O estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, inteiramente alagado durante as inundações que arrasaram a cidade durante o El Niño de 2024: evidências indicam que o fenômeno este ano será ainda mais severo, provocando secas e inundações. Preparar-se antes requer planejamento e organização. Agir depois que a tragédia começou custa muito mais dinheiro - e vidas.
AP Photo/Carlos Macedo
Ainda não se sabe a intensidade exata do fenômeno, mas os sinais são suficientemente consistentes para justificar decisões e planejamento antecipado por parte dos governos e organizações da sociedade civil
Estudo conduzida na Floresta Nacional do Tapajós revelou que a maior parte da água usada pelas árvores para transpirar no período da seca não vem de reservas profundas do solo, mas sim de camadas superficiais.
Foto: Thananit_s/Envato Photos
Estudo conduzida na Floresta Nacional do Tapajós revelou que a maior parte da água usada pelas árvores para transpirar no período da seca não vem de reservas profundas do solo, mas sim de camadas superficiais
Bia, uma das onças sobreviventes dos incêndios de 2020, vive na área de uma inédita rede de corredores ecológicos criados pelos governos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, que cobrem todas as regiões do Pantanal e protegem o desenvolvimento de milhares de espécies de animais, vegetação nativa e cursos d'água.
Foto: Henrique Olsen/Folhapress
A seca e os incêndios de 2020 provocaram uma grande tragédia, mas ao mesmo também foi um recomeço, na forma de parcerias entre atores locais, instituições de pesquisa, governos e iniciativa privada
Um McDonald’s frita ao sabor do vento e das chamas no sul da Califórnia: Os ventos secos e fortes que descem as montanhas em direção ao sul do estado americano em janeiro este ano foram muito mais violentos, alimentando e espalhando incêndios florestais que atingiram a área urbana de diversos bairros e cidades próximas a Los Angeles.
Reprodução de Instagram / Stuart Palley
Os ventos secos e fortes que descem as montanhas em direção à costa do sul da Califórnia em janeiro este ano foram muito mais violentos, alimentando e espalhando incêndios florestais que atingiram a área urbana de diversos bairros da cidade
Até um terço dos habitats de anfíbios anuros poderão se tornar mais áridos até o final deste século - e ações para preservação desses animais são urgentes.
Rafael P. Bovo
Com metodologias como mapeamento espacial e modelagem biofísica, pesquisa mostra que cenários climáticos futuros podem ser desastrosos para anfíbios anuros.
Onça solitária descansa sob a vegetação incinerada à beira do rio Paraguai, durante as queimadas que estão assolando a região: área de vegetação atingida já é o dobro do registrado no mesmo período de 2020, quando mais de 17 milhões de animais pereceram.
Lalo de Almeida/Folhapress
Na maior região úmida tropical do mundo, incêndios ameaçam áreas prioritárias de restauração da vegetação e reforçam a urgência do Manejo Integrado do Fogo (MIF)
Fumaça de queimadas toma conta de Manaus: seca aumenta a vulnerabilidade da Amazônia e o risco de incêndios
Toa55/UnlimPhotos
É prematuro dizer que atual seca extrema é devido às mudanças climáticas, mas o aumento da frequência e intensidade destes eventos é uma ameaça que não podemos ignorar
Região da Volta Grande do Xingu já sofre com seca constante desde 2016, com o desvio da água do rio para operação da usina de Belo Monte, situação que está sendo agravada pela estiagem extrema deste ano
Robson Bentes
Desvio das águas do rio para geração de energia na usina hidrelétrica está matando ecossistemas amazônicos únicos que dependem do alagamento sazonal
Maior afluente da margem esquerda do Amazonas, o Rio Negro é conhecido pelas paisagens paradisíacas, águas frescas, limpas e abundantes, onde nadam botos cor-de-rosa. Hoje, boa parte de seu leito nas imediações de Manaus está assim.
AP Photo/Edmar Barros
Problema deverá afetar a região até meados de 2024, no mínimo. Os sinais de sua gravidade incluem os níveis mais baixos de água na cidade de Manaus em 121 anos.
Grandes máquinas trabalham na monocultura da soja numa fazenda em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul: a atual trajetória de desmatamento está diminuindo a capacidade da Amazônia e do Cerrado em regular os padrões de chuva, colocando os sistemas agrícolas do país no caminho do que os cientistas já estão chamando de “agro-suicídio”.
AP Photo/Eraldo Peres
Degradação ambiental e alteração das paisagens, tanto pela ação humana quanto pelas mudanças climáticas, aumentam a incidência de doenças já conhecidas e o risco da emergência de novas zoonoses
O fogo, que ocorre de maneira natural em biomas como o Pampa e o Cerrado, deveria ser exceção na Amazônia. Mas análises feitas entre 2011 e 2020 mostram que incêndios viraram regra, graças ao excesso de ações humanas de garimpo, extrativismo e agropecuária. E o ponto de não retorno pode já ter chegado.
AP Photo/Andre Penner
Proteger a Região Amazônica é vital para a estabilização do clima global e manutenção da biodiversidade, mas a destruição de causas antropogênicas não para de crescer.
“Engarrafamento” de barcos e casas flutuantes no leito seco do lago Puraquequara, no entorno de Manaus: combinação entre mudanças climáticas, El Niño acentuado e insistência em obras de enorme impacto ambiental contribuem para condição sem precedentes e de extrema urgência na região.
AP Photo/Edmar Barros
Combinação entre mudanças climáticas, El Niño acentuado e insistência em obras de enorme impacto contribuem para condição sem precedentes e de extrema urgência na região.
Vice-presidente executiva da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO) e professora visitante, Universidade Federal da Bahia (UFBA)