Policiais enterram colega do BOPE morto no confronto onde dezenas de criminosos foram executados: no calor da tragédia, autoridades e parlamentares evocaram o modelo de El Salvador, que aplica encarceramento em massa sob a bandeira do “combate às gangues”. A experiência, celebrada pela extrema direita global, tornou-se símbolo não de eficiência, mas de suspensão de direitos fundamentais.
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No calor da tragédia, e com intenções eleitorais, políticos brasileiros evocaram o modelo de El Salvador, que aplica encarceramento em massa sob a bandeira do “combate às gangues”. A experiência, celebrada pela extrema direita global, tornou-se símbolo não de eficiência, mas de suspensão de direitos fundamentais
Em resposta à ação policial deflagrada na área do Complexo do Alemão e da Penha nos dias 28 e 29 de agosto de 2025, a cidade do Rio de Janeiro registrou uma série de distúrbios. Várias vias fechadas, ônibus sequestrados e pedras sendo lançadas contra viaturas policiais e carros que passavam por vias expressas. Esse cenário de caos, infelizmente, não parece novidade, tampouco tem prazo para acabar.
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Pablo Nunes, Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC)
Desde 2020, o Rio de Janeiro teve cinco chefes de Polícia Civil, tendo um deles ficado no cargo por apenas 17 dias. Sinal claro de que falta um plano concreto para a segurança pública do estado
Policiais militares escoltam suspeitos presos na operação contra líderes de quadrilhas no Complexo do Alemão: tráfico de drogas é só um braço da economia criminosa brasileira, que deixou os becos para ocupar também salas de reuniões, constar de balanços patrimoniais e cadeias de suprimentos essenciais - em todo o país e até fora dele.
Foto: Egberto Ras/Agencia Enquadrar/Folhapress
A economia criminosa do Brasil deixou os becos para ocupar também salas de reuniões, constar de balanços patrimoniais e cadeias de suprimentos essenciais
Pesquisa feita com estudantes do segundo ano do ensino médio de escolas do Rio de Janeiro apontou que o tipo de vitimização mais frequente é a emocional, seguida da violência física. A violência sexual no namoro também chamou a atenção.
Imagem: Pixabay
A pesquisa foi feita com estudantes do segundo ano do ensino médio de escolas públicas e privadas do Rio de Janeiro, e apontou que o tipo de vitimização mais frequente é a emociona, seguida da violência física
Na foto meramente ilustrativa de um banco de imagens, um retrato da violência contra a mulher: uma tragédia que, muitas vezes, não se encerra no crime em si, e se repete no descaso, no preconceito e na desvalorização da vítima durante os processos de investigação, denúncia e julgamento.
Foto: rawpixel/Freepik
A chamada “paralisia induzida por estupro” observada em mulheres vítimas de violência sexual pode atingir até 70% das vítimas. O fenômeno muitas vezes alimenta o preconceito e prejudica a investigação do crime.
Abordagens policiais sem método, que podem levar a agressões extremas: ainda se sabe muito pouco sobre como decisões são tomadas durante estas abordagens, mas um estudo do Departamento de Letras da PUC-Rio sugere que a falta de conhecimento sobre linguagem corporal por parte dos agentes da lei pode levar a atitudes violentas sem necessidade.
Thiago Gomes/Agencia Para via AP
Pesquisa sugere que treinamentos de policiais com vídeos de casos reais poderiam prepará-los para atuar melhor em situações de estresse
Confrontos entre cidadãos e forças policiais do FBI, ICE e Guarda Nacional nas ruas de Los Angeles escalam em violência: parte da população sai em defesa de imigrantes legais e cidadãos americanos de origem estrangeira que estão sendo presos e deportados irregularmente, na nova e radical política migratória do governo federal.
Jae C. Hong/AP
Trump sempre se beneficiou ao criar crises para promover sua agenda. Ao demonizar os manifestantes em Los Angeles como multidões insurrecionistas, ele prepara terreno para uma escalada ainda maior de violência e autoritarismo
Alunos do Colégio com Supervisão Militar Rio Tocantins, no Pará, perfilados para cerimônia de hasteamento da bandeira: imposição de disciplina militar no ensino público estadual de certos estados brasileiros desperta discussão sobre o impacto dessa política educacional sobre sobre crianças e jovens em sociedades que tentam consolidar relações democráticas, como a brasileira.
Imagem: Divulgação / Polícia Militar do Estado do Pará
A reprodução de padrões militares em escolas contraria a principal finalidade do ensino público no Brasil, que segundo a Constituição Federal é educar com pluralidade, gestão democrática, participativa e focada na construção de uma cultura de paz
O mega show de Lady Gaga na Praia de Copacabana: a investigação da polícia que frustrou um ataque ao público do evento revelou que o atentado era tratado como um “desafio coletivo”, com jovens sendo recrutados para fabricar coquetéis molotov e mochilas explosivas com o objetivo de obter notoriedade nas redes sociais.
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David Nemer, University of Virginia and Arthur Coelho Bezerra, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Em vez de promoverem diversidade, muitas das redes sociais e outras plataformas digitais populares funcionam como máquinas de produção e circulação de ódio entre jovens, com mulheres e minorias entre seus principais alvos
As políticas baseada em estados de emergência do Equador já repercutem em toda a América do Sul. Se forem consideradas eficazes, provavelmente serão imitadas. Por outro lado, também estão sendo monitoradas pela sociedade civil e por ativistas de direitos humanos, que estão muito preocupados com a possibilidade de essas abordagens minarem as liberdades básicas dos indivíduos.
AP Photo/Dolores Ochoa)
No governo do presidente Daniel Noboa, as prisões foram declaradas “zonas de segurança” e estão sob controle direto da polícia e dos militares. Se for reeleito, Noboa promete seguir fazendo o mesmo, apesar dos problemas que esse tipo de política provoca
Prédios desabados na Favela da Muzema, no Rio de Janeiro, em 2019: tragédia que matou 24 pessoas jogou luz sobre o problema invisibilizado da exploração imobiliária ilegal, promovida por traficantes e milicianos em comunidades vulneráveis da cidade.
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A milícia e o tráfico de drogas operam de forma ilegal e perigosa um mercado lucrativo de exploração habitacional de populações vulneráveis. Uma prática que está longe de ter começado ontem.
Policiais acompanham protesto que pede a saída do Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, depois de inúmeros casos de abusos: 40 anos após a redemocratização, as polícias militares brasileiras ainda desempenham papel central de repressão política e social, perpetuando práticas violentas que são legitimadas dentro da instituição por um conceito deformado de segurança pública e atuação policial.
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Robson Rodrigues, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
A violência policial reflete, em parte, as marcas históricas da formação do Estado brasileiro e de um modelo de policiamento colonial militarizado
Na bandeira do eleitor republicano, referências à Segunda Emenda, ao direito de possuir armas, e a frase: “milícias são necessárias para assegurar um estado livre”. Nas mãos do eleitor democrata (de pé), imagens relacionam Trump a Stalin, Putin e Hitler, que dizem em uníssono: “Estou acima da lei”.
AP Photo/Yuki Iwamura
A ameaça e a incidência da violência política se intensificaram neste ano eleitoral. O eixo se deslocou em grande parte para a extrema-direita e está mais profundamente entrelaçado com a cultura de armas e grupos paramilitares.
Cultura da posse de arma é responsável pela maioria dos tiroteios e acidentes domésticos com mortes em todo o mundo, especialmente nos EUA e nos países do sul global - entre eles Brasil, México, Jamaica e Colômbia. Aplicação firme de legislações mais rigorosas é a principal saída para reduzir o número de mortes, que já são cerca de 200 mil por ano em todo o planeta.
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Brasil é responsável por 17% de todos os homicídios por arma de fogo no mundo, enquanto que mais da metade dos norte-americanos já vivenciaram incidente relacionado a tiros, diz estudo da Lancet
Criadas para preservar o patrimônio, as Guardas Municipais já são vistas em muitas cidades do país como alternativas de combate ao crime - mas também de repressão social -, o que fere suas atribuições constitucionais.
Leo Correa / Associated Press
A discussão sobre o armamento das Guardas Municipais pode estar atropelando o debate sobre a verdadeira função das forças de segurança locais nas cidades brasileiras.
Nayib Bukele, presidente reeleito de El Salvador, promete recrudescer ainda mais política de governo baseada no uso das forças de segurança para combater o narcotráfico.
AP Photo/Moises Castillo
Antropólogo, doutor em ciências sociais e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência (LAV-UERJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Professora Adjunta do Departamento de Antropologia e professora dos programas de pós-graduação em Antropologia e de Justiça e Segurança, Universidade Federal Fluminense (UFF)