O ultradireitista Abelardo de la Espriella discursa após vitória no primeiro turno das eleições presidenciais: advogado penalista de 47 anos, De la Espriella ficou famoso na Colômbia por defender paramilitares e figuras ligadas ao tráfico de drogas, e construiu sua campanha como uma estratégia que inclui palavrões em discursos, roupas militares e frases de efeito que viralizam nas redes sociais.
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Eleição colombiana mostra que a disputa no continente não é apenas entre esquerda e direita — é também entre modelos diferentes de poder, segurança e relação com a democracia
Representantes de movimentos sociais e trabalhadores enfrentam a polícia nas ruas de La Paz: falta de soberania sobre recursos naturais, inequidade no ajuste fiscal e nebulosidade nas alianças geopolíticas são questões sobre as quais o Brasil precisa ficar cada vez mais atento.
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A assimetria econômica boliviana — mais sacrifício para os pobres, mais alívio para os ricos — é um padrão recorrente na América Latina, que o país andino atualiza com nitidez perturbadora
O secretário da Guerra norte-americano, Pete Hegseth, e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, posam para uma fotografia com militares e líderes de segurança de países latino-americanos e do Caribe, na Conferência Inaugural das Américas contra os Cartéis, ocorrida nos EUA no começo de março de 2026.
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A nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo dos EUA prevê reforço da vigilância de fronteiras e rotas marítimas, cooperação de inteligência, rastreamento financeiro e integração de ações diplomáticas, militares e de segurança para combater tráfico de drogas, armas e pessoas
A crescente rivalidade entre China e Estados Unidos em torno de Taiwan (foto) adiciona um novo ponto de pressão no complicado cenário de tensões que incluem os conflitos na Ucrânia e no Irã, em Israel, na Faixa de Gaza e no Líbano, entre outros.
Foto: Ministério das Relações Exteriores de Taiwan
Um elemento decisivo dessa nova configuração é a ascensão do Sul Global. Países da Ásia, África e América Latina diversificam parcerias e evitam alinhamentos automáticos com potências tradicionais
A tripulação do submarino nuclear Bryansk, da Marinha russa, realizando exercícios no Atlântico Norte: frota passou mais de um mês mapeando cabos e dutos submersos que transmitem dados digitais entre diversos países do Ocidente.
Foto: Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia
É pelos cabos submarinos de fibra ótica que transitam 95% do tráfego intercontinental de dados, e garantir sua segurança é uma tarefa difícil
Integrantes da Guarda Revolucionária iraniana se apresentam numa base militar para integrar o esforço de fechamento do Estreito de Ormuz, na semana em que o presidente Donald Trump prometeu “destruir a civilização” do Golfo Pérsico: confronto no Oeste da Ásia expõe a ausência de um caminho multilateral confiável para a desescalada das tensões geopolíticas que se espalham pelo mundo.
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Por que algumas guerras se contêm e outras se alastram? A resposta raramente está apenas no campo de batalha. Está no estado das instituições que deveriam gerenciá-las — e no peso acumulado das crises que vieram antes
O poetroleiro russo Arctic Metagaz, sendo rebocado por uma embarcação líbia até as proximidades das águas territorias de Malta, onde agora se encontra novamente à deriva: segundo o WWF, o risco de vazamento de sua carga de petróleo e gás natural em pleno Mediterrâneo é “extremamente elevado e potencialmente irreversível”.
Foto: Marinha da Líbia
Um petroleiro russo à deriva no Mediterrâneo expõe como a fluidez do oceano derrota a rigidez das fronteiras — e quem paga a conta é o ecossistema
Uma imagem Che Guevara ao lado de uma TV que mostra o atual presidente cubano Miguel Diaz-Canel discursando, dentro de uma loja de souvenirs em Havana: como nos anos 90, dificuldades de abastecimento, problemas energéticos, queda do poder de compra, desencanto com o futuro e nova onda de emigração voltam à pauta de preocupações. Mas a crise atual é qualitativamente distinta. Cuba hoje é um país muito mais maduro economicamente.
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Da crise econômica dos anos 1990 às ameaças recentes de Donald Trump de “tomar” Cuba, a ilha oscila entre reformas silenciosas e pressão externa – capitalismo de Estado ou tutela direta de Washington
O FPSO P-74 da Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos: produção crescente de óleo com alto teor de qualidade e custos competitivos em comparação a outros produtores coloca o Brasil em posição estratégica, em meio a choques de oferta provocados pela guerra na Ucrânia, pelas sanções à Rússia, pelos ataques ao Irã e pelo bloqueio no Estreito de Ormuz.
Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras
Brasil de usar o momento para fortalecer cadeias industriais e tecnológicas, em vez de se limitar ao papel de exportador de commodities. Ganhos com petróleo, grãos e fertilizantes podem financiar infraestrutura, inovação e reindustrialização verde.
Navio petroleiro no Estreito de Ormuz, fechado desde o dia 2 de março: estratégia do Irã demonstra que um país com capacidade militar limitada pode, por meio do controle de um gargalo marítimo estratégico, impor custos econômicos a todo o planeta.
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O controle dos gargalos comerciais marítimos confere um tipo de poder que não depende de orçamento militar nem de arsenal nuclear. Basta ter posição geográfica e disposição para usá-lo
Um homem caminha pelo litoral de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, às margens do Estreito de Ormuz repleto de navios petroleiros parados.
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Para o Brasil e a América Latina, o impacto imediato é um breve alívio nos preços, mas também um alerta sobre vulnerabilidades que afetam desde o diesel utilizado na agricultura até a produção de fertilizantes
Fuzileiros navais dos EUA cruzam a fronteira do Kuwait para invadir o Iraque em 2003: mais de 20 anos depois, sucesso militar da derrubada do regime de Saddam Hussein deixou para trás um Estado autoritário com fortes laços com o Irã.
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Mais de 20 anos após o sucesso militar dos EUA no Iraque, o resultado dos esforços americanos para mudar o regime não foi o esperado, e ditadores com laços estreitos com o Irã governam o país.
Donald Trump, durante reunião do Conselho da Paz: presença de ditadores e do presidente do Banco Mundial expõe os verdadeiros objetivos do conselho na Faixa de Gaza - e eles nada têm a ver com a segurança do povo Palestino.
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Presença do presidente do Banco Mundial no Conselho da Paz e escancara a perniciosidade da relação dos EUA com a instituição
Covas abertas às pressas num cemitério em Teerã: quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos foram seguidos por retaliações contra bases militares americanas e também contra áreas civis e infraestrutura sensível, o ciclo de pressão transformou-se em guerra aberta.
Foto: Departamento Iraniano de Mídia Estrangeira, via AP
Ao tornar exigências públicas e mobilizar forças militares, os EUA elevaram o custo político de recuar. Diante da ausência de concessões nos termos esperados, a lógica da credibilidade empurrou a crise para o uso efetivo da força
Iranianos residentes em Istambul, na Turquia, queimam cartaz com a imagem de Donald Trump, durante protesto na porta da Embaixada de Israel após o anúncio da morte do líder Ali Khamenei.
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Legítima defesa preventiva e retaliação à violência interna do regime estão entre as falácias usadas por Trump e Netanyahu para justificar a operação
O presidente Trump aparentemente discute ações relacionadas ao ataque dos EUA e de Israel ao Irã, em foto divulgada pela Casa Branca: falha da diplomacia tradicional na resolução de conflitos e na mediação de acordos coloca populações locais sob constante e violenta ameaça em nome do discurso da “segurança”.
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Como tem sido praxe em conflitos, guerras e invasões recentes, estados condenam certas ações políticas e militares, mas raramente tomam medidas práticas que garantam a proteção de seus cidadãos
Em 2022, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky assinou formalmente o pedido de adesão do país à União Europeia apenas 36 horas após a invasão russa. No ano passado, a Ucrânia finalmente foi incluída pela primeira vez nos relatórios formais do Pacote de Alargamento da UE. Ainda assim, a adesão plena permanece incerta.
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O caminho da Ucrânia rumo à UE não será fácil; ao contrário, será politicamente sensível e juridicamente exigente, exigindo reformas profundas, estabilidade institucional e o fim de uma guerra que ainda redefine o destino do país e da própria Europa
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à esquerda, e o chanceler alemão Friedrich Merz se encontram em Munique, Alemanha, na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, na Conferência de Segurança de Munique.
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Para a América Latina, a lição é dupla: fortalecer capacidades próprias de defesa e gestão de crises, sem cair em corridas armamentistas insustentáveis, e defender com consistência princípios de não intervenção, solução pacífica de controvérsias e respeito a direitos
Na alegoria de um desfile de carnaval deste ano na Alemanha, Donald Trump aparece dançando - no seu melhor estilo “intervencionista” - com uma Estátua da Liberdade que mais parece uma menina acuada, silenciada pela mordaça que pede “Make America Great Again”: retrato bem-humorado de um presidente que está pondo abaixo os alicerces de liberdade e democracia que sempre marcaram o discurso de todos os seus antecessores.
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Flávio Limoncic, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
A única superpotência restante no mundo demonstra não ter compromisso sequer com a construção de uma nova governança global que procure enfrentar os desafios ambientais e sanitários do presente
Os presidentes do Brasil, Panamá
Da esquerda para a direita, os presidentes Bernando Arévalo, da Guatemala; Lula, do Brasil; José Raúl Mulino, do Panamá; Sergio Díaz Granados, do Banco de Desenvolvimento da América Latina; Rodrigo Paz, da Bolívia; Daniel Noboa, do Equador; e o primeiro ministro da Jamaica, Andrew Holness, durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, ocorrido em janeiro de 2026 no Panamá: na nova conjuntura geopolítica e comercial global, a unidade latino-americana deixa de ser um projeto apenas identitário, e assume contornos de sobrevivência estratégica.
Foto: Divulgação / Presidência do Panamá
Na América Latina, regimes autoritários e polarização ideológica profunda comprometeram a construção de instituições regionais duradouras. Mas a desunião regional deixou de ser neutra