O ex-presidente Jair Bolsonaro é visto em sua residência em Brasília, em 3 de setembro de 2025: nem todos os golpistas são responsabilizados por suas ações, mas caso do brasileiro pode ser um exemplo do fim de suas pretensões políticas.
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Os líderes de golpes fracassados nem sempre enfrentam punições – e alguns dos que enfrentam recebem tratamento fora dos tribunais.
“Popcorn and ice cream sellers”: a mensagem em inglês do ex-presidente pareceu prosaica mas é fruto de narrativa bem construída para descredibilizar eventuais condenações por golpe de Estado e outros crimes no julgamento do STF.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Narrativa do ex-presidente deixou de focar na disputa eleitoral com Lula para colocar em dúvida legitimidade de seus julgadores e preparar terreno para descredibilizar eventuais sentenças condenatórias
O Supremo Tribunal Federal (STF) iluminado com as cores do Brasil no dia em que foram aceitas as denúncias contra Bolsonaro e outros sete de sua cúpula governamental - entre eles militares de alta patente, ex-ministros e representantes das áreas de inteligência e segurança - por tentativa de Golpe de Estado que envolveu instrumentalização institucional, disseminação de desinformação e manipulação da opinião pública.
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Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Decisão sobre crimes de Bolsonaro e seus associados será um teste institucional de longo prazo sobre como o Brasil lida com tentativas de rupturas democráticas, e sobre o futuro das relações entre civis e militares no país
O ex-presidente Jair Bolsonaro passa por trás de grades ao desembarcar ontem no Aeroporto Internacional de Brasilia, onde acompanhou parte das deliberações do STF que o tornaram réu por tentativa de golpe de Estado. Expectativa é de que o processo se desenvolva ao longo dos próximos meses e, em razão das eleições de 2026, é possível que seja concluído ainda este ano.
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Pela primeira vez na história do Brasil, um ex-presidente e oficiais de alta patente se tornam réus por crimes ligados a um golpe de Estado
Fragmentação da extrema-direita, isolamento de Jair Bolsonaro e um certo respiro para governo reorganizar sua coordenação política estão entre as possíveis consequências da denúncia contra o ex-presidente.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Acusações formalizadas pela PGR tiveram grande repercussão nacional e internacional, e produzirão forte impacto na agenda política brasileira de 2025. Veja algumas hipóteses sobre o que pode acontecer
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, autor das denúncias apresentadas ao STF: julgamento do ex-presidente não representará só a possível punição dele e dos demais envolvidos, mas a definição de até onde vai a tolerância institucional a um movimento político que tentou a ruptura democrática.
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Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Além dos desafios jurídicos, o Brasil enfrenta o dilema social e político de lidar com um amplo espectro de apoiadores que tendem a manter seu apoio ao ex-presidente mesmo após a denúncia
O deputado Eduardo Bolsonaro defendendo a tese de que os golpistas de 8 de janeiro são presos políticos perseguidos, durante encontro de partidos conservadores em Buenos Aires, ano passado: com o pai inelegível, figuras como ele, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas projetam-se como concorrentes para a corrida presidencial de 2026.
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Guilherme Casarões, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Denúncia da PGR pode ser usada para reforçar narrativa de que Bolsonaro é perseguido político, e tem o potencial de inflamar os apoiadores do ex-presidente, com possíveis desdobramentos eleitorais.
Segundo pesquisadora do Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, o bolsonarismo não contava com uma denúncia tão forte e robusta como a que foi apresentada contra o ex-presidente, o que coloca em xeque as narrativas de perseguição política
Tropa de choque sobe a rampa do Palácio do Planalto, depois que a depredação da sede do governo já estava consumada: quando a Praça dos Três Poderes se transformou numa praça de guerra, a nova extrema direita brasileira mostrou de vez a sua cara.
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Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)