Conferência sediada na Amazônia foi marcada por avanços via compromissos voluntários, e não um acordo global vinculativo, e deixou em falta um roteiro claro para a transição energética dos combustíveis fósseis para fontes renováveis
Andre Borges / EPA
Os acordos foram fechados, mas elementos cruciais, como um mapa do caminho para a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis, fizeram falta
Primeiro podcast produzido pelo The Conversation Brasil terá cinco episódios semanais trazendo entrevistas com especialistas dos dois países sobre os esforços da ciência, da tecnologia e do saber ancestral dos povos originários para evitar o ponto de não retorno do clima
Burping cows are responsible for about a quarter of human-caused emissions of methane: a potent greenhouse gas.
Jawinter / shutterstock
A remoção dos chamados “poluentes climáticos de curta duração” da atmosfera poderia reduzir o aquecimento global rapidamente.
Esporos do Histoplasma capsulatum, que causou a infecção por histoplasmose em 32 pessoas no Hospital Santa Rita de Cássia, no Espírito Santo, no começo de novembro de 2025.
Ilustração de Roger Harris / Science Photo Library
Tradicionalmente, a histoplasmose era associada a cavernas, áreas rurais ou regiões ribeirinhas. Hoje, crescem as evidências de que o Histoplasma está se adaptando ao ambiente urbano
Protestos na barqueata da Cúpula dos Povos, ocorrida no dia 12 de novembro na COP 30: diferente do que prega o bilionário filantropo, os desafios climáticos não estão diminuindo, as projeções superestimam capacidades futuras de evitar o aumento da temperatura global, e há uma falsa dicotomia entre investimentos na luta contra as mudanças climáticas e contra outros problemas globais.
Hermes Caruzo/COP30
As “verdades” de Gates são, pelo menos parcialmente, falsas, mas indicam claramente três erros estratégicos que os ocidentais cometeram recentemente sobre o assunto
Desde a década de 1950 a indústria sabia da ameaça potencialmente grave que representava para o clima da Terra, e nos anos 1970 tinha certeza que as mudanças climáticas eram inevitáveis, mas ainda assim, em vez de alertar o público sobre a iminente crise e tomar medidas, ocultou o que sabia.
Pan Demin/Shutterstock
Desde a década de 1950 as empresas de petróleo e gás têm se dedicado a lançar campanhas de negação e desinformação para bloquear a adoção de políticas climáticas e de descarbonização.
Implantado a cerca de 60 quilômetros ao norte de Manaus, em área de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia ([Inpa), o AmazonFACE está em fase final de construção. A estrutura das torres já está pronta - elas terão 35 metros de altura, o suficiente para ultrapassar a copa das árvores e liberar, por meio de tubulações, ar enriquecido com dióxido de carbono para medir as reações do ecossistema às alterações na atmosfera. A expectativa é iniciar o experimento em abril de 2026, ao final da estação chuvosa, o que permitirá começar o monitoramento de CO₂ no início de um novo ciclo biológico da floresta.
Foto: Maria Clara Ferreira Guimarães / Unicamp
David M. Lapola, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Após dez anos de desenvolvimento, mega experimento de campo está quase pronto e exporá uma área de floresta a níveis elevados de CO₂, simulando um cenário previsto para o futuro
O Rio Paranaíba, que nasce no Cerrado de Goiás para alimentar a bacia do Rio Paraná, na Região Sul: exemplo do potencial aquífero do bioma.
Foto: André Monteiro
Sem proteção, o bioma conhecido como ‘caixa d’água do Brasil’, que abriga oito das doze maiores bacias hidrográficas do país e três grandes aquíferos, pode perder até 35% da vazão até 2050
O processo de descarbonização do setor de energia não se limita à geração de energia de baixo carbono. É necessário analisar toda a cadeia energética, desde a fonte primária de energia até o uso final. São várias etapas envolvidas, como a produção, distribuição, logística, infraestrutura. Ou seja, para se ter um bom resultado é necessário um planejamento integrado de toda a cadeia.
Foto: Envato
Sem o devido planejamento, corre-se o risco de que a transição energética no país fique desbalanceada. O foco na retirada progressiva do uso dos hidrocarbonetos fósseis não pode desconsiderar que eles são insumos para um setor importante, que é a petroquímica
A água do derretimento corre na Groenlândia formando rios: camada de gelo já está perdendo massa e pode chegar em breve a um ponto crítico, que também pode afetar uma importante circulação oceânica com impactos até na Floresta Amazônica.
Maria-José Viñas/NASA
Um relatório alerta que os recifes de corais podem ter atingido seu ponto crítico, e que as plataformas de gelo, as correntes oceânicas e a Amazônia estão em risco crescente. Mas o que isso realmente significa?
Como consequência do aquecimento global previsto pelos modelos há mais de 50 anos, a nação insular de Tuvalu está perdendo terras devido ao aumento do nível do mar, e suas fazendas e suprimentos de água estão ameaçados pela água salgada.
Mario Tama/Getty Images
Nadir Jeevanjee, National Oceanic and Atmospheric Administration
Desde o aumento das temperaturas globais até a amplificação do aquecimento no Ártico, os primeiros modelos climáticos previram as mudanças há meio século.
Estima-se que o consumo global de energia aumente cerca de 56% até 2040 em relação a 2010. Para além da energia solar, eólica e geotérmica, o hidrogênio tem se destacado como nova opção abundante, limpa e segura.
Foto: Vanitjan / Envato
Vitor Francisco Ferreira, Universidade Federal Fluminense (UFF); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB)
Estima-se que o consumo global de energia aumente cerca de 56% até 2040 em relação a 2010. Para além da energia solar, eólica e geotérmica, o hidrogênio tem se destacado como nova opção abundante, limpa e segura.
Recife de coral esbranquiçado no litoral da cidade de Tamandaré, em Pernambuco:
Foto: Reef Check Foundation
Nova pesquisa revela que os recifes do Atlântico Sul vêm enfrentando episódios de estresse térmico há mais de 40 anos – e o cenário tende a agravar com as mudanças climáticas
Durante e Rio 92, foram lançadas em escala mundial as bases para os principais acordos ambientais internacionais contra o aquecimento global e suas consequências, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que originou as próprias COPs.
Imagem: Instituto Social Ambiental (ISA)
A necessidade de alinhar o sistema financeiro global às metas de clima é muito urgente. Dados chocantes mostram que, em 2023, os 65 maiores bancos do mundo destinaram US$ 900 bilhões aos combustíveis fósseis
Arranha-céus no horizonte de Belém, metrópole encravada na floresta, às margens do Rio Amazonas: destino das cidades e das florestas é inseparável, e superar o abismo entre essas duas esferas é essencial para alcançar as metas climáticas globais.
À medida que os líderes se preparam para a COP 30, é preciso encarar uma realidade básica: o destino das florestas e das cidades é inseparável. Superar o abismo entre essas duas esferas é essencial para alcançar as metas climáticas globais
O II Fórum de Finanças Climáticas e da Natureza, realizado em maio no Rio de Janeiro, é um exemplo de como a sociedade civil pode pressionar pela mobilização de recursos privados para um roteiro de financiamento climático a partir da COP 30, incentivando bancos internacionais, gestoras, seguradoras e fundos institucionais a direcionar seus investimentos para projetos em países em desenvolvimento que estejam alinhados com as prioridades climáticas.
Foto: Agência Brasil
Maria Netto, Instituto Clima e Sociedade (iCS); Lucca Rizzo, Instituto Clima e Sociedade (iCS), and Vic de Castro, Instituto Clima e Sociedade (iCS)
Muitas formas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas são conhecidas e escaláveis, mas a implementação dessas soluções ocorre num ritmo muito lento, e parte do motivo é a falta de financiamento
Ativista na porta do tribunal alemão em que o caso do fazendeiro peruano Saúl Luciano Lliuya contra a gigante europeia da energia RWE acaba de ser julgado: infelizmente, o pleito do fazendeiro foi rejeitado, mas o caso entrou para a história e servirá de precedente na defesa dos direitos das populações mais afetadas pelas mudanças climáticas.
AP Photo/Martin Meissner
O termo justiça climática se refere ao desigual e desproporcional impacto do aquecimento global sobre grupos mais vulneráveis, especialmente populações pobres e marginalizados
O Lago Imja, um enorme lago glacial na região do Monte Everest, no Nepal, começou como pequenas lagoas de água de degelo em 1962 e agora contém 90 milhões de metros cúbicos de água, volume que já foi reduzido numa tentativa de proteger as comunidades a jusante.
Alton Byers
Quando o permafrost das montanhas descongela e as geleiras derretem, os lagos glaciais podem se tornar um risco de inundação letal para qualquer pessoa a jusante.
Uma samambaia no Royal Botanic Garden de Sydney, Austrália: espécies substituíram outras que foram extintas, mas levou milhões de anos para florestas verdejantes voltarem a se estabelecer.
Marcos Amores
Um mergulho profundo no passado distante da Terra mostra como a vida lutou para se recuperar muito depois do pior evento de aquecimento global de todos os tempos.
Os filhotes de urso polar recém-nascidos passam semanas na toca com a mãe até ficarem velhos e fortes o suficiente para sair.
Foto de Dmytro Cherkasov/Polar Bears International
Os avanços no monitoramento remoto dos hábitos de mães e filhotes de ursos polares no Ártico fornecem informações fundamentais sobre seu comportamento e suas vulnerabilidades.