Caio Cardoso de Moraes, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O relatório Medo do crime e eleições 2026 (produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública - FBSP), publicado no início de maio, oferece um retrato sintomático do Brasil contemporâneo: 96,2% dos brasileiros…
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita.
Foto: Folhapress / Aloisio Maurício
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita
Flávio Bolsonaro, que visita neste dia 26 de maio a Casa Branca, em Washington, na esperança de encontrar-se com Donald Trump, segue trabalhando intensamente para tentar minimizar os estragos da comprovação de seu envolvimento próximo com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Foto: Gabriela Biló / Folhapress
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Percentualmente, parece haver mais eleitores defendendo sua permanência como candidato do que dispostos a votar nele em um eventual segundo turno contra Lula
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Tathiana Chicarino, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Priscila Silvério, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção
Jair Bolsonaro e sua indefectível “arminha”, durante a campanha de 2018: os candidatos “contra tudo isso que está aí” repetem-se historicamente na política brasileira.
AP Photo/Silvia Izquierdo
Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) and Roberta Picussa, Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Ao analisar a votação entre 2002 e 2022, pesquisadores descobriram que os candidatos “anti-sistema” não são um evento esporádico, nem tampouco um sinal de mudança no panorama político-eleitoral nacional. Ao contrário, são um padrão
Em março de 2026 o TSE aprovou 14 resoluções destinadas a orientar as eleições gerais deste ano. Entre os temas centrais estão o uso de inteligência artificial, a propaganda eleitoral em plataformas digitais e a responsabilidade das Big Techs na moderação de conteúdo. A pergunta que se impõe é: o novo marco regulatório é capaz de enfrentar os mecanismos de contágio desinformativo que se consolidaram em 2022?
Foto: José Cruz/Agência Brasil
As resoluções aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral representam um esforço institucional relevante, ainda que a velocidade do contágio da desinformação nas redes sociais tenda sempre a superar a capacidade de resposta institucional
Manifestantes contra a vacina confrontam vereadores na Câmara Municipal de Porto Alegre, durante votação do passaporte sanitário, em 2021: padrão de comportamento identificado pela pesquisa sugere que as pessoas não rejeitavam a vacina por avaliarem evidências científicas de forma independente, mas tomavam atitudes com base em intuição e lealdade política. E depois buscavam argumentos para justificá-las.
Foto: Elson Sempé Pedroso / CMPA
Eleitores que declararam só votar em Bolsonaro, rejeitando outros candidatos, mesmo os alinhados à direita, apresentaram uma taxa de vacinação de 65%. Entre aqueles dispostos a considerar outras opções dentro do campo conservador, a taxa de vacinação subia para 71%
Em 2026, o mundo observará as escolhas políticas brasileiras não apenas por curiosidade, mas pela percepção de que acontecimentos externos podem espelhar ou ser determinados por eventos ocorridos aqui.
Foto: Tribunal Regional Eleitoral do Sergipe
Chris Thornhill, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP)
As eleições brasileiras são, de certa forma, eleições globais. Cada decisão eleitoral representa uma escolha entre modelos de cidadania, soberania e ordem internacional. O que ocorrer no Brasil estabelecerá precedentes para outras sociedades
à resposta à pergunta acima deveria ser: a todos. Mas desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, vestir a camisa amarela da seleção brasileira ou sair às ruas coma bandeira nacional tornou-se equivalente a declarar posição ideológica alinhada a um grupo que, na prática, usa estes símbolos para legitimar projetos de poder político e eleitoral.
Às vésperas de mais uma campanha eleitoral, grupos políticos antagoônicos voltam a reivindicar para si as cores da bandeira brasileira
Bolsonaristas em manifestação nas ruas: estudos procuram entender se o fenômeno se consolidou ou não como um movimento de extrema direita no Brasil, e trazer pistas sobre se o projeto político associado a Jair Bolsonaro tem forças para sobreviver às suas próprias derrotas eleitorais e na Justiça.
Pesquisadores de Ciência Política procuram entender se o bolsonarismo se consolidou ou não como um movimento de extrema direita no Brasil, e trazer pistas sobre se o projeto político associado a Bolsonaro tem forças para sobreviver às suas próprias derrotas eleitorais
Lula e Petro: em perspectiva comparada, Brasil e Colômbia compartilham dilemas típicos de democracias presidenciais latino-americanas em ciclos de polarização. Eles incluem grande dificuldade de governabilidade, presença de atores com capacidade de imobilizar seus governos, fragilidade de consensos mínimos e intensificação da disputa simbólica.
Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República
Soraia Marcelino Vieira, Universidade Federal Fluminense (UFF); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) and Luciana Santana, Universidade Federal de Alagoas (UFAL); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Em 2026, Brasil e Colômbia viverão eleições presidenciais sob condições políticas que combinam aumento da polarização, fortalecimento de forças conservadoras e tensões institucionais, com crises entre os diferentes poderes
Na obra do pintor Theodore Chasseriau, um retrato da cena do banquete em que Macbeth conversa com o fantasma de seu amigo Banquo: assim como o protagonista atormentado da obra-prima de Shakespeare, a classe política brasileira insiste em conversar com um centro ideológico que não existe mais.
Reprodução / Wikipedia
A ideia de que, em meio aos extremismos, sempre haverá um centro moderado, equilibrado, capaz de construir pontes entre esquerda e direita, é hoje uma fantasia na política brasileira. Esse centro não existe mais
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro ficará preso em definitivo na sede da Polícia Federal, onde já estava detido preventivamente desde o dia 22 de novembro. Com a saída de cena do ex-presidente, são a esposa Michele Bolsonaro e o filho Eduardo que registram os maiores percentuais de conhecimento entre os eleitores do campo da direita. Os possíveis candidatos desse espectro político, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, apresentam percentuais menores.
Folhapress / Gabriela Biló
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro por risco de fuga acelera disputa entre líderes que dependem da sua base para chegar a 2026 — mas que ainda não conseguem converter conhecimento em voto
Os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Júnior (Paraná) disputam herança de votos do bolsonarismo para disputarem a presidência em 2026, mas a equação não é tão simples.
Imagens: Montagem sobre fotos Folhapress
Muitas vezes identificada como um bloco homogêneo, em razão do posicionamento ideológico, a base bolsonarista apresenta diferenças que podem tornar o trabalho dos candidatos do campo da direita mais difícil do que aparenta
Manifestantes em São Paulo vestidos como policiais escoltando o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, protestam contra o anúncio de Trump de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e contra o relatório dos EUA que citou a venda de produtos falsificados no Brasil.
Ettore Chiereguini @ 2025/ ASSOCIATED PRESS
A intervenção de Trump mostra que atores estrangeiros — inclusive chefes de Estado com ampla influência online — estão dispostos a enfraquecer instituições e influenciar a política no Brasil.
Ex-professor titular do IUPERJ/Uerj e ex-professor visitante no Departamento de Economia e Administração (FEA), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)