Os presidentes Cyril Ramaphosa (África do Sul), Prabowo Subianto (Indonésia) e Lula na cúpula dos Brics, no Rio. Participação do Brasil no Brics é importante para diversificação e não-alinhamento, mas “é chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade”.
Joédson Alves/Agência Brasil
É chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade
Xi Jinping e Vladimir Putin durante a Cúpula do BRICS de 2024, em Kazan: a ausência dos presidentes da Rússia e da China no encontro deste ano no Brasil reflete indiretamente uma redução da relevância do bloco no atual contexto geopolítico internacional. No Rio, nenhum acordo multilateral relevante será assinado.
Foto: Maxim Shipenkov/Reuters/Folhapress
A presidência brasileira do BRICS preparou uma Cúpula modesta em acordos multilaterais. Ao longo do ano, apresentou eventos reduzidos no escopo da agenda institucional, e poucas atividades no contexto da Diplomacia Pública
Para muitos brasileiros, os esforços liderados pelo governo dos EUA para aumentar os gastos com defesa na OTAN podem soar distantes. Mas, em um mundo cada vez mais militarizado, o novo ciclo de gastos globais em defesa afeta diretamente questões do nosso dia a dia.
Ben Stansall/Pool Photo via AP
De um lado, aumentar o orçamento de defesa no Brasil implicaria deslocar recursos de áreas como saúde, educação e combate à pobreza. Por outro, ficar de fora dessa agenda pode significar isolamento em debates estratégicos e perda de relevância internacional
O Brasil se destaca na diplomacia, mas também domina a tecnologia de enriquecimento de urânio e investe na construção de quatro submarinos convencionais (como o Humaitá, na foto acima) e um nuclear, através do Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil).
Foto: Divulgação / Marinha do Brasil
País não é uma peça marginal neste contexto geopolítico. Dimensões continentais, programa nuclear próprio, ambições de liderança regional e uma trajetória consolidada no campo da diplomacia multilateral são as provas disso
Reunião dos ministros das Relações Exteriores do BRICS no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, em junho de 2025: apesar da inflexão para a geopolítica, grupo continua a desempenhar papel estratégico na promoção de reformas financeiras estruturais, em articulação com outros países em desenvolvimento.
AP Photo/Bruna Prado
Agenda reformista do grupo foi perdendo força à medida que as tensões internacionais se intensificaram. Por outro lado, grupo se transforma em coalização cada vez mais poderosa
Manifestantes se reúnem do lado de fora da Casa Branca, domingo, 22 de junho de 2025, em Washington, para protestar contra o ataque militar dos EUA em três locais no Irã no início do domingo.
AP Photo/Jose Luis Magana
Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
O bombardeio das instalações iranianas parece mais um capítulo do modelo de guerra que os EUA vêm aperfeiçoando desde 11 de setembro de 2001: intervenções pontuais, juridicamente ambíguas, tecnologicamente sofisticadas e de alto impacto midiático.
Equipe de TV transmite ao vivo choro de mãe palestina após a morte do filho após ataque ataque aéreo israelense em Gaza: na era da guerra ao vivo, a mídia corporativa, aliada do complexo político industrial militar, abre o teatro de operações comunicacional em que as narrativas transformam a guerra em espetáculo e mercadoria.
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É preciso ampliar o acesso aos grandes debates tecnológicos e estratégicos por meio de plataformas participativas que integrem cidadãos, pesquisadores e formuladores de políticas.
O Irã tem algumas escolhas difíceis pela frente. O país prometeu uma resposta contundente, mas pode ser limitado no que realmente pode alcançar
Dangerous friendship? The US president, Donald Trump, meeting with the Israeli prime minister, Benjamin Netanyahu, in Washington in February,
AP Photo/Alex Brandon
A decisão do presidente dos EUA de se juntar à campanha aérea de Israel contra o programa nuclear do Irã é a sentença de morte da antiga ordem baseada em regras.
Um ativista agita bandeiras revolucionárias da Síria, celebrando a derrubada do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024: a queda do regime sírio foi o primeiro sinal de esgotamento do chamado “eixo da resistência” formado por Irã, Síria e Hezbollah.
AP Photo/Hussein Malla
Os próximos meses serão decisivos para saber se surgirá uma nova ordem ou se o vazio de poder abrirá caminho para mais conflitos
Bandeiras dos países-membros do BRICS no salão azul do Senado Federal, durante o Fórum Parlamentar do BRICS realizado no começo de junho em Brasília.
AP Photo/Eraldo Peres
Alcançar a justiça climática exige enfrentar desigualdades estruturais e criar mecanismos de reparação, redistribuição e acesso ao financiamento para a justiça climática
Moradores abandonam às pressas prédio bombardeado em Tel Aviv: dentre os cenários possíveis, uma escalada regional de violência no Oriente Médio é um dos mais preocupantes.
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Seja qual for o desfecho, conflito entre Israel e Irã mostra que o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio está mudando rapidamente. E isso afeta economias, alianças políticas e decisões estratégicas em várias partes do mundo
“Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”: sob esse lema, o Brasil estruturou sua atuação na presidência do BRICS em seis eixos prioritários, que são a facilitação do comércio e investimentos; a reforma das instituições multilaterais de paz e segurança; o enfrentamento às mudanças climáticas; a governança da inteligência artificial; o fortalecimento institucional do BRICS e a cooperação Sul-Sul com foco em saúde global.
Mauro Pimentel/Pool via AP
Conflitos armados, mudanças climáticas, fragilidades no sistema global de saúde e desregulamentação das tecnologias digitais estão entre os desafios que a presidência do Brasil no grupo está enfrentando
Cientista brasileiro se equipa na sala na sala de secagem da Estação Antártida Comandante Ferraz, na Ilha do Rei George: o ambiente polar, antes dominado por uma cultura de cooperação científica, passou a incorporar elementos de competição e vigilância, e o Brasil ainda carece de posicionamento mais assertivo para manter sua posição frente aos interesses cada vez maiores de EUA, China e Rússia.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
O Brasil está diante de uma escolha estratégica: investir e se manter protagonista, ou correr o risco de ser espectador em um processo de redefinição das regras globais
Trump e Putin: apesar da aparente aproximação atual entre EUA e Rússia, a percepção de Moscou como uma ameaça ao Ocidente se mantém desde ao fim da Guerra Fria, mais como um reflexo das políticas dos EUA do que como uma realidade objetiva.
AP Photo/Evan Vucci)
Desde o fim da Guerra Fria, a percepção de Moscou como uma ameaça ao Ocidente existe mais como um reflexo das políticas dos EUA do que como uma realidade objetiva
Incongruências do discurso que nega os efeitos das mudanças climáticas e refletem um radicalismo que se afasta cada vez mais do conservadorismo tradicional
A parceria com a Suécia para a produção do caça Gripen (foto) é um exemplo raro de projeto bem sucedido de transferência de tecnologia de defesa para o Brasil.
Foto: Divulgação
O modelo brasileiro de aquisição de defesa ainda é marcado por descontinuidade, dependência orçamentária e ausência de coordenação regional
Fábrica de veículos elétricos da BYD em construção em Camaçari, na Bahia: Com infraestrutura logística em expansão e acordos bilaterais em andamento, o Brasil pode consolidar-se como um destino estratégico para a relocalização de plantas industriais.
AP Photo/Eraldo Peres
Pragmatismo, coragem diplomática e inteligência estratégica brasileira podem finalmente convergir para abrir um novo ciclo de liderança sul-americana com alcance global
Guardas suíços de prontidão para receber os cardeais que chegam para o conclave: O Vaticano segue como ator geopolítico resiliente, cuja força não depende de poder militar, mas de sua capacidade de mediar. O funeral do Papa Francisco reafirmou essa posição, servindo de palco para importantes movimentos diplomáticos.
AP Photo/Andreea Alexandru
O Vaticano segue como ator geopolítico resiliente, cuja força não depende de poder militar, mas de sua capacidade de mediar. O funeral do Papa Francisco reafirmou essa posição, servindo de palco para importantes movimentos diplomáticos.
Trump, em mais um discurso raivoso, durante a campanha para a presidência, ano passado: Ações de política externa do atual governo dos Estados Unidos revelam visão anacrônica da atual geopolítica e da economia global.
AP Photo/Alex Brandon
Trump procura construir uma narrativa para justificar o processo de enfraquecimento econômico e geopolítico do país, retirando das próprias elites norte-americanas os erros na condução do país.