Duas hipóteses podem explicar essa frieza: a primeira é que nem Lula nem Flávio Bolsonaro estão empolgando os eleitores. A segunda é que a campanha eleitoral migrou para as plataformas digitais, o que diminui o corpo a corpo, reduz o calor das improvisações nos comícios e desestimula o debate de ideias. O eleitor começa a se perguntar se o que vê nas redes é a realidade ou apenas uma seleção dos algoritmos.
AP Photo/Silvia Isquierdo e André Penner
Cientista político que desenvolveu teoria sobre o presidencialismo de coalizão analisa os difíceis prognósticos para as eleições majoritárias deste ano e os riscos de seus resultados para a governabilidade e a democracia
O caça sueco Saab JAS 39 Gripen NG, modelo escolhido pelo governo brasileiro para o projeto Projeto FX-2 de reequipamento e modernização da frota de aeronaves militares supersônicas da FAB: o retorno econômico dos investimentos militares depende da capacidade do país de transformar tecnologia militar em aplicações civis, o que é difícil em países com forte dependência de tecnologia importada, como o Brasil.
Foto: Antônio Oliveira/Wikipedia
David G. Borges, Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
A ideia de que investir em defesa pode impulsionar a economia e reposicionar o Brasil no mundo é antiga e duradoura, mas as evidências mostram tratar-se de uma percepção que não corresponde à realidade
Lula e Petro: em perspectiva comparada, Brasil e Colômbia compartilham dilemas típicos de democracias presidenciais latino-americanas em ciclos de polarização. Eles incluem grande dificuldade de governabilidade, presença de atores com capacidade de imobilizar seus governos, fragilidade de consensos mínimos e intensificação da disputa simbólica.
Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República
Soraia Marcelino Vieira, Universidade Federal Fluminense (UFF); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) and Luciana Santana, Universidade Federal de Alagoas (UFAL); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Em 2026, Brasil e Colômbia viverão eleições presidenciais sob condições políticas que combinam aumento da polarização, fortalecimento de forças conservadoras e tensões institucionais, com crises entre os diferentes poderes
Na obra do pintor Theodore Chasseriau, um retrato da cena do banquete em que Macbeth conversa com o fantasma de seu amigo Banquo: assim como o protagonista atormentado da obra-prima de Shakespeare, a classe política brasileira insiste em conversar com um centro ideológico que não existe mais.
Reprodução / Wikipedia
A ideia de que, em meio aos extremismos, sempre haverá um centro moderado, equilibrado, capaz de construir pontes entre esquerda e direita, é hoje uma fantasia na política brasileira. Esse centro não existe mais
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (à esquerda), durante a reunião de cúpula do BRICS, em julho de 2025 no Rio de Janeiro: entrada do país do Oriente Médio no grupo é estratégia multilateralista defendida pelo Brasil, que não teria nada a ganhar com um eventual conflito militar com os EUA.
AP Photo / Eraldo Peres
A presença do Irã no BRICS Plus reforça a ambição do grupo de atuar como espaço de coordenação política fora do eixo euro-atlântico. Ataque americano ao Irã colocaria essa estratégia a perder
A empresa petrolífera estatal venezuelana enfrenta problemas relacionados com o envelhecimento das infraestruturas.
Michael Robinson Chavez/The Washington Post via Getty Images
As empresas petrolíferas americanas nunca deixaram de investir e operar na indústria petrolífera da Venezuela, apesar das muitas mudanças nos termos do seu envolvimento
Apoiadores do governo rasgam uma bandeira americana ao meio durante um protesto em Caracas.
AP Photo/Ariana Cubillos
A novidade do episódio atual na Venezuela está na combinação de um gesto militar espetacular com uma narrativa de “administração” direta da “transição” no país
Lula, Trump e a implosão do multilateralismo: processo de erosão do espaço diplomático brasileiro na questão da Venezuela já havia sido exposta anteriormente. Em maio de 2025, uma operação secreta dos EUA retirou, em poucas horas, cinco opositores do governo Maduro que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, então sob tutela brasileira.
AP Photo/Mark Schiefelbein
Apesar de ambições declaradas de liderança regional e global, o Brasil demonstrou carecer de mecanismos eficazes de antecipação de crises, inteligência integrada e protocolos claros de resposta a eventos de alta complexidade estratégica
Lula e Maduro em seu último encontro, na reunião de líderes da América do Sul em Brasília, em 2023: em um ambiente de fragmentação regional e erosão do multilateralismo, uma abordagem bilateral junto à Venezuela e aos Estados Unidos torna-se um caminho promissor.
AP Photo/Gustavo Moreno
Avançar além da condenação retórica exigiria disposição para liderar iniciativas diplomáticas em um contexto regional fragmentado e com poucos países dispostos a criticar os Estados Unidos de forma aberta e sustentada
Mulheres congolesas durante um protesto contra a xenofobia e a violência sobre imigrantes no Rio de Janeiro: no Congo, o sistema de saúde funciona mediante pagamento após a consulta, e casos graves são absorvidos pelo Estado. Já no Brasil, apesar de gratuito, o SUS tem uma lógica burocrática que confunde essas mulheres. Muitas não entendem por que precisam esperar tanto tempo por uma consulta urgente. E a barreira da língua muitas vezes as impede de compreender o que está acontecendo.
Imagem: Arquivo / AP Photo
Depois de deixarem a África por conta de conflitos armados e violência política, refugiadas do Congo enfrentam descaso, barreira linguística, racismo e desigualdade de gênero no acesso aos serviços de saúde do SUS
Amostras de açaí em laboratório: apenas de 10 a 15% da fruta é aproveitada para alimentação. O restante é o caroço, que normalmente é jogado fora, mas que tem um potencial energético imenso que começa a ser aproveitado.
Imagem: UFPA / Divulgação
No último episódio da série fomos à Amazônia descobrir como frutas, bactérias e microalgas podem gerar combustível de aviação, e a energia vinda das ondas pode abastecer cidades
Caminhões de transporte de minério de ferro trafegam numa mina da Rio Tinto, segunda maior mineradora do mundo.
Imagem: Divulgação / Rio Tinto
Os dois países que mais exploram recursos minerais no Hemisfério Sul compartilham esforços para minimizar acidentes e degradação ambiental causada pela atividade, que agride pesadamente a natureza, mas é fundamental para a manutenção do desenvolvimento
Manejo do fogo como aliado da preservação -inspirado nas técnicas milenares dos povos originários - e desenvolvimento de soluções baseadas na natureza para minimizar a geração de gases de efeito estufa pela pecuária estão entre os trabalhos da ciência do Brasil e da Austrália que nossa equipe visitou neste episódio do podcast “Vozes do Sul”.
Composição fotográfica de Élio Lima / Agência Cenarium
Neste episódio, cientistas brasileiros mostram como a Amazônia é na verdade um grande jardim milenar, e pesquisadores australianos mostram como reduzir usar soluções baseadas na natureza para reduzir a produção de gases de efeito estufa metano na produção agropecuária
A Grande Barreira de Corais da Austrália.
Foto: Great Barrier Reef Marine Park Authority
Neste episódio, nossa equipe conversa com especialistas sobre o branqueamento da Grande Barreira de Corais australiana e o risco de a exploração de petróleo na Costa Equatorial brasileira afetar manguezais e corais da foz do Rio Amazonas
Primeiro podcast produzido pelo The Conversation Brasil terá cinco episódios semanais trazendo entrevistas com especialistas dos dois países sobre os esforços da ciência, da tecnologia e do saber ancestral dos povos originários para evitar o ponto de não retorno do clima
Podcast produzido em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), financiado pelo Council on Australia Latin America Relations (COALAR),com apoio do The Conversation Austrália contou com mais de 40 horas de entrevistas para construir um painel do que a ciência dos dois países está fazendo contra os efeitos negativos das mudanças climáticas.
Imagem: Reprodução do trailer
Produção feita em parceria com a UFPA mostrará o que a ciência do Brasil e da Austrália estão fazendo para reduzir os impactos das mudanças climáticas
Lancha da Guarda Nacional da Venezuela, durante exercícios de guerra realizados após as agressões americanas contra barcos do país, sob alegação não comprovada de que seriam integrantes de cartéis.
André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A conjuntura contemporânea, incluindo o centro antiterrorista no Paraguai, coloca as forças estadunidenses mais próximas das fronteiras brasileiras
O “8 de janeiro de paletó”: para libertar a democracia brasileira do cativeiro representado pela invasão da mesa diretora da Câmara, os extremistas exigiram impunidade total para si e seus aliados, além da punição a quem ousou investigá-los, julgá-los e condená-los.
Foto Agência Brasil / José Cruz
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Episódio desnudou a essência do fazer político da extrema-direita antidemocrática global na última década: sequestrar a democracia, fechar o regime e instaurar projeto autocrático, iliberal e populista.
Luis Eduardo Tavares, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A emergência de riscos inéditos de intervenções externas, como um possível cenário eleitoral em 2026 dominado pela manipulação de vídeos de IA, evidencia que a política tecnológica é também disputa por soberania e justiça social
U.S. President Donald Trump and then-Brazilian President Jair Bolsonaro attend a joint news conference at the White House on March 19, 2019.
Jim Lo Scalzo-Pool/Getty Images
A carta do presidente dos EUA ao seu homólogo brasileiro mencionou o déficit comercial. Mas não se deixe enganar, essas tarifas são mais políticas do que econômicas
Professor de Sistemas Energéticos da Faculdade de Engenharia Mecânica e pesquisador do Núcleo de Planejamento Energético NIPE, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Professor de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Professor de Filosofia do Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)