Segundo a teoria gramsciana, a hegemonia de uma potência como os EUA não se sustenta apenas pela força, mas por uma combinação entre consenso e coerção. Seja no plano doméstico ou internacional, a hegemonia depende tanto da capacidade de imposição violenta de regras quanto da produção de aceitação social por meio de instituições, normas e valores compartilhados. Nesse contexto, a violência é um elemento fundamental.
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O segundo governo Trump insere-se em um momento de aprofundamento de crise hegemônica, onde o uso recorrente de dispositivos de coerção deve ser interpretado como reação defensiva diante de um processo de declínio
Apoiadores do governo rasgam uma bandeira americana ao meio durante um protesto em Caracas.
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A novidade do episódio atual na Venezuela está na combinação de um gesto militar espetacular com uma narrativa de “administração” direta da “transição” no país
Donald Trump anuncia as bases da nova estrégia para oficiais da Base Área de Selfridge, em Michigan.
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Política define que, para ser forte, soberana e relevante, União Europeia deve estar alinhada à agenda da Casa Branca, numa parceria que abandona a cooperação e assume contornos de tutela política e econômica
Trump e Bolsonaro em encontro na Casa Branca, em 2019: a atual onda populista que se manifesta no mundo inteiro (a quarta da história contemporânea) é marcada por uma polarização política, social e afetiva que se alimenta mais do “gostar ou não gostar” do outro do que de divergências ideológicas concretas. E as ferramentas desse processo são a radicalização e o uso intensivo das redes sociais.
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Uso crescente das redes sociais na política e lógica do engajamento algorítmico levam a uma política cada vez mais personalizada, recheada de memes, ironias e insultos
Mobilização de navios e ataques a barcos da Venezuela e da Colômbia foi justificada pela necessidade de “interromper rotas do tráfico”. Mas o que está em curso é uma tentativa de reposicionar o poder norte-americano em seu entorno geopolítico. E reafirmar o controle de uma região que os EUA consideram seu quintal e sua retaguarda estratégica.
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Estratégia é reforçar controle sobre quintal latino-americano, diminuindo momentaneamente o esforço bélico no teatro de operações principal (Eurasia, Oriente Médio e Pacífico) para reforçar o palco secundário (América Latina e Atlântico Sul)
Lula e Trump na ONU: discursos antagônicos representaram duas visões distintas do mundo que estão levando a uma nova divisão econômica e geopolítica mundial, e que tem o BRICS como bloco cada vez mais protagonista.
Montagem com fotos de Angelina Katsanis e Richard Drew /AP Photo
Falas configuram duas visões antagônicas sobre comércio exterior e geopolítica.
Um marcado pela defesa do multilateralismo, outro focado na construção de uma nova ordem internacional baseada na competição econômica sem limites
Brasileiros apoiadores da extrema direita no Brasil seguram placas em inglês dando apoio às medidas de Trump que prejudicam o planeta inteiro, inclusive o Brasil, durante um ato de apoio ao ex-presidente do país e de protesto contra o STF, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo.
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Danilo Sorato, Universidade Federal Fluminense (UFF)
A nova estratégia da extrema-direita é usar países aliados no exterior para pressionar e desestabilizar o Brasil, inclusive alardeando que a Eleição de 2026 não será reconhecida pelos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no fórum de democracia e multilateralismo realizado em santiago, em julho: ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump recuou e ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes
Falácia comercial, protecionismo disfarçado, reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as possíveis intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano.
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Euzébio de Sousa, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Falácia comercial, protecionismo disfarçado,
reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano
Trump, em mais um discurso raivoso, durante a campanha para a presidência, ano passado: Ações de política externa do atual governo dos Estados Unidos revelam visão anacrônica da atual geopolítica e da economia global.
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Trump procura construir uma narrativa para justificar o processo de enfraquecimento econômico e geopolítico do país, retirando das próprias elites norte-americanas os erros na condução do país.
Sala principal de leitura da Biblioteca Pública de Nova York: historicamente conhecidas como local de acolhimento e integração de minorias através de projetos sociais, literários e de formação profissional, as bibliotecas correm risco de perder financiamentos para este tipo de projeto, de acordo com a política anti-migratória e discriminatória contra grupos minorizados importa pelo novo governo Trump.
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Leonardo Assis, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Cenário norte-americano pode impactar negativamente iniciativas de construção de espaços públicos a partir da biblioteca em outros países
Os imigrantes nos EUA chegam cada vez mais como as pessoas vistas nesta foto: buscando asilo em uma passagem de fronteira formal, em vez de tentarem atravessar a fronteira às escondidas.
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Em 2023, aproximadamente 51 milhões de pessoas nascidas no exterior viviam nos Estados Unidos. Quase três quartos estavam no país legalmente. Metade do restante tinha alguma proteção legal contra deportação
Agentes do Serviço Secreto dos EUA ajudam o ex-presidente Donald Trump a sair do palco durante um comício em 13 de julho de 2024, em Butler, Pensilvânia.
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Um estudioso de assassinatos políticos afirma que os EUA evitaram por pouco mergulhar na violência generalizada e em uma possível guerra civil quando Donald Trump sobreviveu a uma tentativa de assassinato.
Pesquisador do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (GEDES), Universidade Estadual Paulista (Unesp); Universidade São Judas Tadeu (USJT)
Bibliotecário, historiador e coordenador do Curso de Graduação em Biblioteconomia da FESPSP, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Professor Titular em Segurança Internacional e Resolução de Conflitos e vice-coordenador do Instituto de Políticas Públicas e Relações internacionais (IPPRI), Universidade Estadual Paulista (Unesp)