazer ao povo descontente e desconfiado. No campo democrático, o mais provável é a alta rotatividade, com aumento de governantes que não se reelegem
Flávio Bolsonaro, no discurso após os resultados do primeiro turno: liderança no pleito presidencial e domínio histórico do Congresso exige do grupo político bolsonarista e seus aliados um respeito pela democracia que não foi demonstrado em derrotas do passado.
Gabriela Biló/Folhapress
Débora Thomé, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) ; Fundação Getulio Vargas (FGV); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Uma vez terminadas as eleições, para a manutenção da democracia, será preciso cuidar da solidez das instituições para muito além de garantirem eleições limpas
Posando ao lado do então presidente Jair Bolsonaro, José Acácio Tsererê, suposto integrante do povo Xavante, ganhou notoriedade ao ser apontado como o pivô da confusãp que resultou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Seu caso revelou à sociedade a existência de ativistas indígenas - ou autodeclarados indígenas - com atuação política inspirada nas visões ultraconservadoras do bolsonarismo. Visões estas que incluem o descaso pela preservação ambiental e pela defesa dos povos originários.
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Pesquisadores da Universidade de Viçosa estudam conteúdo postado nas redes sociais para traçar perfil ideológico destes candidatos e suas afinidades com as pautas conservadoras e bolsonaristas
Marine Le Pen, filha do ex-líder extremista Jean Marie Le Pen, no dia da confirmação de sua candidatura à presidência da França para as eleições de 2027: mais um poderoso infgrdiente no caldo extemista que se espalha pela Europa e pelas Américas.
Felipe Calabrez, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O que se observa hoje não é propriamente a retomada do tradicional populismo que é comum principalmente na América Latina, mas a apropriação seletiva de sua lógica pela extrema direita em todo o mundo
Atiradores disfarçados flagrados por câmera de segurança no momento em que atiravam contra a ex-mulher de Fernando Cerimedo, na Bolívia: atuação do ex-estrategista político que tinha relações com Milei, Bolsonaro e outros políticos ultra conservadores revela que a rede de projetos da extrema-direita na América Latina não é apenas ideológica, mas sobretudo comercial.
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Com atuação nas campanhas de Milei, Bolsonaro e outros expoentes de extrema-direita latino-americanos, Cerimedo operou redes de contas falsas e explorou algoritmos para disseminar narrativas falsas e influenciar eleições
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita.
Foto: Folhapress / Aloisio Maurício
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Tathiana Chicarino, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Priscila Silvério, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção
Manifestantes seguram cartazes satirizando o presidente Trump e o presidente argentino, Javier Milei, durante um protesto em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires: a difícil nova conjuntura mundial que se avizinha - especialmente para as sociedades latino-americanas - não pode levar ao imobilismo, e nem se pode menosprezar o potencial da população norte-americana de conter os excessos de seu atual governo.
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Ameaças militares, diplomacia coerciva ou intervenções com o uso da força começam a se tornar “normais”, e o arcabouço de normas, princípios e direitos universais se esvai
Trump e Bolsonaro em encontro na Casa Branca, em 2019: a atual onda populista que se manifesta no mundo inteiro (a quarta da história contemporânea) é marcada por uma polarização política, social e afetiva que se alimenta mais do “gostar ou não gostar” do outro do que de divergências ideológicas concretas. E as ferramentas desse processo são a radicalização e o uso intensivo das redes sociais.
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Uso crescente das redes sociais na política e lógica do engajamento algorítmico levam a uma política cada vez mais personalizada, recheada de memes, ironias e insultos
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em vigília durante o julgamento que o condenou por tentativa de golpe de Estado: vestidosde verde-e-amarelo mas enrolados em bandeiras dos Estados Unidos, não se sabe ainda bem porquê… Estudo tomou o caso das eleições de 2022 nos EUA como base para uma investigação ampla, que mostra como a desinformação fragiliza a relação entre veículos de comunicação e suas audiências, e corrói a confiança no jornalismo.
AP Photo/Eraldo Peres
Campanhas de desinformação marcaram as eleições presidenciais de 2022, que depois de vencidas pela oposição foram alvo de uma tentativa de golpe, conforme sentenciou esta semana o próprio STF
Num contexto de desinformação e fake news produzidas nas sombras, o discurso de censura e perseguição contra extremistas como Jair Bolsonaro começa a fazer sentido para parte da opinião pública. Recente pesquisa do Datafolha, divulgada dias antes da ocupação do Congresso por políticos de extrema-direita, mostrou que 45% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente está sendo perseguido e injustiçado.
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Em um contexto de desinformação, o discurso de censura e perseguição começa a fazer sentido, minando as instituições democráticas e favorecendo forças políticas interessadas em tomar poder sem respeito às normas do Estado de Direito.
O “8 de janeiro de paletó”: para libertar a democracia brasileira do cativeiro representado pela invasão da mesa diretora da Câmara, os extremistas exigiram impunidade total para si e seus aliados, além da punição a quem ousou investigá-los, julgá-los e condená-los.
Foto Agência Brasil / José Cruz
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Episódio desnudou a essência do fazer político da extrema-direita antidemocrática global na última década: sequestrar a democracia, fechar o regime e instaurar projeto autocrático, iliberal e populista.
Brasileiros apoiadores da extrema direita no Brasil seguram placas em inglês dando apoio às medidas de Trump que prejudicam o planeta inteiro, inclusive o Brasil, durante um ato de apoio ao ex-presidente do país e de protesto contra o STF, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo.
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Danilo Sorato, Universidade Federal Fluminense (UFF)
A nova estratégia da extrema-direita é usar países aliados no exterior para pressionar e desestabilizar o Brasil, inclusive alardeando que a Eleição de 2026 não será reconhecida pelos EUA
Estudantes de diferentes origens e etnias celebram sua formatura em Harvard, nesta quinta-feira, 25 de maio de 2025. Resiliência de universidades e juízes de diferentes instâncias na defesa do cumprimento da lei tem dificultado a jornada autoritária do atual governo dos EUA, contra imigrantes e instituições universais de ensino e conhecimento.
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É difícil prever até quando a musculatura das universidades e do judiciário conseguirá conter a sanha demolidora de Trump, sem uma rede unificada de resistência e o apoio explícito da população
O líder da CSU e governador do estado da Baviera, Markus Soeder (à direita) entrega um volante com o slogan “Colocando a Alemanha de volta no rumo certo” a Friedrich Merz, candidato da CDU a chanceler e presidente: coalizão entre os dois partidos de centro-direita venceu as eleições legislativas com 28% dos votos. Ultradireita ficou em segundo lugar.
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José Victor Ferro, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas
A formação de uma “Grande Coalizão” entre União Democrata-Cristã (CDU) e União Social-Cristã (CSU), ambas de centro-direita, parece ser a solução mais provável para o próximo governo alemão.
Fragmentação da extrema-direita, isolamento de Jair Bolsonaro e um certo respiro para governo reorganizar sua coordenação política estão entre as possíveis consequências da denúncia contra o ex-presidente.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Acusações formalizadas pela PGR tiveram grande repercussão nacional e internacional, e produzirão forte impacto na agenda política brasileira de 2025. Veja algumas hipóteses sobre o que pode acontecer
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, autor das denúncias apresentadas ao STF: julgamento do ex-presidente não representará só a possível punição dele e dos demais envolvidos, mas a definição de até onde vai a tolerância institucional a um movimento político que tentou a ruptura democrática.
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Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Além dos desafios jurídicos, o Brasil enfrenta o dilema social e político de lidar com um amplo espectro de apoiadores que tendem a manter seu apoio ao ex-presidente mesmo após a denúncia
“Zuck lucra com o ódio”, diz o cartaz do ativista em protesto contra a Meta, realizado em abril de 2024 na frente da sede da companhia em Londres. Alinhamento dos discurso das big techs com o do presidente eleito Donald Trump estarreceu toda a comunidade global que estuda os efeitos deletérios do extremismo e da desinformação nas plataformas digitais.
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Em nome da “liberdade de expressão”, Mark Zuckerberg anunciou medidas que transformarão suas plataformas digitais em terreno ainda mais fértil para a contaminação do debate público por conteúdos de desinformação e de ódio
No campo político, a renovação da onda conservadora provocada pela vitória de Trump deixou bolsonaristas em êxtase. Mas as decisões fiscais e monetárias que a nova administração republicana deverá tomar podem provocar impactos custosos à economia brasileira.
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Guilherme Casarões, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Políticas protecionistas podem prejudicar as exportações de produtos industriais brasileiros, e aliança entre EUA e Argentina prejudicará os esforços do Brasil de integração da América do Sul
Manifestantes brasileiros protestam contra o Supremo Tribunal Federal e “agradecem a Elon Musk, dono do X (antigo Twiter): Brasil ocupa lugar privilegiado na rede transnacional de desinformação e manipulação a respeito de um suposto modelo de perseguição e autoritarismo, representado pelo STF.
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Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para a extrema-direita brasileira, a imagem consolidada de um “Brasil autoritário”, que baniu o X (antigo Twitter), serve como ferramenta de mobilização e legitimação, fortalecendo o movimento de anistia dos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)