Ensinar IA a todos democratiza o acesso ao conhecimento, preparando alunos para serem protagonistas — e não apenas consumidores — da inovação.
Ilustração: Getty Images
Se não prepararmos as novas gerações para dialogar, competir e colaborar nesse campo, aprofundaremos o atraso educacional e tecnológico do Brasil
A biomédica Helena Nader, o climatologista Carlos Nobre e a física da Marcia Barbosa: três exemplos raros de grandes cientistas brasileiros formados num país ainda às voltas com poucos investimentos em inovação.
Fotos de Eduardo Knapp (Folhapress), Tiziana Fabi (AFP) e divulgação do Prêmio UNESCO Women in Science
Embora os brasileiros reconheçam a importância da ciência e da tecnologia, a maioria de nós não consegue lembrar os nomes dos nossos cientistas e instituições de pesquisa mais importantes
Reunião entre estudantes indígenas na Maloca (Centro de Convivência Multicultural dos Povos Indígenas da Universidade de Brasília) um dos pontos pioneiros de integração entre o conhecimento acadêmico e os saberes dos povos originários no Brasil: a educação escolar indígena, que já foi um instrumento para o genocídio dos povos, hoje é ferramenta para o trânsito das pessoas por diversos campos de saberes.
oto: Gabriela Biló/Folhapress
Eliel Benites, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
A educação escolar indígena, que já foi um instrumento para o genocídio dos povos, hoje é ferramenta para a construção de espaços que permitam o trânsito das pessoas por diversos campos de saberes
As crianças participantes do estudo cometeram menos erros ao realizar tarefas ouvindo música de fundo. O tempo de reação dos jovens, no entanto, não mudou significativamente. Isso sugere que a música não melhora diretamente a capacidade atencional, mas pode criar um ambiente mais propício para o foco e a persistência.
Cerca de 5% da população mundial sofre com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade e a música pode ajudar a minimizar os impactos do problema sobre o desempenho escolar dos jovens pacientes
O derretimento das camadas de gelo da Antártica (foto), a redução a camada florestal da Amazônia e as mudanças na circulação oceânica estão entre os “tipping points” que, uma vez ultrapassados, geram efeitos em cascata que resultarão na perda significativa da biodiversidade em diferentes escalas, na elevação do nível do mar, em secas prolongadas e alterações severas nos padrões de chuvas e temperatura.
AP Photo/Natacha Pisarenko
Thalison Correa, Rede Amazônidas pelo Clima (RAC) and Tâmara Lima, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Ainda negligenciada nas políticas climáticas globais, só ela é capaz de formar cidadãos mais conscientes e capazes de desenvolver soluções para um futuro sustentável
O jovem ator Amari Bacchus, da série Adolescência, interpreta um estudante que explica para o pai policial o papel das redes sociais e do uso de smartphones num caso de assassinato envolvendo colegas de escola: exemplo extremo da ficção que mostra como, na vida real, a hiperconectividade pode gerar ansiedade e afetar seriamente a saúde mental de pessoas com a personalidade em formação.
Foto: Divulgação Netflix
As novas tecnologias digitais, especialmente os smartphones, produzem um estado de conexão e alerta permanente que está diretamente ligado ao agravamento da ansiedade e ao prejuízo da saúde mental.
Fachada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que reserva 45% de suas vagas para candidatos de baixa renda e minorias: as instituições brasileiras de ensino superior enfrentam o difícil compromisso de expandir o acesso para estudantes desfavorecidos sem reduzir o valor de seus diplomas.
Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress
As universidades de elite brasileiras enfrentam o difícil compromisso de expandir o acesso para estudantes desfavorecidos sem reduzir o valor de seus diplomas
Caso de sucesso em campanha por saúde auditiva aponta caminhos e mostra que essa parceria gera bons resultados.
Fachada da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco: na 86ª posição do ranking mais conceituado do mundo, a Universidade de São Paulo é a brasileira melhor colocada na avaliação de instituições de ensino superior dos países da OCDE. Diferenças nos modelos de investimento, contudo, tornam injusta a comparação direta da eduçacão brasileira com a dos países mais ricos do mundo.
Eduardo Knapp/Folhapress
A percepção de que a baixa posição das universidades públicas do Brasil no rankings internacionais seria um sinal de que se gasta muito e mal com ensino público no Brasil é uma grande falácia
O programa Pé-de-Meia oferece incentivo financeiro-educacional a estudantes matriculados no ensino médio público que sejam beneficiários do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Mas como, em média, 4,3% dos brasileiros de 6 a 14 anos estão fora da escola, apenas garantir incentivo financeiro aos estudantes que já estão matriculados pode ser insuficiente para efetivamente promover a inclusão educacional que o programa propõe.
Gabriela Biló/Folhapress
Em média, 4,3% dos brasileiros de 6 a 14 anos estão fora da escola. Neste sentido, garantir incentivo financeiro aos estudantes que já estão na escola pode ser insuficiente para efetivamente promover a inclusão educacional que o programa propõe.
Um estudante caminha para a escola em uma rua inundada pela subida do Rio Negro em Iranduba, Amazonas. Atualmente, mais de 700 escolas brasileiras estão em área de risco hidrológico, e outras 1.700 em áreas de risco geológico. Cerca de 75% delas pertencem ao sistema público.
AP Photo/Edmar Barros
Mais de 700 escolas brasileiras estão em área de risco hidrológico, 75% delas pertencentes ao sistema público, enquanto mais de 1.700 escolas se localizam em áreas mapeadas como de risco geológico
O número de estudos publicados globalmente aumentou exponencialmente nas últimas décadas, graças à participação fundamental das universidades e instituições de ensino superior.
AP Photo/Frank Augstein, file
Não se deixe enganar pela imagem de um cientista louco isolado em seu laboratório no porão. A ciência é um empreendimento colaborativo, e as equipes internacionais contribuíram para um enorme aumento na produção científica.
Detalhe da fachada do Palácio Universitário, sede do Campus da Praia Vermelha da UFRJ, que preserva o antigo antigo nome da instituição, chamada Universidade do Brasil até 1968: apesar da grande produção de conhecimento, universidade brasileira precisa ampliar seu papel no desenvolvimento social, econômico e ambiental do país, segundo os autores.
Foto: Artur Moês (SGCOM/UFRJ)
Movimento Reforma Universitária defende a criação de Centros de Formação em Áreas Estratégicas, que atuariam em projetos práticos em parceria com a indústria e a iniciativa privada
Professores universitários protestam em frente ao Ministério da Educação, contra cortes orçamentários no ensino superior federal: a ideia de que a grande maioria dos estudantes das universidades federais são egressos de classes sociais mais abastadas, e que por isso poderiam pagar mensalidades, é inteiramente falsa.
AP Photo/Eraldo Peres
A ideia de que a grande maioria dos estudantes das universidades federais são egressos de classes sociais mais abastadas é falsa
Estudante sueco em sala de aula com headfone no ouvido e livro na mão: preocupado com o uso desenfreado de ferramentas digitais no universo escolar, um dos melhores sistemas de ensino do mundo está estimulando a volta dos livros e da leitura às escolas.
AP Photo/David Keyton
Katya Braghini, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Novas tecnologias digitais vieram para ficar mas não eliminam os livros como ferramentas primoridais para o ensino. O governo sueco, um dos países mais avançados do mundo no setor, acaba de descobrir isso
Mais do que identificar se um estado melhorou de posição por ter aumentado sua média, o IDEB é oportunidade para se levantar os motivos que levaram algumas escolas a obterem melhores resultados. E com isso, inspirar outras a também melhorarem os seus.
AP Photo / Marcelo Sayão (Arquivo)
Gustavo Borba, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
Mais do que identificar se um estado melhorou de posição por ter aumentado sua média, o IDEB é oportunidade para avaliar os motivos que levam algumas escolas a obterem melhores resultados. E com isso, inspirar outras a também melhorarem os seus.
Estudante em protesto a favor da Educação Pública, ocorrido em julho de 2024 em Curitiba: visão excludente da Educação por parte da classe política e das elites econômicas pode ser uma das causas do flagrante desinteresse de diferentes esferas do poder público em cumprir as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE).
Foto de Giuliano Gomes/PR Press/Folhapress
O PNE foi criado com 20 metas destinadas a democratizar o acesso à educação, melhorar a qualidade do ensino e fortalecer a infraestrutura educacional do país. Mas só quatro foram cumpridas.
Pequena estudante desenha durante aula de artes em escola pública no Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro: Investimento adequado pode não ser o único fator para melhorar a educação pública, mas aporte de menos de 4% do PIB dificulta muito o caminho.
AP Photo/Silvia Izquierdo
Investimento adequado pode não ser o único fator para melhorar a educação pública, mas aporte de menos de 4% do PIB dificulta muito o caminho
Escola Municipal Olívia dos Santos Feierabend, no interior de SP, que mesmo com poucos recursos tem bons rendimentos nas suas avaliações regulares: ensinos básico e superior fazem parte de uma mesma corrente de conhecimento, e não devem ser vistos como antagonistas.
Rafael Hupsel/Folhapress
Antagonismo entre ensinos superior e básico preconizada por muito tempo pelo Banco Mundial é artificial e destrutivo, e um não pode ser ser priorizado em detrimento do outro.
Estudante do ensino médio em Hong Kong na saída de um teste de desempenho: investimentos dos países do sudeste asiático comprovam a conexão direta entre gastos com educação e melhoria da qualidade do ensino.
AP Photo/Kin Cheung
Percepção de que mais investimentos não influi no desempenho dos estudantes surgiu nos Estados Unidos e influenciou brasileiros. A experiência de países como Singapura e China (foto) derruba o mito
Pesquisadora principal do Laboratório de Estratégia, Governança e Filantropia para Transições Sustentáveis, Instituto Pensi/Fundação José Luiz Setúbal (FJLS)
Prof. de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Feac/Ufal), diretor presidente, Fundação Alagoana de Amparo à Pesquisa (Fapeal)
Professora Associada no Departamento de Cognição e Desenvolvimento, no Instituto de Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social (mestrado e doutorado), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)