A IA já está remodelando a ordem global por meio das cadeias internacionais de suprimentos, da política industrial, dos mercados de trabalho, do planejamento energético e do espaço informacional.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
A IA já está remodelando a ordem global por meio das cadeias internacionais de suprimentos, da política industrial, dos mercados de trabalho, do planejamento energético e do espaço informacional
Mísseis balísticos russos RS-24 Yars desfilam pela Praça Vermelha durante uma parada militar do Dia da Vitória em 2020: sem as limitações do tratados, os dois países podem dobrar seu número de armas em questão de meses, e outras nações podem buscar desenvolver ou fabricar suas próprias armas.
Alexander Zemlianichenko/AP
A expiração do tratado dará um fim definitivo e alarmante à contenção nuclear entre as duas potências.
Jovens iranianos passam por um prédio coberto por um outdoor gigante com a imagem do USS Abraham Lincoln destruído.
Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images
O governo Trump pediu ao Irã que encerrasse definitivamente seu programa nuclear. Mas ameaças de uso da força podem prejudicar os esforços de não-proliferação
O presidente Donald Trump assina a criação do “Conselho da Paz”, ao lado de presidentes de países como Albânia, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Bulgária, Egito, Hungria, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Kosovo, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, além dos vizinhos Argentina e Paraguai: instrumento para converter o peso militar e financeiro dos EUA em autoridade reguladora sobre conflitos globais.
AP Photo/Markus Schreiber
Para o Brasil, aceitar o Conselho proposto por Trump seria institucionalizar uma estrutura que fixa o desequilíbrio a favor dos EUA e reduz o espaço de manobra de potências médias que aspiram a papel de articuladoras entre blocos
Poucos dias após o discurso de Mark Carney no Fórum Econômico Mundial em Davos, (foto) Donald Trump ameaçou impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o país avançasse em um acordo de livre comércio com a China.
AP Photo / Markus Schreiber
Edna Aparecida da Silva, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU)
Autonomia, integração e a longa história de tensões nas relações Canadá–EUA
Ao afirmar que os Estados Unidos “querem um pedaço de gelo para a proteção do mundo e que a Dinamarca se recusa a concedê-lo, Trump constrói uma narrativa de direito histórico e moral sobre a Groenlândia, instrumentalizando o passado como base para reivindicações presentes.
AP Photo/Alex Brandon
Trump não anuncia uma invasão imediata, mas reafirma uma lógica de pressão contínua sobre aliados, tratados não como parceiros estratégicos, e sim como subordinados
Manifestantes protestam contra a intervenção americana na porta da embaixada dos EUA em Caracas: as ações militares na Venezuela são uma afronta à soberania do país e ao Direito Internacional, mas não podem ser analisadas isoladamente. Elas se inserem num contexto de transformação mais ampla da geopolítica contemporânea, que passou a dividir espaço com abordagens temáticas mais diversificadas.. AP Photo/Ariana Cubillos.
O ataque à Venezuela traz de volta à tona perspectivas clássicas de poder, e devem ser entendidos menos como objetivos concretos e mais como instrumentos políticos e discursivos de pressão
Barcos de pesca partem de Zhoushan, China: navios permanecem no mar por meses, muitas vezes em águas longe do litoral de seus países, em práticas de sobrepesca que degradam ecossistemas marinhos e afetam a subsistência de populações costeiras.
Zou Xunyong/VCG via Getty Images
A expansão do transporte marítimo no Ártico, a corrida pela mineração do fundo do mar e a pesca excessiva são fatores de pressão nas relações internacionais.
Navio da Marinha Real Dinamarquesa patrulha a costa da capital da Groenlândia, Nuuk: interesse de Trump na ilha faz parte da nova configuração geopolítica e econômica mundial.
AP Photo/Evgeniy Maloletka
Edna Aparecida da Silva, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU)
Houve uma transformação profunda na forma como os EUA articulam poder, economia e segurança. Essa dinâmica tem produzido a exclusão de capitais chineses por meio de participações minoritárias, estruturas societárias indiretas ou projetos classificados como sensíveis do ponto de vista geopolítico
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante a reunião de cúpula do BRICS, em julho de 2025 no Rio de Janeiro: entrada do país do Oriente Médio no grupo é estratégia multilateralista defendida pelo Brasil, que não teria nada a ganhar com um eventual conflito militar com os EUA.
AP Photo / Eraldo Peres
A presença do Irã no BRICS Plus reforça a ambição do grupo de atuar como espaço de coordenação política fora do eixo euro-atlântico. Ataque americano ao Irã colocaria essa estratégia a perder
Fazendeiros franceses protestam contra o acordo de comércio da União Europeia com o Mercosul em frente ao Arco do Triunfo, em Paris: já aprovado, o acordo tem sua assinatura prevista para o dia 17 de janeiro.
AP Photo / Emma da Silva
Ao instrumentalizar ameaças geopolíticas inclusive contra aliados, os EUA deixaram de atuar como parceiro estratégico e passaram a se comportar como um parceiro constrangedor, politicamente coercitivo e estrategicamente imprevisível.
Plantação de soja no Mato Grosso: especialistas destacam que os maiores ganhos do acordo para o Brasil concentram‑se nela, na carne, no café, na celulose, no açúcar e no etanol, segmentos em que o país já detém vantagem competitiva.
AP Photo/Andre Penner
Para o Mercosul e o Brasil, a questão central reside em saber se o ganho de mercado, reputação e diversificação compensa a consolidação de uma inserção internacional ainda regulada pelos padrões definidos em Bruxelas
Manifestantes seguram cartazes satirizando o presidente Trump e o presidente argentino, Javier Milei, durante um protesto em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires: a difícil nova conjuntura mundial que se avizinha - especialmente para as sociedades latino-americanas - não pode levar ao imobilismo, e nem se pode menosprezar o potencial da população norte-americana de conter os excessos de seu atual governo.
AP Photo/Victor R. Caivano
Ameaças militares, diplomacia coerciva ou intervenções com o uso da força começam a se tornar “normais”, e o arcabouço de normas, princípios e direitos universais se esvai
A empresa petrolífera estatal venezuelana enfrenta problemas relacionados com o envelhecimento das infraestruturas.
Michael Robinson Chavez/The Washington Post via Getty Images
As empresas petrolíferas americanas nunca deixaram de investir e operar na indústria petrolífera da Venezuela, apesar das muitas mudanças nos termos do seu envolvimento
Lula, Trump e a implosão do multilateralismo: processo de erosão do espaço diplomático brasileiro na questão da Venezuela já havia sido exposta anteriormente. Em maio de 2025, uma operação secreta dos EUA retirou, em poucas horas, cinco opositores do governo Maduro que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, então sob tutela brasileira.
AP Photo/Mark Schiefelbein
Apesar de ambições declaradas de liderança regional e global, o Brasil demonstrou carecer de mecanismos eficazes de antecipação de crises, inteligência integrada e protocolos claros de resposta a eventos de alta complexidade estratégica
Já houve dias melhores: o presidente venezuelano Nicolas Maduro, à esquerda, em reunião com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã, em 22 de outubro de 2016.
Gabinete do Líder Supremo do Irã, via AP
Talvez ninguém fora da Venezuela deva se preocupar mais com a invasão dos EUA e o sequestro do presidente Nicolás Maduro do que o líder supremo da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei
Responda rápido: essa foto mostra um Nicolás Maduro capturado, preso, deposto, extraditado ou sequestrado? A resposta pode depender do alinhamento político ou ideológico de quem a descreve, e achar o termo mais correto só não é tão difícil quanto saber o que esperar do “julgamento” de alguém acusado sem provas, detido por forças estrangeiras e transportado com vendas nos olhos para comparecer perante o juízo de um país que, segundo a própria ONU, o Papa e até o jornal The New York Times, agiu de forma ilegal e imprudente.
Imagem: Truth Social/@realDonaldTrump/Reprodução
Yasmim Abril M. Reis, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas
O que está em disputa é a legitimidade sobre o destino dos países do continente e o respeito a suas soberanias e recursos naturais e energéticos
Nas fotos oficiais divulgadas pela Casa Branca, o presidente Trump parece monitorar atentamente as operações militares dos EUA na Venezuela, ao lado do secretário de Defesa Pete Hegseth e do diretor da CIA John Ratcliffe. As imagens mostram inconsistências, como cabos de telefone desconectados e monitores ligados em redes sociais. Mas no teatro de guerra real, o espetáculo da força militar americana cumpriu sua função: reivindicou uma América Latina alinhada e submissa, deixando claro que a dissidência tem custos elevados.
Molly Riley/Casa Branca via AP
Ao dissolver a fronteira entre o doméstico e o internacional, criminalizar lideranças estrangeiras e subordinar a soberania latino-americana a interesses estratégicos, Washington reitera uma lógica imperial que atravessa séculos.
Manifestantes se reúnem em frente ao Capitólio do Estado de Ohio, em Columbus, Ohio, no domingo, após os EUA capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa em uma operação militar. As políticas extraordinárias americanas passam a ser justificadas por avaliações unilaterais de risco futuro. O resultado é uma política externa que opera de forma preventiva não apenas no plano militar, mas também jurídico, econômico e diplomático.
AP Photo/Jessica Phelps
Em um cenário já marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo, a lógica da guerra contra as FTOs contribui para tornar a ordem internacional menos previsível, onde alguns Estados se arrogam o direito de definir quais soberanias são plenas e quais são condicionais.