À medida que o comércio do Brasil com os EUA diminui, transações com a China continuam a crescer: capacidade de Trump de usar tarifas para pressionar o Brasil a mudar políticas às quais seu governo se opõe é limitada, pois a influência de Washington sobre o Brasil em questões comerciais vem diminuindo há anos.
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Trump iniciou essa disputa devido às suas preocupações com a política brasileira, e as eleições presidenciais podem pôr fim a ela em breve
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que está à frente da estratégia do Brasil na reação às tarifas: segundo ele, aplicar a política do “olho por olho, dente por dente” seria cegar ambos os lados. E é evidente que o Brasil teria muito mais a perder com isso que os Estados Unidos.
Agência Brasil / Marcelo Camargo
Responder tarifa com tarifa pode encarecer preços em casa e isolar quem revida. Calcular o prejuízo real, proteger quem produz, defender ativos estratégicos como o PIX e recorrer aos foros internacionais parece o caminho mais seguro
Plantação de soja no Mato Grosso: especialistas destacam que os maiores ganhos do acordo para o Brasil concentram‑se nela, na carne, no café, na celulose, no açúcar e no etanol, segmentos em que o país já detém vantagem competitiva.
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Para o Mercosul e o Brasil, a questão central reside em saber se o ganho de mercado, reputação e diversificação compensa a consolidação de uma inserção internacional ainda regulada pelos padrões definidos em Bruxelas
Com a validação do acordo comercial e expectativa de assinatura do texto final em dezembro, acordo UE–Mercosul deixa de ser apenas um tratado comercial para se tornar uma resposta estratégica ao ambiente internacional hostil criado pela nova postura tarifária de Donald Trump, redirecionando exportações para um novo mercado transatlântico mais previsível.
Imagem gerada por IA via Envato Labs.
O Acordo UE–Mercosul deixa de ser apenas um tratado comercial para se tornar uma resposta estratégica a um ambiente internacional mais hostil, redirecionando exportações para um novo mercado transatlântico mais previsível
Poster colado no vidro de uma estação de ônibus em Seul, na Coreia do Sul, mostra uma caricatura de Donald Trump como um ladrão, com os dizeres: “Vamos mandar cartas de protesto para o bandido Trump”.
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Sem guerra, conflito armado ou outro risco iminente à soberania dos EUA, sanções político-econômicas de Trump caracterizam abuso da exceção de segurança nacional, usando o comércio internacional para fins alheios ao espírito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio
O acordo entre EUA e UE leva o bloco europeu a procurar novos fornecedores de energia e alimentos. Produtos agrícolas brasileiros, como a laranja (foto) e a soja passam a ter maior relevância na mesa de negociação europeia.
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A imposição de tarifas sobre os produtos europeus permite que exportadores brasileiros ocupem mercados deixados pela Europa em países terceiros
Escalada tarifária unilateral representa uma mudança estrutural na política comercial dos EUA, onde sanções econômicas passam a ser instrumentos de coerção política cujo propósito é muito diferente do reequilíbrio comercial.
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Do ponto de vista jurídico, a medida colide frontalmente com os parâmetros do direito internacional e da Organização Mundial do Comercio (OMC)
Falácia comercial, protecionismo disfarçado, reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as possíveis intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano.
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Euzébio de Sousa, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Falácia comercial, protecionismo disfarçado,
reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano
A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, fala com o Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes em um encontro de cúpula no ano passado: estabelecimento de tarifas comerciais impostas pelos EUA rompe com o princípio básico que sustenta o regime multilateral de comércio, que é a eliminação de barreiras para promover a liberalização do mercado internacional.
Fruto do regime multilateral de liberalização internacional, a Organização Mundial do Comércio hoje sofre com o estabelecimento de tarifas impostas pelos EUA, que rompe com o seu princípio básico
Pausa na disputa entre China e EUA busca conter os danos de uma guerra comercial que vinha afetando cadeias globais de suprimento, pressionando os preços e gerando incertezas nos mercados financeiros. Para países com economias dependentes de exportações, como o Brasil, o impacto é direto, mas desta vez os sinais são mais negativos do que positivos.
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Nova fase de negociações entre os dois gigantes comerciais impacta diretamente países dependentes de exportações. Mas, ao contrário do que ocorreu em fases anteriores da disputa, desta vez os sinais são mais negativos do que positivos
Reeleita para a presidência do Novo Banco do Desenvolvimento (NDB) até 2030, Dilma terá a chance de fortalecer estratégia de aumento da autonomia financeira dos países-membros do BRICS.
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Reeleita para a presidência do Novo Banco do Desenvolvimento (NDB) até 2030, Dilma terá a chance de fortalecer estratégia de aumento da autonomia financeira dos países-membros do BRICS
Trump e Xi-Jinping: ofensiva diplomática firme e imediata da China sinaliza estabilidade do país asiático, enquanto os EUA implodem a sua própria credibilidade. Nessa novo configuração comercial internacional, Brasil tem tudo para se reposicionar e ganhar relevância.
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Nos tempos de disputa e instabilidade que virão, a neutralidade passiva será confundida com irrelevância. Se quiser ser ouvido, Brasil terá que falar alto e com coerência