Da ciência depende nossa prosperidade, individual e coletiva. Então, a questão que paira na véspera das eleições é: qual candidato nosso é mais favorável à ciência? Imagem: TRE-MT.jus.
Artigo traz reflexões sobre ciência nas eleições 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nas Nações Unidas: movimentos políticos brasileiros, tanto de esquerda quanto de direita, disputaram a liderança nacionalista ao longo do século XX atribuindo significados muito diferentes a conceitos como soberania e interesse nacional.
Chip Somodevilla/Getty Images
A disputa entre o presidente em exercício e Flávio Bolsonaro faz parte de uma divisão entre a direita e a esquerda em torno do significado da Nação que vem de décadas no país
O secretário da Guerra norte-americano, Pete Hegseth, e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, posam para uma fotografia com militares e líderes de segurança de países latino-americanos e do Caribe, na Conferência Inaugural das Américas contra os Cartéis, ocorrida nos EUA no começo de março de 2026.
AP Photo/Rebecca Blackwell
A nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo dos EUA prevê reforço da vigilância de fronteiras e rotas marítimas, cooperação de inteligência, rastreamento financeiro e integração de ações diplomáticas, militares e de segurança para combater tráfico de drogas, armas e pessoas
O presidente brasileiro Lula da Silva cumprimenta o presidente dos EUA, Donald Trump, na chegada à Casa Branca: viagem também tem uma segunda função, igualmente importante para Lula, já que cada ponto da agenda bilateral se relaciona diretamente com uma questão eleitoral interna.
Ricardo Stuckert/PR
A reunião bilateral entre os dois presidentes enviou um sinal claro ao público interno de Lula: a relação com Washington não está rompida e não precisa de um Bolsonaro para ser consertada
Apoiadores do governo rasgam uma bandeira americana ao meio durante um protesto em Caracas.
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A novidade do episódio atual na Venezuela está na combinação de um gesto militar espetacular com uma narrativa de “administração” direta da “transição” no país
Lula, Trump e a implosão do multilateralismo: processo de erosão do espaço diplomático brasileiro na questão da Venezuela já havia sido exposta anteriormente. Em maio de 2025, uma operação secreta dos EUA retirou, em poucas horas, cinco opositores do governo Maduro que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, então sob tutela brasileira.
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Apesar de ambições declaradas de liderança regional e global, o Brasil demonstrou carecer de mecanismos eficazes de antecipação de crises, inteligência integrada e protocolos claros de resposta a eventos de alta complexidade estratégica
Lula e Maduro em seu último encontro, na reunião de líderes da América do Sul em Brasília, em 2023: em um ambiente de fragmentação regional e erosão do multilateralismo, uma abordagem bilateral junto à Venezuela e aos Estados Unidos torna-se um caminho promissor.
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Avançar além da condenação retórica exigiria disposição para liderar iniciativas diplomáticas em um contexto regional fragmentado e com poucos países dispostos a criticar os Estados Unidos de forma aberta e sustentada
Dados da Quaest e uma pesquisa qualitativa do INCT-ReDem indicam que o grupo que rejeita os dois principais polos políticos não é homogêneo — e essa divisão pode influenciar o rumo da disputa presidencial
Os ‘Nem, Nem’ são majoritariamente adultos jovens (quase 40% têm entre 16 e 34 anos), apenas 32% têm curso superior, a maioria é de homens (52%) e quase 50% desse grupo pensa que a situação econômica hoje está pior do que antes. Não são radicalizados, mas nem por isso são ingênuos. Um terço deles (33,6%) vê tanto bolsonaristas quanto lulistas como ameaças sérias ao Brasil.
Fotos: Folhapress
Pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) indicou que 25% dos eleitores brasileiros podem estar indiferentes às duas maiores lideranças políticas nacionais
Lula e Trump na ONU: discursos antagônicos representaram duas visões distintas do mundo que estão levando a uma nova divisão econômica e geopolítica mundial, e que tem o BRICS como bloco cada vez mais protagonista.
Montagem com fotos de Angelina Katsanis e Richard Drew /AP Photo
Falas configuram duas visões antagônicas sobre comércio exterior e geopolítica.
Um marcado pela defesa do multilateralismo, outro focado na construção de uma nova ordem internacional baseada na competição econômica sem limites
Lula dedicou parte do seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU para registrar sua preocupação com a postura norte-americana peranate a América Latina. Na prática, uma pessoa latino-americana acusada pelo governo dos EUA de ser pertencente a um dos grupos listados como terroristas, poderá ser capturada fora dos EUA, com ou sem o auxílio do seu governo, podendo parar em Guantánamo ou simplesmente desaparecer.
AP Photo/Richard Drew
O presidente brasileiro afirmou que “é preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo”, em direta referência às decisões de Donald Trump de equivaler grupos do crime organizado latino-americano a organizações terroristas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no fórum de democracia e multilateralismo realizado em santiago, em julho: ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump recuou e ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes.
AP Photo/Esteban Felix
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Doutora e mestre em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas e pesquisadora I no Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Universidade Estadual Paulista (Unesp)