O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que está à frente da estratégia do Brasil na reação às tarifas: segundo ele, aplicar a política do “olho por olho, dente por dente” seria cegar ambos os lados. E é evidente que o Brasil teria muito mais a perder com isso que os Estados Unidos.
Agência Brasil / Marcelo Camargo
Responder tarifa com tarifa pode encarecer preços em casa e isolar quem revida. Calcular o prejuízo real, proteger quem produz, defender ativos estratégicos como o PIX e recorrer aos foros internacionais parece o caminho mais seguro
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7 na França, em março. Mas de nada adiantaram os apelos brasileiros. Os EUA taxaram produtos brasileiros em 25%. A imposição das novas tarifas não pode ser compreendida fora do contexto internacional global e da competição por influência, sobretudo econômica, entre a China e os Estados Unidos na América Latina.
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À medida que a disputa geopolítica entre China e Estados Unidos se acirra e os EUA buscam fortalecer sua influência e controle sobre a América Latina, a diversificação será de grande importância para aumentar a resiliência da economia nacional.
A agenda econômica no novo mandato de Trump ameaça desestabilizar tanto a economia dos EUA quanto a global. Seu governo sinalizou uma mistura explosiva de protecionismo, expansão fiscal e instabilidade institucional.
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Ainda que os efeitos não tenham se manifestado plenamente até agora, há expectativa de que os preços subam de forma acelerada nos próximos meses, à medida que estoques forem renovados e repasses se tornem inevitáveis.
Ao comentar os assassinatos em Manhattan, Donald Trump classificou o atirador como um “lunático enlouquecido” e descreveu o ataque como um ato “sem sentido”, de “pura maldade”. Mas o que Trump tenta colocar à distância funciona como uma metáfora perturbadora da política que ele próprio conduz, com critérios duvidosos para ameaçar países aliados com tarifas e sanções.
Ilustração gerada por IA no Envato Labs
Os ‘disparos’ de Trump tendem a ultrapassar os alvos primários: podem desorganizar cadeias produtivas das quais os próprios EUA dependem, pressionar a inflação e alimentar a instabilidade nos mercados globais
Poster colado no vidro de uma estação de ônibus em Seul, na Coreia do Sul, mostra uma caricatura de Donald Trump como um ladrão, com os dizeres: “Vamos mandar cartas de protesto para o bandido Trump”.
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Sem guerra, conflito armado ou outro risco iminente à soberania dos EUA, sanções político-econômicas de Trump caracterizam abuso da exceção de segurança nacional, usando o comércio internacional para fins alheios ao espírito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio
O acordo entre EUA e UE leva o bloco europeu a procurar novos fornecedores de energia e alimentos. Produtos agrícolas brasileiros, como a laranja (foto) e a soja passam a ter maior relevância na mesa de negociação europeia.
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A imposição de tarifas sobre os produtos europeus permite que exportadores brasileiros ocupem mercados deixados pela Europa em países terceiros
Siderúrgica sucateada no estado da Pensilvânia, do chamado “Cinturão da Ferrugem” americano. Uma das consequências positivas esperadas pelo governo Trump com o tarifaço seria a recuperação da indústria doméstica - mas a receita pode estar baseada em paradigmas que não se aplicam mais na economia atual.
Para a nova direita populista americana, os EUA seriam sistematicamente prejudicados em suas relações internacionais. Mas há um conjunto de evidências que lança dúvidas tanto sobre o diagnóstico quanto sobre a receita que está sendo utilizada
Manifestantes em São Paulo vestidos como policiais escoltando o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, protestam contra o anúncio de Trump de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e contra o relatório dos EUA que citou a venda de produtos falsificados no Brasil.
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A intervenção de Trump mostra que atores estrangeiros — inclusive chefes de Estado com ampla influência online — estão dispostos a enfraquecer instituições e influenciar a política no Brasil.
U.S. President Donald Trump and then-Brazilian President Jair Bolsonaro attend a joint news conference at the White House on March 19, 2019.
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A carta do presidente dos EUA ao seu homólogo brasileiro mencionou o déficit comercial. Mas não se deixe enganar, essas tarifas são mais políticas do que econômicas
Os presidentes Cyril Ramaphosa (África do Sul), Prabowo Subianto (Indonésia) e Lula na cúpula dos Brics, no Rio. Participação do Brasil no Brics é importante para diversificação e não-alinhamento, mas “é chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade”.
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É chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade
Bandeiras da China e dos EUA num mercado público em Pequim: pacto mantem tarifas de 55% dos EUA sobre produtos chineses e de apenas 10% por parte da China sobre bens americanos. Mas o ponto mais relevante do anúncio é o compromisso chinês de garantir o fornecimento antecipado de terras raras e ímãs industriais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, chips e equipamentos de defesa.
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Efeitos desse pacto podem reduzir competitividade das exportações agrícolas brasileiras, e aumentar incertezas quanto ao acesso do Brasil aos minerais mais importantes para o desenvolvimento de novas tecnologias
A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, fala com o Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes em um encontro de cúpula no ano passado: estabelecimento de tarifas comerciais impostas pelos EUA rompe com o princípio básico que sustenta o regime multilateral de comércio, que é a eliminação de barreiras para promover a liberalização do mercado internacional.
Fruto do regime multilateral de liberalização internacional, a Organização Mundial do Comércio hoje sofre com o estabelecimento de tarifas impostas pelos EUA, que rompe com o seu princípio básico
Pausa na disputa entre China e EUA busca conter os danos de uma guerra comercial que vinha afetando cadeias globais de suprimento, pressionando os preços e gerando incertezas nos mercados financeiros. Para países com economias dependentes de exportações, como o Brasil, o impacto é direto, mas desta vez os sinais são mais negativos do que positivos.
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Nova fase de negociações entre os dois gigantes comerciais impacta diretamente países dependentes de exportações. Mas, ao contrário do que ocorreu em fases anteriores da disputa, desta vez os sinais são mais negativos do que positivos
Trump e Xi-Jinping: ofensiva diplomática firme e imediata da China sinaliza estabilidade do país asiático, enquanto os EUA implodem a sua própria credibilidade. Nessa novo configuração comercial internacional, Brasil tem tudo para se reposicionar e ganhar relevância.
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Nos tempos de disputa e instabilidade que virão, a neutralidade passiva será confundida com irrelevância. Se quiser ser ouvido, Brasil terá que falar alto e com coerência
Navio embarcando carga no cais do Porto de Santos: a agroindústria brasileira, fortemente integrada aos mercados globais, já abastece os EUA com soja, carne, café e frutas. Além disso, segmentos como celulose, minério de ferro, têxteis e autopeças têm potencial imediato para substituir fornecedores asiáticos sujeitos a tarifas mais pesadas.
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A guerra tarifária de Trump redefine as regras do comércio global. Mas é justamente neste momento que surgem as maiores oportunidades para o Brasil
Donald Trump durante a campanha, em 2024, reunido com líderes latinos: se por um lado as ações agressivas dos EUA assustam mercados e rompem alianças tradicionais, por outro elas também poderão acelerar novas formas de investimento e cooperação em um mundo cada vez mais fragmentado.
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Presidente americano está determinado a expandir a influência dos Estados Unidos nas Américas na base da lei do mais forte. Tiro pode sair pela culatra.