A invasão do Congresso Nacional, em 8 de janeiro de 2023: o sentimento de frustração e falta de pertencimento que estimula esse comportamento é semelhante ao que motiva atitudes misóginas.
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Entender esse processo não é desculpar o comportamento: é reconhecer que, para desarmá-lo, será preciso ir além da verificação de fatos e chegar à raiz do sentimento de exclusão coletiva que o sustenta
À primeira vista, pode parecer improvável comparar a Finlândia de 2026 com o projeto de educação pública desenvolvido pelo antropólogo e ex-ministro Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro dos anos 1980. Mas ambas as experiências compartilham a convicção de que a educação só é plena quando é integral, equânime e centrada na dignidade humana.
Foto: Fundação Darcy Ribeiro
Pode parecer improvável comparar a Finlândia do século XXI com o projeto de educação pública no Rio de Janeiro dos anos 1980. Contudo, ambos compartilham a convicção de que a educação só é plena quando é integral, equânime e centrada na dignidade humana
Ao deixar de lado normas básicas do jornalismo em favor do patriotismo e da narrativa de “guerra ao terror” imposta pelo governo e movida pelo medo, organizações jornalísticas arquitetaram seu próprio declínio e alimentaram a ascensão da atual “era da desinformação”.
Walter Cicchetti/Shutterstock
As redações, em vez de atuarem como órgãos de fiscalização críticos, ecoaram a narrativa do governo Bush
Uma vacina contra o câncer só pode ajudar se pacientes estiverem dispostos a tomá-la: falsa narrativa sobre “câncer turbo” se infiltrou na grande mídia, aumentando a probabilidade de que alguns deles recusem terapias com mRNA no futuro.
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Alegações falsas de que as vacinas de mRNA contra a COVID-19 causam câncer poderiam, ironicamente, prejudicar o tratamento do câncer ao comprometer uma ferramenta promissora
Bangladesh vem enfrentando surtos de sarampo desde maio de 2026, com mais de 900 mortes pela doença: enquanto países de baixa renda têm problemas de acesso, em países ricos os surtos estão ligados a questões religiosas e hesitação vacinal devido à desinformação.
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O sarampo está voltando a se espalhar pelo mundo a partir de locais com baixas taxas de cobertura vacinal, onde alguns poucos casos podem rapidamente se transformar em uma epidemia
A poucos dias do início da campanha, funcionários do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul fizeram uma demonstração pública sobre o funcionamento e a inviolabilidade das urnas eletrônicas, que seguem entre as principais vítimas de campanhas de desinformação e descredibilização do processo eleitoral espalhadas pelas redes sociais.
Foto: Guilherme Lund/TRE-RS
O uso cada vez maior da IA generativa fez emergir novos riscos eleitorais que vão além da criação de peças sintéticas e falsas, e também alcançam a escolha de candidaturas, com possibilidade de ranqueamento e recomendação de voto
A exploração da atenção do público sempre foi uma mercadoria para os meios de comunicação. A desinformação atual não prospera apenas porque desperta emoções. Ela também é favorecida pelo modo como a publicidade financia a informação na internet.
Ilustração: FTD Educação
A desinformação não prospera apenas porque desperta emoções. Ela também é favorecida pelo modo como a publicidade financia a informação na internet
Os profissionais de saúde da Atenção Primária a Saúde relatam o desafio recorrente de corrigir mensagens falsas que chegam por aplicativos de mensagens e mídias sociais, muitas vezes encaminhadas “por alguém de confiança” (um parente, um vizinho, um líder comunitário).
Imagem gerada por IA/ChatGPT
Grande pesquisa sobre desinformação em Saúde avaliou os desafios da comunicação em atenção primária em países de língua portuguesa e espanhola
Covas rasas abertas às pressas no cemitério Vila Formosa, em São Paulo: certamente a imagem mais marcante da massificação de mortes causadas pela Covid-19 no Brasil. Os números mais recentes da OMS mostram que a tragédia foi ainda maior.
AP Photo / Andre Penner
Eliara Santana, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas); Observatório das Eleições
Negacionismo e máquina de desinformação atuaram em diversos países durante a pandemia, e contribuiram para tornar o Brasil o país com o segundo maior número de mortes por Covid-19
Em março de 2026 o TSE aprovou 14 resoluções destinadas a orientar as eleições gerais deste ano. Entre os temas centrais estão o uso de inteligência artificial, a propaganda eleitoral em plataformas digitais e a responsabilidade das Big Techs na moderação de conteúdo. A pergunta que se impõe é: o novo marco regulatório é capaz de enfrentar os mecanismos de contágio desinformativo que se consolidaram em 2022?
Foto: José Cruz/Agência Brasil
As resoluções aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral representam um esforço institucional relevante, ainda que a velocidade do contágio da desinformação nas redes sociais tenda sempre a superar a capacidade de resposta institucional
Mais do que um erro pontual, o viés de confirmação se manifesta como uma espécie de defeito de fábrica: não é um problema de inteligência, mas um erro profundamente humano.
Master1305/Shutterstock
O viés de confirmação é uma tendência sistemática da cognição humana que nos leva a raciocinar de forma menos eficaz, e o primeiro passo para evitá-lo é aprender a reconhecê-lo.
O pouco tempo de contato e, principalmente, a cosmovisão eurocêntrica da expedição portuguesa que chegou ao Brasil em 22 de abril de 1500, propagaram informação errada, enganosa ou incorreta sobre os indígenas brasileiros.
Reprodução da obra "Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro", de Oscar Pereira da Silva
O pouco tempo de contato e, principalmente, a cosmovisão eurocêntrica da expedição portuguesa que chegou ao Brasil em 22 de abril de 1500 propagaram informação errada, enganosa ou incorreta sobre os indígenas
Os resultados do levantamento revelaram baixa transparência em praticamente todos os aspectos avaliados: dados incompletos ou ausentes, falhas nas bibliotecas de anúncios, pouca clareza sobre financiamento e segmentação e ausência de padrões que permitam comparações consistentes entre as plataformas.
Imagem: Eleven Labs
R. Marie Santini, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Adriano Belisário, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bruno Mattos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Danielle Pinho, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Debora Salles, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), and Hugo Leal, University of Cambridge
Questão é ainda pior no Brasil, onde o debate regulatório sobre elas permanece incipiente
à resposta à pergunta acima deveria ser: a todos. Mas desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, vestir a camisa amarela da seleção brasileira ou sair às ruas coma bandeira nacional tornou-se equivalente a declarar posição ideológica alinhada a um grupo que, na prática, usa estes símbolos para legitimar projetos de poder político e eleitoral.
Às vésperas de mais uma campanha eleitoral, grupos políticos antagoônicos voltam a reivindicar para si as cores da bandeira brasileira
Cientista política norte-americana destaca como líderes empresariais e grupos comunitários de todo o Brasil se mobilizaram para combater as mensagens antivacinas do governo populista de direita de Jair Bolsonaro na época da pandemia de COVID-19, e ajudar no desenvolvimento e na distribuição de vacinas.
Wang Tiancong/Xinhua via Getty Images
Um forte sentimento de pertencimento levou empresas e cidadãos a defender o sistema público de saúde do país dos ataques do governo populista de direita de Jair Bolsonaro
A desinformação nas redes sociais e outras plataformas digitais é um fenômeno que estrutura estratégias de poder: em vez de circular espontaneamente, ela se articula com interesses econômicos e políticos.
Foto: Envato
A desinformação cria bolhas, reforça crenças, intensifica a polarização política e retroalimenta intolerâncias. Seus conteúdos geram engajamento, ampliam a circulação de dados e alimentam a lógica de acumulação de capitais
Imagem de Donald Trump publicada na conta do X da Casa Branca em 2025: propagandas com mensagens de baixa qualidade geradas por IA inundam as redes sociais, em uma sobrecarga de informações que limita a capacidade de análise crítica dos usuários.
Wikimedia Commons.
Mensagens de baixa qualidade criadas por inteligência artificial não buscam convencer com fatos reais, mas sim saturar a mídia com conteúdo
A ciência é um método, mas nem toda evidência tem o mesmo peso, e uma afirmação científica é forte não porque é uma verdade eterna, mas porque está sujeita a testes, replicação e revisão diante de dados ou métodos melhores.
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A evidência científica não encerra debates: ela os abre. É, mais do que uma resposta, um convite permanente para continuar questionando
Casos de apreensão de canetas emagrecedoras falsificadas, contrabandeadas ou vendidas de forma irregular vêm se repetindo no Brasil. Muitos consumidores acreditam estar adquirindo apenas versões contrabandeadas do medicamento original, geralmente mais baratas, mas a realidade apontada pelas autoridades é mais grave.
Imagem: Freepik
Pesquisa identificou um aumento de 35% no consumo de substâncias emagrecedoras, sobretudo entre mulheres jovens, impulsionado pela ampla oferta em farmácias e plataformas online
Agentes federais de imigração prendem mais um morador durante a escalada de repressão que ocorre desde o começo de 2026 em Minneapolis: a percepção falsa de que imigrantes - sobretudo latino-americanos - são responsáveis pelo crescimento das taxas de criminalidade e por uma suposta periculosidade social sustenta uma retórica securitária que legitima investimentos massivos em aparatos tecnológicos de vigilância e controle fronteiriço.
Lauro Accioly Filho, Universidade Estadual Paulista (Unesp)
A narrativa de que imigrantes irregulares cometem mais crimes não encontra respaldo nos dados estatísticos de criminalidade dos EUA. Ao contrário, os dados mostram que esse grupo apresenta índices de envolvimento criminal inferiores aos da população nativa