Atiradores disfarçados flagrados por câmera de segurança no momento em que atiravam contra a ex-mulher de Fernando Cerimedo, na Bolívia: atuação do ex-estrategista político que tinha relações com Milei, Bolsonaro e outros políticos ultra conservadores revela que a rede de projetos da extrema-direita na América Latina não é apenas ideológica, mas sobretudo comercial.
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Com atuação nas campanhas de Milei, Bolsonaro e outros expoentes de extrema-direita latino-americanos, Cerimedo operou redes de contas falsas e explorou algoritmos para disseminar narrativas falsas e influenciar eleições
Anúncio da GrabAGun, empresa de vendas online de armas, que já possui ações na Bolsa de Nova York e tem como um dos principais investidores o filho do presidente Donald Trump: negócios alavancados pelas novas normas de comercialização de armas nos EUA, que agora permitem o envio dos produtos diretamente para o comprador final, sem qualquer tipo de escrutínio, e facilitam as exportações para países antes considerados críticos - como o Brasil.
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Ao mesmo tempo em que classifica facções brasileiras como terroristas, EUA facilita de maneira inédita o escoamento de armas para essas facções
Marco Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, no dia em que foi preso: terrorismo, segundo o direito brasileiro e o entendimento predominante na literatura criminológica, pressupõe motivação ideológica, política ou religiosa. Nem o PCC nem o Comando Vermelho se encaixam nesse critério. São organizações movidas por uma lógica econômica: controlam rotas de tráfico, dominam territórios urbanos e operam cadeias de abastecimento com eficiência empresarial.
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Robson Rodrigues, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
A classificação anunciada pelos Estados Unidos ignora o que sustenta o crime organizado: armas sem controle e dinheiro sem rastro. É uma forma de criar novos problemas sem resolver os antigos
Alguns produtos falsificados podem representar sérios riscos à saúde de compradores desavisados, como remédios, cosméticos, alimentos e bebidas, em um mercado que estima-se movimentar US$ 467 bilhões por ano.
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O mercado de produtos falsificados está em franca expansão, movimentando pelo menos US$ 467 bilhões por ano em todo o mundo
A polícia italiana anuncia a recuperação de 37 obras de arte roubadas no país: bancos de dados da Interpol e privados dificultaram ainda mais vendas, mas criminosos desenvolveram outros caminhos para valorizar arte roubada, incluindo diminuição de penas por sua “recuperação”.
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Hoje em dia, os bancos de dados de obras de arte roubadas tornam muito mais difícil a venda dessas peças.
Campanha contra sonegação fiscal e lavagem de dinheiro em Brasília: criminalidade organizada impõe ao país um custo anual equivalente a 4,2% do PIB, apenas em impactos sobre o setor privado. Em valores absolutos, isso equivale a mais de R$ 450 bilhões.
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Robson Rodrigues, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Extorsão, lavagem de dinheiro, concorrência desleal e roubo de cargas custam ao setor privado mais de R$ 450 bilhões por ano. O problema transcende as fronteiras do país
Se El Mencho representava a face violenta do cartel, ela representava sua espinha dorsal econômica: mulheres frequentemente desempenham um papel central nas atividades comerciais do crime organizado.
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Rosalinda González Valencia é considerada uma figura-chave na liderança de uma das maiores organizações criminosas do México.
Barricadas em protestos de comunidades contra violência policial: pela redação proposta pelo deputado Guilherme Derrite, a conduta de “obstruir a ação policial” mediante “obstáculos físicos ou incêndios”, mesmo sem qualquer vínculo com o tráfico, sujeitaria esses cidadãos a uma pena mínima de 12 anos - a mesma pena mínima de um homicídio qualificado.
Programa entrevistou o pesquisador Robert Muggah, colaborador do The Conversation Brasil, a partir de seu artigo sobre o braço financeiro do crime organizado no país
Policiais passam por moradores em uma escavadeira usada para remover barricadas nas ruas durante uma operação de segurança contra o crime organizado na favela do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, Brasil, em 2023. Situação se repete na cidade há décadas.
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É necessário um foco maior na luta contra a corrupção nas Polícias do Rio. Com o fortalecimento das Corregedorias internas e de autoridades independentes que possam recolher as denúncias do cidadãos
Nova PEC da Segurança Pública - que poderá ajudar na integração entre as forças de segurança do país - é mais uma tentativa de mudar a legislação e uma prática recorrente que agora bateu um recorde histórico: desde a Constituição de 1988, o Brasil já registra mais de 20,4 mil tentativas de alterações da legislação na área da segurança.
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Desde a constituição de 1988, o país já registra mais de 20,4 mil tentativas de alterações da legislação na área da segurança
Mais de cem organizações convocaram um ato em solidariedade aos familiares e em repúdio a política de massacre e chacinas nas favelas, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. Faixas repudiam o governador Claudio Castro.
Foto: Fernanda Piccolo /Fotoarena/Folhapress
O problema não é o tráfico somente, mas a negligência sistêmica do Estado. A violência que atinge os moradores vem das duas frentes – do crime e do poder público – e é a mesma: a de um país que aprendeu a conviver com o abandono e a banalizar seus horrores.
Policiais enterram colega do BOPE morto no confronto onde dezenas de criminosos foram executados: no calor da tragédia, autoridades e parlamentares evocaram o modelo de El Salvador, que aplica encarceramento em massa sob a bandeira do “combate às gangues”. A experiência, celebrada pela extrema direita global, tornou-se símbolo não de eficiência, mas de suspensão de direitos fundamentais.
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No calor da tragédia, e com intenções eleitorais, políticos brasileiros evocaram o modelo de El Salvador, que aplica encarceramento em massa sob a bandeira do “combate às gangues”. A experiência, celebrada pela extrema direita global, tornou-se símbolo não de eficiência, mas de suspensão de direitos fundamentais
A tecnologia por trás dos ataques de drones perpetrados por traficantes contra policiais é assustadoramente acessível. Drones comerciais, que custam entre R$ 7.000 e R$ 50.000, são modificados com “garras” ou ganchos, que podem ser comprados por apenas R$ 120, para soltar cargas explosivas por controle remoto.
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O que antes era o domínio exclusivo de potências militares, o poder aéreo, foi abruptamente democratizado. Não por um tratado de paz ou pela ascensão de uma nova nação, mas pela proliferação de tecnologia de consumo
Policiais militares escoltam suspeitos presos na operação contra líderes de quadrilhas no Complexo do Alemão: tráfico de drogas é só um braço da economia criminosa brasileira, que deixou os becos para ocupar também salas de reuniões, constar de balanços patrimoniais e cadeias de suprimentos essenciais - em todo o país e até fora dele.
Foto: Egberto Ras/Agencia Enquadrar/Folhapress
A economia criminosa do Brasil deixou os becos para ocupar também salas de reuniões, constar de balanços patrimoniais e cadeias de suprimentos essenciais
Fiscal do Procon de São Paulo atua durante a crise de adulteração por metanol, que já teve 17 casos confirmados no país até a primeira semana de outubro de 2025: falta crônica de repressão adequada contra as redes de fabricantes, engarrafadores e distribuidores ilegais é a raiz de um problema que se arrasta desde o século passado - e que só se agravou com o fim do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) em 2016.
Foto: Danilo Verpa/Folhapress
Substância que matou consumidores e segue colocando vidas em risco e espalhando pânico no país não chegou às garrafas por acaso: é consequência de uma cadeia de negligências e oportunidades criminais
A ascensão dessas fábricas de “ghost guns”, armas sem número de série e, portanto, virtualmente irrastreáveis, representa um salto quântico na capacidade do crime organizado no país, consolidando uma demanda que nunca cessou e que redefine, de forma fundamental, os desafios da segurança pública no país.
A descoberta de fábricas clandestinas de armas noinrerior de São Paulo é um alerta contundente de que a guerra urbana no Brasil entrou em uma nova fase, mais autônoma, resiliente e industrializada
No Rio de Janeiro e em cidades do Grande Rio como São Gonçalo (foto), fiscalização fechou entre março e abril diversos postos de gasolina pirata que usavam logotipos falsos e vendiam combustível adulterado.
Foto: Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro
Em todo o Brasil, o crime organizado está se diversificando. Além de drogas e tráfico de armas, o setor de biocombustíveis e combustíveis fósseis começa a ser seriamente afetado.
Ricardo Nunes comemora o anúncio de sua reeleição para a prefeitura de São Paulo, ao lado do governador Tarcísio de Freitas. Horas antes, com as urnas ainda abertas, o governador usou uma entrevista coletiva para espalhar fake news sobre o adversário Guilherme Boulos. Ecossistemas informacionais baseados em mentiras estão entre as estratégias eleitorais mais bem sucedidas no Brasil hoje.
Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress
Crescimento da desinformação, apoio a atos antidemocráticos e participação do crime organizado na política são alguns dos aspectos observados nas eleições municipais deste ano, e que apontam cenários para 2026.
Jovens Yanomamis durante protesto pelos direitos indígenas no Acampamento Terra Livre, em Boa Vista, Roraima, em 2023: esforços do governo em favor dos povos originários começaram intensos, com a criação do Ministério dos Povos Indígenas, mas não podem perder o ímpeto.
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Apesar dessas expulsões em larga escala realizadas no começo de 2023, muitos mineradores e grupos criminosos retornaram, e a violência e as doenças continuam persistentes
Antropólogo, doutor em ciências sociais e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência (LAV-UERJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)