O secretário de Estado Marco Rubio, cuja atuação desperta desconfianças no próprio Congresso Americano sobre possível interferência no processo eleitoral do Brasil: a tentativa de um país de influenciar a política interna de outro não é nenhuma novidade. A diferença é que as plataformas digitais agora oferecem uma velocidade e uma camuflagem inéditas para ações do tipo. E o alvo desses ataques não são máquinas, mas sim o próprio debate público, que é inundado por desinformações que corroem a confiança nas instituições democráticas e deformam a percepção dos cidadãos.
Imagem: AFP, via Folhapress
Pesquisas revelam que ameaça eleitoral não atinge somente urnas, mas também sequestra debate público, usando polarização para corroer confiança nas instituições democráticas
Com as eleições, país tem nova oportunidade de reforçar o setor da pesquisa, da tecnologiae e da inovação como base para responder aos desafios globais e fortalecer sua soberania.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Helena B. Nader, Academia Brasileira de Ciências (ABC); Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Com as eleições, país tem nova oportunidade de reforçar a pesquisa científica como base para responder aos desafios da atualidade e fortalecer sua soberania
Segundo a teoria do eleitor mediano, os partidos tendem a direcionar suas estratégias mais ao centro da distribuição ideológica do eleitorado, com o fim de construir maiorias. Na medida em que as campanhas tentam agradar o mesmo tipo de pessoa - o chamado eleitor mediano - as previsões sobre os resultados das eleições ficam mais difíceis.
Foto: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Matias López, Diego Portales University; Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Da mudança de discurso a alianças improváveis, a busca pelo voto ajuda a explicar por que candidatos se aproximam de posições inesperadas
Marine Le Pen, filha do ex-líder extremista Jean Marie Le Pen, no dia da confirmação de sua candidatura à presidência da França para as eleições de 2027: mais um poderoso infgrdiente no caldo extemista que se espalha pela Europa e pelas Américas.
Felipe Calabrez, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O que se observa hoje não é propriamente a retomada do tradicional populismo que é comum principalmente na América Latina, mas a apropriação seletiva de sua lógica pela extrema direita em todo o mundo
O atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que foi precedido por Arthur Lira (2021-2025) e Rodrigo Maia (2016-2021), todos políticos profissionais: a campanha antipolítica de 2018 mudou a composição da Câmara sem desfazer a sua hierarquia interna e a concentração de poder.
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Gabryela Gabriel, Universidade Federal do Paraná (UFPR) and Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Estudo mostra que a promessa de que a antipolítica varreria os políticos profissionais do ofício e devolveria a representação àqueles que combatiam “o sistema” não aconteceu na prática: o núcleo de parlamentares que ocupa cargos importantes no Legislativo continua o mesmo
Brasileira se aproxima de uma cabine de votação em Lisboa, nas eleições de 2022: é notável o crescimento do registro de eleitores brasileiros residentes no exterior nos últimos anos. Passou de 500.727 pessoas em 2018 para 697.078 em 2022 - um aumento de 39,21%. Para as eleições de 2026, a expectativaé de crescimento ainda maior.
Foto: Tribunal Superior Eleitoral
Teresa Cristina Schneider Marques, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Mais de 900 mil eleitores que vivem fora do país estarão aptos a votar. Com abstenção cada vez menor, as campanhas começam a disputar o voto de quem vive fora do país
Mulheres bolivianas reunem-se com governantes para debater leis de proteção contra violência política de gênero: a Bolívia foi o primeiro país do mundo a aprovar uma legislação específica sobre o tema, em 2012.
AP Photo/Juan Karita
Danielly Milano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP); Gabriela Kyrillos, Universidade Federal do Rio Grande (FURG), and Rosangela Schulz, Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
A violência política de gênero atinge ativistas, candidatas, detentoras de mandato, integrantes de suas equipes e até familiares. Levantamento cobriu todas as leis criadas sobre o tema na região entre 2012 e 2025
O presidente brasileiro Lula da Silva cumprimenta o presidente dos EUA, Donald Trump, na chegada à Casa Branca: viagem também tem uma segunda função, igualmente importante para Lula, já que cada ponto da agenda bilateral se relaciona diretamente com uma questão eleitoral interna.
Ricardo Stuckert/PR
A reunião bilateral entre os dois presidentes enviou um sinal claro ao público interno de Lula: a relação com Washington não está rompida e não precisa de um Bolsonaro para ser consertada
Dados da Quaest e uma pesquisa qualitativa do INCT-ReDem indicam que o grupo que rejeita os dois principais polos políticos não é homogêneo — e essa divisão pode influenciar o rumo da disputa presidencial
Trump e Bolsonaro em encontro na Casa Branca, em 2019: a atual onda populista que se manifesta no mundo inteiro (a quarta da história contemporânea) é marcada por uma polarização política, social e afetiva que se alimenta mais do “gostar ou não gostar” do outro do que de divergências ideológicas concretas. E as ferramentas desse processo são a radicalização e o uso intensivo das redes sociais.
Foto: Vanessa Carvalho / Brazil Photo Press / Folhapress
Uso crescente das redes sociais na política e lógica do engajamento algorítmico levam a uma política cada vez mais personalizada, recheada de memes, ironias e insultos
Os ‘Nem, Nem’ são majoritariamente adultos jovens (quase 40% têm entre 16 e 34 anos), apenas 32% têm curso superior, a maioria é de homens (52%) e quase 50% desse grupo pensa que a situação econômica hoje está pior do que antes. Não são radicalizados, mas nem por isso são ingênuos. Um terço deles (33,6%) vê tanto bolsonaristas quanto lulistas como ameaças sérias ao Brasil.
Fotos: Folhapress
Pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) indicou que 25% dos eleitores brasileiros podem estar indiferentes às duas maiores lideranças políticas nacionais
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que foi um dos entusiastas da PEC da Blindagem, hoje segue defendendo o PL da Anistia e é conhecido também por ser o autor da proposta de PL que proíbe o aborto mesmo em casos de estupro, discursa na frente do Congresso Nacional em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Boslonaro.
AP Photo/Eraldo Peres
A contradição entre a reprovação popular dos parlamentares e a reeleição é um dos temas examinados pela Ciência Política brasileira há quase 20 anos. As evidências sugerem que o voto em medidas impopulares não produz, necessariamente, derrota eleitoral.
O presidente do Senado, David Alcolumbre (à dir.), e o presidente da Câmara, Hugo Motta,durante cerimônia com o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin: em 2026, os destinos das candidaturas para o Senado terão mais influência na distribuição de poder no Brasil nos próximos anos do que a disputa majoritária para presidente.
Tradicionalmente visto como a segunda casa do Poder Legislativo, o Senado costuma receber menos atenção do que a Câmara dos Deputados. Mas para 2026, a possibilidade de renovação de dois terços da casa ganhou centralidade no embate entre os Poderes.
Luis Eduardo Tavares, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A emergência de riscos inéditos de intervenções externas, como um possível cenário eleitoral em 2026 dominado pela manipulação de vídeos de IA, evidencia que a política tecnológica é também disputa por soberania e justiça social
Manifestante durante o evento bolsonarista na Avenida Paulista: sempre marcado por traços de masculinismo e misoginia, os eventos mais recentes da direita usam um imaginário de religião, sacrifício e feminismo, por conta das mulheres presas pelos atos de 8 de janeiro, tidas como “mártires”.
AP Photo/Ettore Chiereguini
Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Álex Kalil, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Diante da inelegibilidade de Bolsonaro, da criminalização da [tentativa de golpe, da prisão de centenas de manifestantes e do afastamento dos militares, o campo bolsonarista precisou reorganizar sua gramática política
“Popcorn and ice cream sellers”: a mensagem em inglês do ex-presidente pareceu prosaica mas é fruto de narrativa bem construída para descredibilizar eventuais condenações por golpe de Estado e outros crimes no julgamento do STF.
AP Photo/Ettore Chiereguini
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Narrativa do ex-presidente deixou de focar na disputa eleitoral com Lula para colocar em dúvida legitimidade de seus julgadores e preparar terreno para descredibilizar eventuais sentenças condenatórias
Donald Trump em pose estudada de força e poder:
Kevin Dietsch/Getty Images
Embora a 22ª Emenda proíba Trump de ser eleito presidente novamente, ela não o proíbe de servir como presidente depois de 20 de janeiro de 2029. Um estudioso de política e história explica.
Estudo realizado por cientistas da USP mostra que quanto maior for a polarização de opiniões dentro de uma rede social, menor é o tempo necessário para que se forme um consenso - especialmente quando há um fator externo reforçando essa tendência.
Imagem de KNFind por Pixabay
Estudo realizado por cientistas da USP mostra que quanto maior for a polarização de opiniões dentro de uma rede social, menor é o tempo necessário para que se forme um consenso - especialmente quando há um fator externo reforçando essa tendência
O ex-presidente Jair Bolsonaro passa por trás de grades ao desembarcar ontem no Aeroporto Internacional de Brasilia, onde acompanhou parte das deliberações do STF que o tornaram réu por tentativa de golpe de Estado. Expectativa é de que o processo se desenvolva ao longo dos próximos meses e, em razão das eleições de 2026, é possível que seja concluído ainda este ano.
AP Photo/Luis Nova
Pela primeira vez na história do Brasil, um ex-presidente e oficiais de alta patente se tornam réus por crimes ligados a um golpe de Estado
As políticas baseada em estados de emergência do Equador já repercutem em toda a América do Sul. Se forem consideradas eficazes, provavelmente serão imitadas. Por outro lado, também estão sendo monitoradas pela sociedade civil e por ativistas de direitos humanos, que estão muito preocupados com a possibilidade de essas abordagens minarem as liberdades básicas dos indivíduos.
AP Photo/Dolores Ochoa)
No governo do presidente Daniel Noboa, as prisões foram declaradas “zonas de segurança” e estão sob controle direto da polícia e dos militares. Se for reeleito, Noboa promete seguir fazendo o mesmo, apesar dos problemas que esse tipo de política provoca