Pedagogo realiza atividades com alunos especiais em projeto de educação inclusiva numa escola da rede estadual de ensino de São Paulo: levantamento do Instituto Pensi feito em todo o Brasil mostra o descompasso entre o que está na lei e o que acontece nas salas de aula. Na prática, 45,5% dos alunos que precisam de atendimento especial estão em escolas que não oferecem esse recurso.
Foto: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
Apoio pedagógico necessário para remover as barreiras de aprendizagem e participação de crianças e jovens com deficiência, que estejam no espectro autista ou possuam altas habilidades ainda é muito aquém do necessário
Além do problema gravíssimo causado pela falta de orientação adequada para lidar com os perigos do universo online, que incluem assédio sexual e violência psicológica, a vida escolar também é diretamente afetada pelo uso inadequado de dispositivos digitais. A OCDE indica que alunos constantemente distraídos por celulares têm desempenho acadêmico significativamente inferior, principalmente em Matemática.
Imagem: Envato
Atualmente, 96% das crianças e adolescentes brasileiros acessam a internet diariamente, e cerca de 34% navegam em ambientes privados, ou seja, longe dos olhos de seus responsáveis.
Dados da última pesquisa do INAF, divulgado em maio, são um alerta importante sobre os rumos da educação brasileira. Eles evidenciam que a maior parte da população, mesmo no grupo que domina a leitura e a escrita no papel, não desenvolveu competências digitais suficientes para atuar com autonomia online. É uma exclusão digital que aprofunda desigualdades em diversos aspectos da vida cotidiana, desde marcar uma consulta a fazer matrícula, checar se um boleto é verdadeiro, recorrer de multa ou atualizar o cadastro de um benefício. Em outras palavras, a fluência digital deixou de ser acessório para se tornar requisito básico de participação social.
Foto: Jorge Hely/FramePhoto/Folhapress
Pela primeira vez, o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF)] incluiu uma avaliação da capacidade de realizar tarefas em ambiente online. Resultado não foi bom.
Mesa posta com diversas refeições para alunos de uma escola estadual de de ensino fundamental: estudo mostrou que a seleção de uma opção com maior qualidade nutricional e menor custo garante o melhor uso dos recursos públicos para a promoção do bem-estar social.
Gabriela Marques Costa, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
Estudo inovador avaliou durante um ano as opções nutricionais de escolas de ensino fundamental de uma cidade brasileira, e os resultados mostram as vantagens e desvantagens de lanches ou refeições na segurança alimentar das crianças.
Projeto brasileiro cria modelos tridimensionais de parasitas, órgãos e até tumores para transformar a educação em saúde e ciências.
Fote: acervo pessoal.
Projeto brasileiro cria modelos tridimensionais de parasitos, órgãos humanos e até tumores, para transformar e tornar mais inclusiva a educação em saúde e ciências
Graduada em História e doutora em Antropologia, Letícia é uma jovem liderança Krahô e atua em diferentes frentes pela defesa dos povos indígenas. É presidente do Conselho Local de Saúde Indígena do município de Goiatins (TO), e coordenadora da escola da Aldeia Sol, cuja história ela descreve neste artigo-depoimento: uma vida de trabalho fortalecendo a valorização dos conhecimentos tradicionais em diálogo com a educação formal.
Foto cedida pela autora
Mulher indígena, do povo dos Krahô, que vivem nos limites entre Goiás, e Tocantins, conta ium pouco da diferenças de cosmovisão que tornaram difícil, mas nada impossível, sua trajetória que começou como menina de aldeia e terminou no doutorado em antropologia da Universidade de Goiás.
Cada vez mais procurada, o Ensino a Distância já é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil, especialmente entre estudantes com menos recursos. No entanto, percepção de que a modalidade tem menos qualidade que os cursos presenciais persiste, inclusive entre os alunos que a utilizam.
Foto: Thananit_s/Envato
Estudo realizado com 700 estudantes de todo o país comparou o desempenho de alunos de EaD com os de cursos presenciais. Resultados evidenciaram a percepção equivocada de que a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil é de baixa qualidade
No processo de formação de estrelas e seus sistemas planetários, material em disco gira e vai se acumulando até virar os planetas, que se movem cada vez mais rápido quanto mais próximos da estrela, como uma patinadora que encolhe os braços.
Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock
Itziar Garate Lopez, Universidad del País Vasco / Euskal Herriko Unibertsitatea
Se não se movessem, os planetas seriam engolidos pelo Sol. Mas eles precisam se mover a uma velocidade muito específica para não sair “voando” do Sistema Solar também
As imensas transformações na dinâmica pedagógica provocadas pelo desenvolvimento da IAG ainda não se reverteram na publicação de regramentos ou mesmo diretrizes para o uso dessas ferramentas nas atividades da grande maioria das principais instituições de ensino superior (IES) no Brasil, sejam elas públicas ou privadas.
Imagem gerada por IA / Envato Labs
De um universo de 150 instituições, apenas sete possuem algum tipo de documento que regulamente a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IAG) entre alunos e professores
Violência sexual, conflitos e dúvidas sobre limites. Crianças e adolescentes precisam de espaços seguros para escuta, cuidado e diálogo.
Foto: Freepik.
Violência sexual, conflitos e dúvidas sobre limites. Crianças e adolescentes precisam de espaços seguros para escuta, cuidado e diálogo.
Representante da Associação Nacional dos Estudantes de Pós-Graduação (ANPG) discursa durante umas das recentes manifestações que pedem pela melhoria das condições de financiamento da ciência e da tecnologia no Brasil, através do fortalecimento dos recursos do CNPq e da Capes.
País precisa aumentar o investimento em Ciência e Tecnologia, através do CNPq e da Capes, além de elevar o percentual não reembolsável do FNDCT
Desde 1953, a PUC-Rio forma especialistas por meio de sua pós-graduação em Medicina. A universidade tenta agora criar um curso de graduação, mas o MEC restringe a abertura a instituições com hospitais próprios, barreira que privilegia conglomerados educacionais que podem adquirir hospitais privados.
Foto/Divulgação
A exigência do MEC, que restringe a abertura de novos cursos a instituições com hospitais próprios (com o mesmo CNPJ da universidade), inviabiliza modelos de parceria entre universidades comunitárias e hospitais públicos.
O Brasil precisa de um plano educacional cujos objetivos transcendam o campo das promessas bem-intencionadas. Um plano com metas realistas, prazos exequíveis e financiamento compatível com a dimensão dos desafios lançados à nação.
IA pode ser usada para elevar o nível do que alunos e pessoas podem realizar, e não para apenas realizarem as mesmas tarefas de sempre.
Rroselavy / Shutterstock
Assim como as calculadoras eletrônicas antes delas, as ferramentas de IA podem elevar o nível do que as pessoas podem fazer – se forem usadas da maneira certa.
Lançamento do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed): novo sistema irá apenas escancarar a constatação evidente de que muitas faculdades de medicina oferecem uma formação precária, e colocam as pessoas em risco.
Foto: Luis Fortes / Ministério da Educação
Oportunidade de abordar o papel da residência médica no país, que poderia ter grande impacto na qualificação dos futuros médicos, foi mais uma vez desperdiçada
A luta contra o celular nas salas de aula: proibição da prática é uma arma contra uma realidade que vem gerando uma epidemia de ansiedade e depressão. Para especialistas, enfrentá-la exige ações como a criação de ambientes que favoreçam o foco, o silêncio e o pensamento crítico.
Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress
Adolescentes que passam mais de três horas diárias nas redes têm o dobro do risco de ansiedade e depressão, agravado pelo uso precoce, que expõe o cérebro vulnerável à dependência da validação social
Recomendações para melhorar o desempenho dos alunos em todos os tipos de circunstâncias, com exemplos de sucesso em países da América Latina.
Além do avanço tecnológico e das possibilidades de capilarização do ensino através das novas tecnologias, o novo novo decreto provoca uma discussão que pode nos levar a novas formas de oferecer educação de qualidade para contingentes populacionais ainda maiores, através também da Universidade Pública.
Imagem: Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress
Oferta de EaD no país chega a ultrapassar a modalidade presencial em muitas instituições, mas essa realidade não pode prejudicar o esforço pela equiparação de qualidade com o ensino presencial
Alunos do Colégio com Supervisão Militar Rio Tocantins, no Pará, perfilados para cerimônia de hasteamento da bandeira: imposição de disciplina militar no ensino público estadual de certos estados brasileiros desperta discussão sobre o impacto dessa política educacional sobre sobre crianças e jovens em sociedades que tentam consolidar relações democráticas, como a brasileira.
Imagem: Divulgação / Polícia Militar do Estado do Pará
A reprodução de padrões militares em escolas contraria a principal finalidade do ensino público no Brasil, que segundo a Constituição Federal é educar com pluralidade, gestão democrática, participativa e focada na construção de uma cultura de paz
No Brasil, apenas 0,5% a 2% dos estudantes são formalmente identificados como superdotados, o que está muito abaixo da prevalência global. Ainda assim, tais jovens podem enfrentar desafios sociais, como isolamento e discriminação.
Imagem: Envato Labs
No Brasil, o baixo número de estudantes formalmente identificados como superdotados se deve à carência de recursos, formação docente inadequada, lacunas nos currículos e preconceitos de gênero e raça
Pesquisadora principal do Laboratório de Estratégia, Governança e Filantropia para Transições Sustentáveis, Instituto Pensi/Fundação José Luiz Setúbal (FJLS)
Prof. de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Feac/Ufal), diretor presidente, Fundação Alagoana de Amparo à Pesquisa (Fapeal)
Professora Associada no Departamento de Cognição e Desenvolvimento, no Instituto de Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social (mestrado e doutorado), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)