Marine Le Pen, filha do ex-líder extremista Jean Marie Le Pen, no dia da confirmação de sua candidatura à presidência da França para as eleições de 2027: mais um poderoso infgrdiente no caldo extemista que se espalha pela Europa e pelas Américas.
Felipe Calabrez, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O que se observa hoje não é propriamente a retomada do tradicional populismo que é comum principalmente na América Latina, mas a apropriação seletiva de sua lógica pela extrema direita em todo o mundo
A invasão do Congresso Nacional, em 8 de janeiro de 2023: o sentimento de frustração e falta de pertencimento que estimula esse comportamento é semelhante ao que motiva atitudes misóginas.
AP Photo/Eraldo Peres
Entender esse processo não é desculpar o comportamento: é reconhecer que, para desarmá-lo, será preciso ir além da verificação de fatos e chegar à raiz do sentimento de exclusão coletiva que o sustenta
à resposta à pergunta acima deveria ser: a todos. Mas desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, vestir a camisa amarela da seleção brasileira ou sair às ruas coma bandeira nacional tornou-se equivalente a declarar posição ideológica alinhada a um grupo que, na prática, usa estes símbolos para legitimar projetos de poder político e eleitoral.
Às vésperas de mais uma campanha eleitoral, grupos políticos antagoônicos voltam a reivindicar para si as cores da bandeira brasileira
Red pill, black pill, Incel… Termos que designam o comportamento de grupos de homens extremistas que odeiam mulheres se normalizam nas redes digitais e ajudam a atrair cada vez mais jovens para comportamentos misóginos radicais, expondo ainda mais estas mulheres à violência de gênero.
Foto: Envato
É preciso impedir que a radicalização misógina, surgida inicialmente às margens do machismo hegemônico preexistente, torne-se uma nova norma massificada para a banalização da violência contra as mulheres no Brasil
Moradora de Minneapolis tem a porta de casa arrombada por agentes do ICE, que no dia 11 de janeiro levaram seu marido, um imigrante da Libéria em situação regular nos EUA, para um presídio em El Paso, Texas: dependendo da região em que moram no estado de Minnesota, imigrantes africanos, brasileiros e latinos em geral vivem experiências mais ou menos aterrorizantes na caçada aleatória dos agentes federais a estrangeiros e suas famílias.
AP Photo / John Locher
As operações dos agentes de imigração têm mudado a rotina em muitos lugares nas Twin Cities (a região metropolitana de Minneapolis e Saint Paul) e em outras cidades pelos estado
“Ocupação militar”: agentes federais prendem uma moradora de Minneapolis no último dia 13 de janeiro de 2026, próximo de onde Renee Good foi baleada: mesmo depois das evidências de assassinato, governo envia mais policiais e soldados a Minnesota, escalando a intensidade dos protestos e a represssão nas ruas.
AP Photo / Adam Gray
Brasileiro professor de ciência política em Minnesota e integrante de grupos que monitoram ações do ICE explica os fatos que levaram à escalada de violência de forças do governo federal contra moradores
Trump e Bolsonaro em encontro na Casa Branca, em 2019: a atual onda populista que se manifesta no mundo inteiro (a quarta da história contemporânea) é marcada por uma polarização política, social e afetiva que se alimenta mais do “gostar ou não gostar” do outro do que de divergências ideológicas concretas. E as ferramentas desse processo são a radicalização e o uso intensivo das redes sociais.
Foto: Vanessa Carvalho / Brazil Photo Press / Folhapress
Uso crescente das redes sociais na política e lógica do engajamento algorítmico levam a uma política cada vez mais personalizada, recheada de memes, ironias e insultos
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que foi um dos entusiastas da PEC da Blindagem, hoje segue defendendo o PL da Anistia e é conhecido também por ser o autor da proposta de PL que proíbe o aborto mesmo em casos de estupro, discursa na frente do Congresso Nacional em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Boslonaro.
AP Photo/Eraldo Peres
A contradição entre a reprovação popular dos parlamentares e a reeleição é um dos temas examinados pela Ciência Política brasileira há quase 20 anos. As evidências sugerem que o voto em medidas impopulares não produz, necessariamente, derrota eleitoral.
A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tomada por manifestantes contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia: a aprovação maciça de ambas as propostas na Câmara suscitou protestos em todo o país,mas não deve se repetir no Senado. Estudo produzido pelo programa de pós-doutorado do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) esmiuçou a distribuição ideológica entre os votos e os partidos.
No campo da extrema-direita, a proporção de votos favoráveis à PEC da Blindagem foi de 100%, uma distribuição exatamente inversa entre os partidos de extrema-esquerda, com 100% dos votos contra a medida
Num contexto de desinformação e fake news produzidas nas sombras, o discurso de censura e perseguição contra extremistas como Jair Bolsonaro começa a fazer sentido para parte da opinião pública. Recente pesquisa do Datafolha, divulgada dias antes da ocupação do Congresso por políticos de extrema-direita, mostrou que 45% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente está sendo perseguido e injustiçado.
AP Photo/ Luis Nova
Em um contexto de desinformação, o discurso de censura e perseguição começa a fazer sentido, minando as instituições democráticas e favorecendo forças políticas interessadas em tomar poder sem respeito às normas do Estado de Direito.
Corrida ao fundo do poço: o controle cada vez maior e danoso das redes sociais sobre o comportamento humano é culpa das pessoas ou dos algoritmos? A verdade está em algum lugar mais complexo, no meio do caminho.
Ilustração: Envato Labs
A radicalização induzida pelos algoritmos já faz a vida digital controlar a vida real. A retomada do controle dos nossos territórios existenciais é essencial para construir infraestruturas digitais capazes de proteger as democracias de decisões inimputáveis de Big Techs e seus aliados autocráticos
O “8 de janeiro de paletó”: para libertar a democracia brasileira do cativeiro representado pela invasão da mesa diretora da Câmara, os extremistas exigiram impunidade total para si e seus aliados, além da punição a quem ousou investigá-los, julgá-los e condená-los.
Foto Agência Brasil / José Cruz
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Episódio desnudou a essência do fazer político da extrema-direita antidemocrática global na última década: sequestrar a democracia, fechar o regime e instaurar projeto autocrático, iliberal e populista.
As redes sociais coletam dados da nossa navegação como intuito principal de refinar um perfil comercializável de cada um de nós. Quem está nesses bancos de dados nem faz ideia que está sendo comercializado como produto.
Foto: Envato Labs
Marcelo Soares, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Os algoritmos coletam informações que você nunca daria, fazem inferências sobre seu perfil, moldam seu gosto e selecionam o que você vê
Na última Marcha para Jesus, em São Paulo, faixas que mesclam as bandeiras de Brasil e Israel com o Leão de Judá, símbolo do sionismo, eram numerosas na multidão presente ao evento evangélico.
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
Para muitos evangélicos, o Estado de Israel é mais do que uma nação: é o cenário do retorno messiânico. Mas essa defesa não se baseia em uma aproximação com o judaísmo como religião, e sim em uma leitura específica da Bíblia que instrumentaliza Israel como peça-chave de um futuro apocalíptico
A suntuosa parada militar que celebrou o 250º aniversário do exército americano e os 79 anos do presidente Trump: parte da opinião pública classificou o evento como anti-americano e antidemocrático, porém a cultura militarizada está presente desde sempre na história do país.
AP Photo/Julia Demaree Nikhinson
Redes sociais surgiram para aproximar usuários, facilitar a comunicação e acesso à informação, mas acabaram ampliando a ansiedade e depressão e se transformaram em terrcampos de batalha para conflitos, fake news e amplificadoras de discursos de ódio
Incongruências do discurso que nega os efeitos das mudanças climáticas e refletem um radicalismo que se afasta cada vez mais do conservadorismo tradicional
Manifestantes destroem um carro da Tesla, fábrica de automóveis elétricos do magnata Elon Musk, que também é dono da rede social X, consultor do governo Trump e um dos mais poderosos defensores desregulamentação das redes sociais baseada no argumento de que qualquer forma de controle sobre elas é censura.
AP Photo/Kirsty Wigglesworth
Defensores da desregulamentação, liderados pelas bilionárias Big Techs, propagam a falsa ideia de que controlar as redes sociais é censura, e usam conceitos falsos de liberdade para ampliar lucros
O mega show de Lady Gaga na Praia de Copacabana: a investigação da polícia que frustrou um ataque ao público do evento revelou que o atentado era tratado como um “desafio coletivo”, com jovens sendo recrutados para fabricar coquetéis molotov e mochilas explosivas com o objetivo de obter notoriedade nas redes sociais.
AP Photo/Bruna Prado
David Nemer, University of Virginia and Arthur Coelho Bezerra, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Em vez de promoverem diversidade, muitas das redes sociais e outras plataformas digitais populares funcionam como máquinas de produção e circulação de ódio entre jovens, com mulheres e minorias entre seus principais alvos
O ditador Viktor Orbán, com seu slogan “Make Europe Great Again”, e o presidente dos EUA Donald Trump: governo da terra da democracia está aplicando cada vez mais os ensinamentos do manual de autocracia do presidente da Hungria que se perpetua há 15 anos no poder.
Fotos de Paul White e Evan Vucci (AP Photo)
Como a supressão da liberdade de expressão e o amordaçamento da imprensa, estratégias autoritárias de controle social típicas do ditador húngaro Viktor Orbán, estão sendo aplicadas de forma semelhante pelo governo Trump
Doutorando do Programa Interinstitucional (UNESP/Unicamp/PUC-SP) em Relações Internacionais San tiago Dantas e do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional, Universidade Estadual Paulista (Unesp)