No debate eleitoral brasileiro, propostas fiscais frequentemente ficam presas a uma falsa escolha entre “cortar gastos” (pelo lado da direita) e “gastar mais” (pelo lado da esquerda). Essa simplificação pouco contribui para entender a sustentabilidade das contas públicas.
No debate eleitoral brasileiro, propostas fiscais frequentemente ficam presas a uma falsa escolha entre “cortar gastos” (pelo lado da direita) e “gastar mais” (pelo lado da esquerda). Essa simplificação pouco contribui para entender a sustentabilidade das contas públicas
As redes sociais não criaram o espaço democrático que se esperava para disputas eleitorai.. Pelo contrário, pesquisa realizada pelo autor mostra que candidatos homens que já detinham maior capital e eram da classe política foram aqueles cujas campanhas digitais ganharam maior engajamento. Candidatos com poucos recursos eleitorais estiveram ausentes das redes ou receberam engajamento significativamente menor.
Imagem: Envato
Estudo demonstra que as redes sociais reproduzem formas históricas de desigualdade e exclusão. E esse quadro pode piorar com as novas políticas de moderação de conteúdo da Meta, que permitiram maior circulação de conteúdo político em suas plataformas
Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil.
Foto: Reprodução de TV
Mariana Chaise, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil.
Bispo carrega imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e pivô da mais recente polêmica eleitoral nesta campanha de 2026: gramática cultural dominante no Brasil, a religião, mais do que uma simples expressão de fé individual, opera na política como um registro sociolinguístico de ordem e autoridade.
AP Photo/Joedson Alves
No Brasil, a religião é a gramática cultural dominante. Mais do que uma simples expressão de fé individual, a religião opera na política como um registro sociolinguístico de ordem e autoridade
Chuva sobre a cúpula da Câmara dos Deputados, na Praça dos Três Poderes: excesso de foco dos eleitores e da mídia na eleição presidencial prejudica a noção de que a responsabilidade para com a estabilidade política e econômica do Brasil é dividida igualmente entre Executivo e Legislativo, com mediação do Judiciário - o que torna as eleições para o Congresso tão ou mais importantes do que para o Palácio do Planalto.
Eurico Zimbres / Wikimedia Commons
A mudança vai depender de propostas claras e de cidadãos que continuem cobrando resultados depois da eleição. Transformar o Brasil exige instituições que funcionem e uma participação que não termine na urna
Da ciência depende nossa prosperidade, individual e coletiva. Então, a questão que paira na véspera das eleições é: qual candidato nosso é mais favorável à ciência? Imagem: TRE-MT.jus.
Artigo traz reflexões sobre ciência nas eleições 2026.
Curtidas, buscas e outros sinais de comportamento alimentam sistemas influenciam o disparo de conteúdos. A Justiça Eleitoral pode regular propaganda, mas é difícil é auditar como dados e decisões automatizadas circulam entre plataformas, provedores de nuvem e data centers em diferentes países. Foto: Envato.
Fabiano Couto Corrêa da Silva, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Curtidas, buscas e outros sinais de comportamento alimentam sistemas influenciam o disparo de conteúdos. A Justiça Eleitoral pode regular propaganda, mas é difícil é auditar como dados e decisões automatizadas circulam entre plataformas, provedores de nuvem e data centers em diferentes países
Manifestação pela anistia dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023: candidatos mais à direita tendem a interpretar a anistia como um caminho para a impunidade, repetindo um erro que o país já cometeu no fim do regime militar.
AP Photo/Eraldo Peres
Carlos Artur Gallo, Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
as manifestações dos candidatos representam não apenas propostas antagônicas de país para os mandatos que iniciam em 2027, mas também visões divergentes sobre como podem ser encarados acontecimentos da dinâmica política brasileira dos últimos anos
A pergunta não é só quem vencerá em outubro, mas o quanto o vencedor conseguirá alterar tendências já consolidadas. A dependência comercial da China, a busca por parceiros alternativos de defesa e o protagonismo do Brasil no Sul Global são condições estruturais, não escolhas ideológicas passageiras.
Foto: Xenïa Antunes / Wikipedia
Alberto Maresca, Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP); Fundação Getulio Vargas (FGV); United Nations University; Universidade de São Paulo (USP)
A pergunta não é só quem vencerá em outubro, mas o quanto o vencedor conseguirá alterar tendências já consolidadas. A dependência comercial da China, a busca por parceiros alternativos de defesa e o protagonismo do Brasil no Sul Global são condições estruturais, não escolhas ideológicas passageiras
Estudo do Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade identificou 98 promessas relacionadas a tecnologia, IA, Ciência, educação digital ou soberania tecnológica nas plataformas de governo dos seis principais candidatos. O que distingue as propostas é a combinação entre o tamanho das agendas, a capacidade de execução, a proteção de direitos digitais e as dependências tecnológicas que o país pretende reduzir.
Montagem fotográfica / TCBrasil
Estudo identificou as promessas relacionadas a tecnologia, inteligência artificial, ciência, educação digital ou soberania tecnológica nas plataformas de governo dos seis principais candidatos
Segundo a teoria do eleitor mediano, os partidos tendem a direcionar suas estratégias mais ao centro da distribuição ideológica do eleitorado, com o fim de construir maiorias. Na medida em que as campanhas tentam agradar o mesmo tipo de pessoa - o chamado eleitor mediano - as previsões sobre os resultados das eleições ficam mais difíceis.
Foto: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Matias López, Diego Portales University; Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Da mudança de discurso a alianças improváveis, a busca pelo voto ajuda a explicar por que candidatos se aproximam de posições inesperadas
Duas hipóteses podem explicar essa frieza: a primeira é que nem Lula nem Flávio Bolsonaro estão empolgando os eleitores. A segunda é que a campanha eleitoral migrou para as plataformas digitais, o que diminui o corpo a corpo, reduz o calor das improvisações nos comícios e desestimula o debate de ideias. O eleitor começa a se perguntar se o que vê nas redes é a realidade ou apenas uma seleção dos algoritmos.
AP Photo/Silvia Isquierdo e André Penner
Cientista político que desenvolveu teoria sobre o presidencialismo de coalizão analisa os difíceis prognósticos para as eleições majoritárias deste ano e os riscos de seus resultados para a governabilidade e a democracia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nas Nações Unidas: movimentos políticos brasileiros, tanto de esquerda quanto de direita, disputaram a liderança nacionalista ao longo do século XX atribuindo significados muito diferentes a conceitos como soberania e interesse nacional.
Chip Somodevilla/Getty Images
A disputa entre o presidente em exercício e Flávio Bolsonaro faz parte de uma divisão entre a direita e a esquerda em torno do significado da Nação que vem de décadas no país
Enquanto os índices de abstenção tendem a crescer entre os segmentos mais jovens, a população idosa dá demonstrações consistentes de disciplina cidadã. No Brasil, estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral apontam o crescimento sustentado do eleitorado com mais de 60 anos, que já ultrapassa 23% do total de inscritos. E como a expectativa de vida das mulheres é maior, elas são maioria absoluta na faixa de 60 anos ou mais em toda a América Latina e no Brasil. Esse predomínio numérico se traduz em um protagonismo político sem precedentes.
Foto: Luiz Roberto/TSE
Silvia Lilian Ferro, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
No Brasil e em grande parte da América Latina, eleitores maduros deixam de ser coadjuvantes e caminham para se tornar o fiel da balança eleitoral. Um fenômeno político que deve ser mais compreendido
Incêndio em terras indígenas no Tocantins, em maio de 2026: apesar dos evidentes efeitos do aquecimento global e do super El Niño, dos 13 planos de governo disponibilizados por candidatos à presidência ao TSE este ano, seis não citam em nenhum momento a palavra “natureza”. Destes, em dois a expressão “meio ambiente” também está ausente.
Tema fundamental para nosso futuro, ambiente não é sequer mencionado em vários dos programas de governos dos candidatos à presidência nessa eleição
O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, discursa durante o último Congresso Pan-Americano, em Montevidéu: criado em 2024 em Bogotá e repetido em 2025 no México, o fórum busca um diálogo mais equilibrado entre norte e sul, num momento em que a direita ocupa a maior parte dos governos democráticos das Américas.
Foto: Divulgação /Congresso Pan-Americano
O encontro uruguaio enfatizou a democracia, teve mulheres à frente da organização e debateu o trabalho de cuidado, a regulação das grandes empresas de tecnologia e uma política industrial verde
Em março de 2026, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), atual candidato à Câmara dos Deputados, montou uma tenda no campus da USP e, cercado de câmeras, fez discursos inflamados contra o aborto e sobre outros temas de sua pauta eleitoral, gerando confusão, feridos e grande repercussão na mídia. Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais.
Álex Kalil, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais
O atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que foi precedido por Arthur Lira (2021-2025) e Rodrigo Maia (2016-2021), todos políticos profissionais: a campanha antipolítica de 2018 mudou a composição da Câmara sem desfazer a sua hierarquia interna e a concentração de poder.
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Gabryela Gabriel, Universidade Federal do Paraná (UFPR) and Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Estudo mostra que a promessa de que a antipolítica varreria os políticos profissionais do ofício e devolveria a representação àqueles que combatiam “o sistema” não aconteceu na prática: o núcleo de parlamentares que ocupa cargos importantes no Legislativo continua o mesmo
Negativização eleitoral: na mensuração dos afetos políticos, aumenta a indiferença.
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Jairo Pimentel, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Também cresceu o número de eleitores que rejeitam um dos campos ideológicos sem mostrar vínculo positivo com o outro. O que sugere que a rejeição ganhou peso próprio e também passou a organizar a relação dos cidadãos com a política
Brasileira se aproxima de uma cabine de votação em Lisboa, nas eleições de 2022: é notável o crescimento do registro de eleitores brasileiros residentes no exterior nos últimos anos. Passou de 500.727 pessoas em 2018 para 697.078 em 2022 - um aumento de 39,21%. Para as eleições de 2026, a expectativaé de crescimento ainda maior.
Foto: Tribunal Superior Eleitoral
Teresa Cristina Schneider Marques, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Mais de 900 mil eleitores que vivem fora do país estarão aptos a votar. Com abstenção cada vez menor, as campanhas começam a disputar o voto de quem vive fora do país
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)