Articles on Ciência política

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Um dos cartazes da campanha à presidência de Portugal do deputado de extrema-direita André Ventura, em 2025, que continham provocações xenófobas e racistas. O deputado não venceu as eleições, mas seu partido, o Chega, pulou de apenas um representante no Parlamento Português em 2020 para 60 em 2026, e já é a segunda mairor bancada do país. Foto: Reprodução / Site do partido Chega

A direita à direita da direita: a crônica de um animal político imenso e global, mas ainda invisível para muitos

Parece impossível não ver ou não reconhecer a sua presença cada vez mais forte em diversos países – mas muita gente ainda nega a existência de um movimento globalmente articulado de ultradireita
Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil. Foto: Reprodução de TV

O ‘malandro’, a ‘mãe’ e o ‘infiel’: um estudo sobre como os antipetistas imaginam o PT

Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil.
Manifestação pela anistia dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023: candidatos mais à direita tendem a interpretar a anistia como um caminho para a impunidade, repetindo um erro que o país já cometeu no fim do regime militar. AP Photo/Eraldo Peres

Como os candidatos fazem diferentes usos políticos do passado no contexto eleitoral

as manifestações dos candidatos representam não apenas propostas antagônicas de país para os mandatos que iniciam em 2027, mas também visões divergentes sobre como podem ser encarados acontecimentos da dinâmica política brasileira dos últimos anos
Segundo a teoria do eleitor mediano, os partidos tendem a direcionar suas estratégias mais ao centro da distribuição ideológica do eleitorado, com o fim de construir maiorias. Na medida em que as campanhas tentam agradar o mesmo tipo de pessoa - o chamado eleitor mediano - as previsões sobre os resultados das eleições ficam mais difíceis. Foto: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Ciência política: o eleitor mediano realmente manda nas eleições?

Da mudança de discurso a alianças improváveis, a busca pelo voto ajuda a explicar por que candidatos se aproximam de posições inesperadas
Duas hipóteses podem explicar essa frieza: a primeira é que nem Lula nem Flávio Bolsonaro estão empolgando os eleitores. A segunda é que a campanha eleitoral migrou para as plataformas digitais, o que diminui o corpo a corpo, reduz o calor das improvisações nos comícios e desestimula o debate de ideias. O eleitor começa a se perguntar se o que vê nas redes é a realidade ou apenas uma seleção dos algoritmos. AP Photo/Silvia Isquierdo e André Penner

Eleições: campanha fria e digital aumenta incerteza sobre resultado das urnas

Cientista político que desenvolveu teoria sobre o presidencialismo de coalizão analisa os difíceis prognósticos para as eleições majoritárias deste ano e os riscos de seus resultados para a governabilidade e a democracia
Enquanto os índices de abstenção tendem a crescer entre os segmentos mais jovens, a população idosa dá demonstrações consistentes de disciplina cidadã. No Brasil, estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral apontam o crescimento sustentado do eleitorado com mais de 60 anos, que já ultrapassa 23% do total de inscritos. E como a expectativa de vida das mulheres é maior, elas são maioria absoluta na faixa de 60 anos ou mais em toda a América Latina e no Brasil. Esse predomínio numérico se traduz em um protagonismo político sem precedentes. Foto: Luiz Roberto/TSE

Eleições 2026: mulheres idosas tornam‑se força eleitoral emergente nas urnas

No Brasil e em grande parte da América Latina, eleitores maduros deixam de ser coadjuvantes e caminham para se tornar o fiel da balança eleitoral. Um fenômeno político que deve ser mais compreendido
O atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que foi precedido por Arthur Lira (2021-2025) e Rodrigo Maia (2016-2021), todos políticos profissionais: a campanha antipolítica de 2018 mudou a composição da Câmara sem desfazer a sua hierarquia interna e a concentração de poder. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Onda antipolítica de 2018 trocou quase metade da Câmara, mas manteve uma mesma elite em postos de poder

Estudo mostra que a promessa de que a antipolítica varreria os políticos profissionais do ofício e devolveria a representação àqueles que combatiam “o sistema” não aconteceu na prática: o núcleo de parlamentares que ocupa cargos importantes no Legislativo continua o mesmo
Manifestação antivacina em Manchester (Inglaterra) em dezembro de 2020: desigualdade econômica e dificuldades para pagar as contas são o terreno fértil onde discurso populista funciona como fertilizante, e a rejeição à medicina oficial é a erva daninha que brota como resultado. John B Hewitt/Shutterstock

O vírus da desconfiança: quando a recusa das vacinas se torna uma arma política

A recusa das vacinas não é apenas desinformação, é o sintoma de uma crise de confiança, e a ciência revela como o populismo explora esse medo para minar a saúde pública
Brasileira se aproxima de uma cabine de votação em Lisboa, nas eleições de 2022: é notável o crescimento do registro de eleitores brasileiros residentes no exterior nos últimos anos. Passou de 500.727 pessoas em 2018 para 697.078 em 2022 - um aumento de 39,21%. Para as eleições de 2026, a expectativaé de crescimento ainda maior. Foto: Tribunal Superior Eleitoral

Mora no exterior? Seu voto também importa

Mais de 900 mil eleitores que vivem fora do país estarão aptos a votar. Com abstenção cada vez menor, as campanhas começam a disputar o voto de quem vive fora do país
Corpos enfileirados após um suposto confronto que resultou na morte de dezenas de homens no complexo de favelas da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025: nos últimos 22 anos, houve 23.159 mortes provocadas por ações policiais no estado do Rio de Janeiro. Compreender o que sustenta os discursos que justificam essa violência policial letal é a base dos estudos sobre esse grave problema social. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Segurança pública: por que o discurso policial hegemônico é refratário aos direitos humanos?

O descompasso entre fatos e percepções nos casos de violência policial representa sério obstáculo à condução racional de políticas de segurança pública
Sede da Anvisa, em 2021: durante a pandemia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mesmo sob forte pressão política, teve um papel central nas decisões sobre vacinas, medicamentos e outras tecnologias de saúde. Já a Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología (ANMAT), da Argentina, também tinha capacidade técnica e reconhecimento internacional, mas sua maior dependência em relação ao Ministério da Saúde contribuiu para uma configuração mais fragmentada do sistema de assessoramento. AP Photo/Eraldo Peres

Como agências públicas protegem sua autoridade em tempos de crise? Lições do Brasil e da Argentina durante a pandemia

Pesquisa que compara a atuação das agências reguladoras de medicamentos dos dois países durante a pandemia de COVID-19
Mulheres bolivianas reunem-se com governantes para debater leis de proteção contra violência política de gênero: a Bolívia foi o primeiro país do mundo a aprovar uma legislação específica sobre o tema, em 2012. AP Photo/Juan Karita

Pesquisadoras brasileiras analisam 13 anos de avanços legais contra violência política de gênero na América Latina

A violência política de gênero atinge ativistas, candidatas, detentoras de mandato, integrantes de suas equipes e até familiares. Levantamento cobriu todas as leis criadas sobre o tema na região entre 2012 e 2025
Protestos em La Paz: caos social no país é resultado de diversos descontentamentos que, no campo popular, têm como inimigo comum o presidente Rodrigo Paz. AP Photo /Juan Karita

Da cisão do MAS aos protestos contra Paz: para onde caminha a crise na Bolívia?

Contudo, mesmo em meio às divisões recentes, um elemento atravessa os diferentes setores mobilizados: a construção de Rodrigo Paz como novo inimigo comum do campo popular
Manifestantes contra a vacina confrontam vereadores na Câmara Municipal de Porto Alegre, durante votação do passaporte sanitário, em 2021: padrão de comportamento identificado pela pesquisa sugere que as pessoas não rejeitavam a vacina por avaliarem evidências científicas de forma independente, mas tomavam atitudes com base em intuição e lealdade política. E depois buscavam argumentos para justificá-las. Foto: Elson Sempé Pedroso / CMPA

Estudo analisa como a lealdade política a Bolsonaro afastou brasileiros da vacina contra a COVID

Eleitores que declararam só votar em Bolsonaro, rejeitando outros candidatos, mesmo os alinhados à direita, apresentaram uma taxa de vacinação de 65%. Entre aqueles dispostos a considerar outras opções dentro do campo conservador, a taxa de vacinação subia para 71%
Inversão de sentidos: se nas eleições de 2022 a esquerda soube convencer uma franja do eleitorado de que a reeleição de Jair Bolsonaro representava riscos à manutenção do regime, agora é o campo da direita — em especial a base bolsonarista — que denuncia os que “atentaram”, na visão desse segmento, contra a democracia. Foto: Roque de Sá / Agência Senado

Mapeamento mostra os diferentes significados dados à palavra ‘democracia’ na Câmara dos Deputados

Foram analisados mais de quatro mil discursos realizados noplenário e nas comissões entre 2023 e 2026
Cartazes com o rosto de Elon Musk (em primeiro plano), Donald Trump e o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, caracterizados de oficiais da Alemanha hitlerista durante um protesto em Nova York: com a revolução digital, a lógica autoritária de exclusão da crítica e de centralização da palavra não desapareceu. Apenas trocou de roupa. AP Photo/Andres Kudacki

Análise: como o capitalismo digital e o tecnofascismo estão reproduzindo antigas estruturas de dominação

Você já ouviu falar em tecnofascismo? O termo descreve uma forma contemporânea de dominação que opera por meio de plataformas e algoritmos. No Brasil, esse processo se intensifica ao se articular com racismo, patriarcalismo e heranças escravistas
Bolsonaristas em manifestação nas ruas: estudos procuram entender se o fenômeno se consolidou ou não como um movimento de extrema direita no Brasil, e trazer pistas sobre se o projeto político associado a Jair Bolsonaro tem forças para sobreviver às suas próprias derrotas eleitorais e na Justiça.

A criatura além do criador: a existência do bolsonarismo para muito além de Jair Bolsonaro

Pesquisadores de Ciência Política procuram entender se o bolsonarismo se consolidou ou não como um movimento de extrema direita no Brasil, e trazer pistas sobre se o projeto político associado a Bolsonaro tem forças para sobreviver às suas próprias derrotas eleitorais
Lula e Petro: em perspectiva comparada, Brasil e Colômbia compartilham dilemas típicos de democracias presidenciais latino-americanas em ciclos de polarização. Eles incluem grande dificuldade de governabilidade, presença de atores com capacidade de imobilizar seus governos, fragilidade de consensos mínimos e intensificação da disputa simbólica. Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República

Entenda as semelhanças entre os cenários eleitorais no Brasil e na Colômbia

Em 2026, Brasil e Colômbia viverão eleições presidenciais sob condições políticas que combinam aumento da polarização, fortalecimento de forças conservadoras e tensões institucionais, com crises entre os diferentes poderes
Na obra do pintor Theodore Chasseriau, um retrato da cena do banquete em que Macbeth conversa com o fantasma de seu amigo Banquo: assim como o protagonista atormentado da obra-prima de Shakespeare, a classe política brasileira insiste em conversar com um centro ideológico que não existe mais. Reprodução / Wikipedia

O fantasma de Banquo no banquete de Macbeth: conversando com um centro que morreu na política brasileira

A ideia de que, em meio aos extremismos, sempre haverá um centro moderado, equilibrado, capaz de construir pontes entre esquerda e direita, é hoje uma fantasia na política brasileira. Esse centro não existe mais
Manifestante durante o evento bolsonarista na Avenida Paulista: sempre marcado por traços de masculinismo e misoginia, os eventos mais recentes da direita usam um imaginário de religião, sacrifício e feminismo, por conta das mulheres presas pelos atos de 8 de janeiro, tidas como “mártires”. AP Photo/Ettore Chiereguini

Ato em São Paulo revela virada estética, afetiva e política do bolsonarismo pós 8 de janeiro

Diante da inelegibilidade de Bolsonaro, da criminalização da [tentativa de golpe, da prisão de centenas de manifestantes e do afastamento dos militares, o campo bolsonarista precisou reorganizar sua gramática política

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