Apoiadores armados de Nicolás Maduro se reúnem perto do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, em 3 de janeiro de 2026.
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Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
O presidente Donald Trump afirmou que os EUA irão “governar” a Venezuela até que uma “transição segura, adequada e criteriosa” possa ocorrer. Mas isso ainda deixa muitas opções em aberto
Manifestantes se reúnem em frente à Casa Branca no sábado, 3 de janeiro de 2026, em Washington, após os EUA capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa em uma operação militar.
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Ofensiva americana envia uma mensagem inequívoca: a expansão chinesa em áreas sensíveis do hemisfério encontra resistência ativa. O recado se dirige a todos os governos que aprofundaram parcerias com Pequim em portos, minerais críticos, redes digitais e financiamento público
Apoiadores do presidente venezuelano Nicolás Maduro se abraçam no centro de Caracas, Venezuela, no sábado, 3 de janeiro de 2026, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que Maduro havia sido capturado e levado para fora do país.
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Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
Ataque se insere na “Doutrina Monroe 2.0”: uma afirmação vigorosa de que rivais extra-hemisféricos, como China, Irã ou Rússia e seus parceiros locais, não terão permissão para se entrincheirar às portas dos Estados Unidos
Donald Trump anuncia as bases da nova estrégia para oficiais da Base Área de Selfridge, em Michigan.
Foto: Molly Riley/Casa Branca
Política define que, para ser forte, soberana e relevante, União Europeia deve estar alinhada à agenda da Casa Branca, numa parceria que abandona a cooperação e assume contornos de tutela política e econômica
O Secretário de Defesa - cargo agora rebatizado para “secretário de guerra”- Pete Hegseth, durante a apresentação da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA.
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Nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos deixa de tratar a América Latina como espaço de cooperação estratégica e passa a enquadrá-la como área direta de contenção, controle e possível intervenção
O Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, na costa das Ilhas Virgens, no Caribe.
US Navy Photo
Mais do que a questão energética, o que está em jogo é a configuração do poder nas Américas. Washington tenta reafirmar sua autoridade histórica no hemisfério por meio de pressão militar, retórica de força e políticas migratórias altamente restritivas.
No Canal do Panamá, os Portos de Balboa (foto), do lado do Pacífico, e Cristóbal, do lado do do Golfo do México, movimentam cerca de 6% do comércio marítimo global. A presença chinesa nesses locais, administrados pela Hutchison Ports de Hong Kong, gera inquietação em Washington, que percebe esses contratos de longa duração como uma potencial influência econômica e estratégica externa. Em discurso público, Trump chegou a mencionar a necessidade de “recuperar” o controle do canal, o que evidencia o uso da retórica histórica para legitimar projeções de poder.
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O Canal do Panamá, os portos do Caribe e rotas próximas ao Atlântico Norte e Sul não são apenas pontos de trânsito de mercadorias: são nós críticos que conectam flutuações econômicas globais à presença militar
Nayib Bukele e Javier Milei, durante cerimônia na Casa Rosada, ano passado: considerados hoje os dois maiores líderes da direita radical na América Latina, os presidentes de El Salvador e da Argentina sofrem um revés com a derrocada do ex-presidente brasileiro e o provável enfraquecimento do bolsonarismo no país.
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André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Um dos poucos países que conseguiu reverter a onda recente de autocratização, Brasil abre precedentes para que outros países que passem por situações semelhantes tenham condições de responder com as ferramentas democráticas e evitar novos golpes e desvios
O presidente Donald Trump, à esquerda, e o presidente chinês Xi Jinping, à direita, apertam as mãos após a reunião de cúpula EUA-China em Busan, Coreia do Sul, na quinta-feira 30. Para lidar com a ordem bilateral das superpotências, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento precisarão articular uma agenda que combine política industrial verde, ampliação de acordos com a União Europeia (e/ou outros parceiros) e fortalecimento da cooperação regional.
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O acordo de Busan reforça a estabilidade dos mercados e reduz as incertezas financeiras. Mas, a médio prazo, acentua o desequilíbrio estrutural do sistema internacional: as grandes potências decidem, e os demais países se adaptam.
Mobilização de navios e ataques a barcos da Venezuela e da Colômbia foi justificada pela necessidade de “interromper rotas do tráfico”. Mas o que está em curso é uma tentativa de reposicionar o poder norte-americano em seu entorno geopolítico. E reafirmar o controle de uma região que os EUA consideram seu quintal e sua retaguarda estratégica.
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Estratégia é reforçar controle sobre quintal latino-americano, diminuindo momentaneamente o esforço bélico no teatro de operações principal (Eurasia, Oriente Médio e Pacífico) para reforçar o palco secundário (América Latina e Atlântico Sul)
Com a diminuição da centralidade das potências ocidentais e a ampliação dos polos de influência, o multilateralismo se transforma e da oportunidades a países do Sul Global, especialmente os da América do Sul.
Foto: Nações Unidas
Desafio para o Brasil está em transformar discursos de autonomia em políticas concretas e sustentáveis, atuando como protagonistas na disputa global
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, discursa durante a última 80 Assembleia Geral da ONU: crise da entidade é um reflexo do contexto mais amplo da política internacional, em que há uma perceptível redistribuição de poder resultante da ascensão de países emergentes, sobretudo a China, e a redução relativa do poder norte-americano e europeu.
Aniversário ocorre em um momento de crise de representatividade da ONU, envolvida numa nova ordem mundial com crescentes disputas e competição entre os principais blocos de países e interesses internacionais.
Lula e Trump na ONU: discursos antagônicos representaram duas visões distintas do mundo que estão levando a uma nova divisão econômica e geopolítica mundial, e que tem o BRICS como bloco cada vez mais protagonista.
Montagem com fotos de Angelina Katsanis e Richard Drew /AP Photo
Falas configuram duas visões antagônicas sobre comércio exterior e geopolítica.
Um marcado pela defesa do multilateralismo, outro focado na construção de uma nova ordem internacional baseada na competição econômica sem limites
Numa coletiva de imprensa em Caracas, o presidente Nicolás Maduro tenta mostrar que o combate ao narcotráfico, razão alegada pelos EUA para mobilizar navios, tropas e aviões no Caribe Venezuelano, não se sustenta, visto que 87% do fluxo de drogas da América do Sul para os EUA ocorre pelo Oceano Pacífico.
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Segundo relatos, militares venezuelanos consideram bastante provável uma operação limitada dos EUA para invadir a Venezuela, sob o pretexto de combater o narcotráfico mas de olho no petróleo e na queda de Nicolás Maduro
Considerado um dos encontros internacionais mais importantes de 2025, a realização da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) reuniu líderes de vinte países, entre eles Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi, que fazem parte do BRICS. O evento projetou uma visão alternativa da ordem internacional, menos dependente dos EUA e mais ancorada na Eurasia. A questão que surge é se existe espaço para o Brasil nessa dinâmica.
Suo Takekuma/Pool Photo via AP
A cúpula de Tianjin mostra que o eixo do poder mundial se desloca cada vez mais para Eurásia. Brasil pode ampliar sua inserção internacional, mas precisa prudência diante do cenário de sanções que tornaram tarifas em armas da política global
Manifestantes em Anchorage, capital do Alasca, horas antes do encontro marcado entre Putin e Trump: o líder russo quer reconhecimento de sua política de expansão; jáo presidente americano quer palco para valorizar a nova postura protecionista e anti-multilateralista dos EUA.
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Com a guerra na Ucrânia em um impasse, Rússia busca consolidar ganhos territoriais e obter o reconhecimento. Já Trump tende a usar o encontro como palco para reafirmar seu estilo de negociações diretas, sem alianças multilaterais e foco em interesses econômicos imediatos
Um sorridente Javier Milei cumprimenta Trump em viagem aos EUA. Para conseguir as tarifas mais baixas da América do Sul, Milei aliou-se econômica e ideologicamente aos EUA. Anunciou que vai conceder cidadania a grandes investidores americanos e ameaça deixar Mercosul para criar acordo de livre comércio com os EUA. Mas nada é garantido diante do caráter volátil da atual política externa americana.
Foto: Embaixada dos EUA na Argenina
Preservar fronteiras já não é suficiente. Para um país manter-se soberano hoje, é preciso capacidade de reação frente a dispositivos extraterritoriais, sanções e normas aplicadas por potências dominantes.
Ao comentar os assassinatos em Manhattan, Donald Trump classificou o atirador como um “lunático enlouquecido” e descreveu o ataque como um ato “sem sentido”, de “pura maldade”. Mas o que Trump tenta colocar à distância funciona como uma metáfora perturbadora da política que ele próprio conduz, com critérios duvidosos para ameaçar países aliados com tarifas e sanções.
Ilustração gerada por IA no Envato Labs
Os ‘disparos’ de Trump tendem a ultrapassar os alvos primários: podem desorganizar cadeias produtivas das quais os próprios EUA dependem, pressionar a inflação e alimentar a instabilidade nos mercados globais
Donald Trump e os presidentes da Senegal, Guiné-Bissau. Gabão e Mauritânia, durante almoço na Casa Branca cujo tema foi mineração: interesse dos EUA nas jazidas de minerais críticos na África - e no Brasil também - é cada vez mais voraz, pelo emprego estratégico destes materiais na fabricação de baterias e outras tecnologias essenciais para a transição energética.
Evan Vucci / AP Photo
Se por muitos anos a política americana para a África foi marcada por programas de ajuda e cooperação, agora a lógica se volta ao comércio e à disputa direta com a China pelo controle das cadeias produtivas do futuro
Os presidentes Cyril Ramaphosa (África do Sul), Prabowo Subianto (Indonésia) e Lula na cúpula dos Brics, no Rio. Participação do Brasil no Brics é importante para diversificação e não-alinhamento, mas “é chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade”.
Joédson Alves/Agência Brasil
É chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade