Árvores inteiras em grasa após serem engolfados por um incêndio florestal descontrolado em Salta, na Argentina, no começo de agosto de 2025: em menos de dois anos, país sofreu redução de quase 70% nos gastos com gestão de parques nacionais, manejo de fogo e proteção de florestas nativas.
AP Photo/Javier Corbalan
Além do PL da Devastação no Brasil, esvaziamentos de projetos importantes de preservação se repetem no Chile, Equador e, principalmente, na Argentina
Área de floresta derrubada e queimada na zona rural do município de Apuí, Amazonas: nova ferramenta de IA, batizada de ‘Deforestation Prediction System’, foi concebida por cinetistas da PUC-Rio e é usada pelo Ibama para apoiar decisões estratégicas de fiscalização e prevenção, aumentando a eficiência das operações e reduzindo desperdícios de recursos.
Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/10/08/2020
Ferramenta foi desenvolvida por equipe da PUC-Rio para apoiar decisões estratégicas do Ibama e municípios da região.
Grupo de indígenas protestando por uma maior participação dos povos da floresta nas discussões sobre financiamento climático na COP da Amazônia: influência do pensamento colonial em diferentes setores vem sendo cada vez discutido na busca por uma transformação cultural, social e econômica mais inclusiva, mais decolonial.
AP Photo/Eraldo Peres
A influência do pensamento colonial em diferentes setores e processos vem sendo cada vez discutido na busca por uma transformação cultural, social e econômica decolonial. Busca-se, portanto, uma sociedade mais justa, simétrica e inclusiva.
No contexto de adversidade que paira sobre a realização da COP 30 na Amazônia reside uma grande oportunidade: mostrar ao mundo que o Brasil não apenas possui soluções reais para a crise climática, mas que já as está implementando.
Foto: Instituto Jornada da AMAZÔNIA
Empresas que investem em desenvolvimento sustentável no Brasil querem ajudar a transformar COP 30, para além de discussões diplomáticas e debates sobre financiamentos, num catalisador de ações coletivas, inovação e justiça climática
O indígena brasileiro Jonas Reis posa para uma foto enquanto participa de um protesto durante a quinta Cúpula Presidencial da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica.
AP Photo/Fernando Vergara
O encontro deixou claro que os interesses do Brasil em relação à manutenção da exploração de óleo e gás falam mais alto, tornando a próxima COP 30 um teste decisivo para a credibilidade dos compromissos assumidos em defesa da Amazônia
A perda da biodiversidade de fungos aquáticos pode gerar problemas no ciclo do carbono e na qualidade da água. Eles são como os recicladores do ecossistema: quando eles não funcionam bem, o ciclo de nutrientes é comprometido, o que pode afetar toda a vida aquática.
Foto: Portal Saneamento Básico Amazonas
Mudanças no clima e microplásticos afetam a biodiversidade de fungos aquáticos, o que pode levar a alterações em toda a cadeia alimentar dos igarapés
Manifestação em São Paulo contra a PL da Devastação, ocorrida no último sábado, 2 de agosto: Segundo Nota Técnica do Observatório do Clima — rede que congrega dezenas de organizações ambientalistas, institutos de pesquisa e movimentos sociais —, dos 66 artigos do PL aprovado, 42 contêm inconstitucionalidades ou retrocessos ambientais. Daí o mote ‘Veta Tudo, Lula’.
Foto: Wagner Origenes/Ato Press/Folhapress
Erika Bechara, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
O que se vê em boa parte do PL 2159 são normas para proteger o empreendedor, contra o licenciamento. Empreender é preciso, mas com regras ambientais claras. Mas empreender sem ou com reduzido controle ambiental não é aceitável.
O mercado de créditos de carbono foi criado para ser uma forma inovadora e universal de se enfrentar as mudanças climáticas. Mas precisa ser bem aplicado para não provocar o efeito contrário.
Imagem: Envato Labs
Pedro Martins, Universidade Federal do Pará (UFPA) and Leticia Tura, A FASE – Solidariedade e Educação
O mercado de créditos de carbono foi criado para ser uma forma inovadora e universal de se enfrentar as mudanças climáticas. Mas precisa ser bem aplicado para não provocar o efeito contrário
Vista aérea da nova Área de Conservação Regional do Médio Putumayo Algodón, perto da fronteira do Peru com a Colômbia. Há todos os motivos para acreditar que a rodovia Bellavista-El Estrecho, que cruzará a região, terá impactos devastadores nas áreas naturais protegidas e nas comunidades indígenas que estão em seu caminho.
Foto: Diego Pérez /Andes Amazon Fund
Há todos os motivos para acreditar que a rodovia Bellavista-El Estrecho terá impactos devastadores nas áreas naturais protegidas e nas comunidades indígenas que estão em seu caminho
No Pará, mais de 2 mil produtores rurais são atendidos pelo Programa Territórios Sustentáveis (TS) em 43 municípios, com ações de fomento ao desenvolvimento socioeconômico. A iniciativa, gerida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do estado, é um exemplo local de transição para a economia de baixas emissões em áreas pressionadas pelo desmatamento.
Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará
É preciso aplicar o conceito de territórios sustentáveis no contexto amazônico, estabelecendo um sistema robusto e descentralizado de ciência, tecnologia e inovação
Estrada vicinal cruza região calcinada pelas queimadas no Pantanal, em 2024: discurso predominante na cobertura midiática das mudanças climáticas é marcado por catastrofismo que pode dificultar visão mais crítica por parte do público sobre as causas e consequências do problema.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Levantamento analisou 38 publicações científicas e identificou padrões na cobertura jornalística do tema na América Latina, com destaque para o caso brasileiro
Das 10 espécies de primatas neotropicais reconhecidas e integradas à cultura dos Paiter-Suruí, do sudoeste da Amazônia, pelo menos cinco estão ameaçadas de extinção.
Foto disponibilizada pelo autor
As espécies de primatas identificadas na Terra Indígena Sete de Setembro possuem significados simbólicos que estão profundamente associados a elementos culturais, ecológicos e mitológicos da cosmologia do povo Paiter-Suruí
A Reserva Biológica do Morro dos Seis Lagos, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas: localizada dentro de território indígena, a reserva guarda ricos depósitos de manganês e nióbio, e está sob a mira da exploração mineral na região.
Foto: Lalo de Almeida / Folhapress
Transição para futuro com menos carbono aumenta busca por metais essenciais à energia limpa, como lítio, níquel e cobre, e isso pode acelerar a destruição ambiental em uma das regiões mais vulneráveis do planeta.
A sete meses da COP 30, obras de infraestrutura à toque de caixa se espalham por Belém, numa corrida contra o tempo para receber chefes de Estado, cientistas, ativistas e jornalistas do mundo todo. Mas outras cidades-sede sofreram com o mesmo problema no passado, e uma COP no coração da Amazônia é oportunidade inédita para que o encontro tenha relevância real na luta contra os efeitos das mudanças climáticas.
AP Photo/Jorge Saenz
Próxima Conferência do Clima sofre críticas pela falta de estrutura de Belém, mas será a melhor chance da história pra que o mundo conheça melhor e valorize essa região fundamental para o equilíbrio ambiental da Terra
Cerimônia de lançamento do projeto Ciência e Vozes da Amazônia na COP 30, iniciativa da Universidade Federal do Pará (UFPA) que visa consolidar e divulgar ações científicas e socioambientais desenvolvidas pela comunidade da região.
Divulgação UFPA
Apesar do profundo conhecimento das comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhos sobre a Amazônia, suas vozes e perspectivas são frequentemente negligenciadas nos debates globais sobre a região. COP 30 é chance de mudar essa realidade
Durante a seca de 2024, o Lago Tefé, no norte do Estado do Amazonas, perdeu cerca de 75% de sua superfície e registrou temperaturas de até 41°C, um risco extremo para a biodiversidade local.
Alessandro Falco
Bacia Amazônica, que abriga a maior diversidade de peixes de água doce do mundo, está ameaçada por eventos extremos que podem comprometer a biodiversidade da região e a segurança alimentar da população local
Vista aérea do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém: durante a COP 30, parceria com o museu contribuirá para que a Casa Inovação Finep funcione como um espaço de interação e divulgação de propostas integradas para solucionar os desafios brasileiros no contexto da crise climática global.
Divulgação, Museu Goeldi
Celso Pansera, Finep - Financiadora de Estudos e Projetos
O conhecimento tradicional das comunidades amazônicas precisa dialogar com as pesquisas científicas e tecnologias avançadas de mitigação e adaptação, de forma a proporcionar o desenvolvimento de soluções climáticas efetivas e justas
Cestos lotados de açaí em um mercado na Amazônia: estudos da FAPERJ feitos com animais mostram que a suplementação alimentar com o extrato dos caroços dos frutos pode apresentar efeitos muito promissores nos tratamentos para a redução da glicemia, do colesterol e da gordura acumulada no fígado.
Foto de Jr Sardo
Pesquisa da UERJ mostra efeitos promissores do extrato da semente de açaí contra a obesidade e o diabetes
Bioindicadoras de condições ambientais, predadoras de vetores de doenças e lindas: as libélulas atraem a atenção de públicos de todas as idades e podem ajudar a desenvolver o ecoturismo na região amazônica.
Foto disponibilizada pelos autores
Inseto de grande beleza e importância para os ecossistemas aquáticos, as libélulas podem ajudar a desenvolver o ecoturismo. Mas, para isso, é preciso que políticas públicas deem apoio às iniciativas de comunidades locais.
Um estudante caminha para a escola em uma rua inundada pela subida do Rio Negro em Iranduba, Amazonas. Atualmente, mais de 700 escolas brasileiras estão em área de risco hidrológico, e outras 1.700 em áreas de risco geológico. Cerca de 75% delas pertencem ao sistema público.
AP Photo/Edmar Barros
Mais de 700 escolas brasileiras estão em área de risco hidrológico, 75% delas pertencentes ao sistema público, enquanto mais de 1.700 escolas se localizam em áreas mapeadas como de risco geológico
Pós-Doutora em Financiamento Climático pela Columbia University e Professora da Universidade Federal do Pará e do Centro Universitário do Estado do Pará., Universidade Federal do Pará (UFPA)