Na imagem, produzida por inteligência artificial, que o presidente americano Donald Trump publicou em seu perfil na rede Truth Social, ele aparece fincando a bandeira americana na ilha ao lado do secretário de Estado Marco Rubio e do vice, J. D. Vance, com uma placa indicando: “Groenlândia - Território dos EUA - Estabelecido em 2026”.
Donald Trump no Truth Social
Os custos de uma invasão da Groenlândia seriam menos militares e mais normativos. O Ocidente construiu sua legitimidade internacional no pós-Segunda Guerra Mundial com base na defesa da soberania, da integridade territorial e do direito internacional
Manifestantes protestam contra a intervenção americana na porta da embaixada dos EUA em Caracas: as ações militares na Venezuela são uma afronta à soberania do país e ao Direito Internacional, mas não podem ser analisadas isoladamente. Elas se inserem num contexto de transformação mais ampla da geopolítica contemporânea, que passou a dividir espaço com abordagens temáticas mais diversificadas.. AP Photo/Ariana Cubillos.
O ataque à Venezuela traz de volta à tona perspectivas clássicas de poder, e devem ser entendidos menos como objetivos concretos e mais como instrumentos políticos e discursivos de pressão
Imigrante venezuelana tenta exibir bandeira do país ao presidente Donald Trump, durante cerimônia em que o presidente rump virou nome de rua em Palm Beach, na Flórida: intervenção no país foi uma advertência quanto à manutenção do poder estadunidense na América Latina, e um laboratório para testar até onde alcança o “big stick” da Doutrina Donroe.
AP Photo/Julia Demaree Nikhinson
Invasão do país sul-americano expõe de forma contundente a distância entre a retórica normativa da política externa dos EUA e a prática de um poder que se autoriza a violar, quando lhe convém, as regras elementares do direito internacional
Moradora de Minneapolis tem a porta de casa arrombada por agentes do ICE, que no dia 11 de janeiro levaram seu marido, um imigrante da Libéria em situação regular nos EUA, para um presídio em El Paso, Texas: dependendo da região em que moram no estado de Minnesota, imigrantes africanos, brasileiros e latinos em geral vivem experiências mais ou menos aterrorizantes na caçada aleatória dos agentes federais a estrangeiros e suas famílias.
AP Photo / John Locher
As operações dos agentes de imigração têm mudado a rotina em muitos lugares nas Twin Cities (a região metropolitana de Minneapolis e Saint Paul) e em outras cidades pelos estado
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante a reunião de cúpula do BRICS, em julho de 2025 no Rio de Janeiro: entrada do país do Oriente Médio no grupo é estratégia multilateralista defendida pelo Brasil, que não teria nada a ganhar com um eventual conflito militar com os EUA.
AP Photo / Eraldo Peres
A presença do Irã no BRICS Plus reforça a ambição do grupo de atuar como espaço de coordenação política fora do eixo euro-atlântico. Ataque americano ao Irã colocaria essa estratégia a perder
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (à esquerda), durante a reunião de cúpula do BRICS, em julho de 2025 no Rio de Janeiro: entrada do país do Oriente Médio no grupo é estratégia multilateralista defendida pelo Brasil, que não teria nada a ganhar com um eventual conflito militar com os EUA.
AP Photo / Eraldo Peres
A presença do Irã no BRICS Plus reforça a ambição do grupo de atuar como espaço de coordenação política fora do eixo euro-atlântico. Ataque americano ao Irã colocaria essa estratégia a perder
Em Berlim, manifestante iraniano acende um cigarro na foto em chamas do aiatolá Ali Khamenei, num gesto simbólico de protesto contra o governo do país que se espalhou pelo mundo, em mais um episódio no qual o Irã se vê ameaçado de nova intervenção estrangeira.
AP Photo / Ebrahim Noroozi
Interferências estrangeiras não são novidade no Irã. Elas têm sido relativamente frequentes e, em geral, penalizaram os próprios iranianos
Agentes federais de imigração prendem mais um morador durante a escalada de repressão que ocorre desde o começo de 2026 em Minneapolis: a percepção falsa de que imigrantes - sobretudo latino-americanos - são responsáveis pelo crescimento das taxas de criminalidade e por uma suposta periculosidade social sustenta uma retórica securitária que legitima investimentos massivos em aparatos tecnológicos de vigilância e controle fronteiriço.
Lauro Accioly Filho, Universidade Estadual Paulista (Unesp)
A narrativa de que imigrantes irregulares cometem mais crimes não encontra respaldo nos dados estatísticos de criminalidade dos EUA. Ao contrário, os dados mostram que esse grupo apresenta índices de envolvimento criminal inferiores aos da população nativa
A empresa petrolífera estatal venezuelana enfrenta problemas relacionados com o envelhecimento das infraestruturas.
Michael Robinson Chavez/The Washington Post via Getty Images
As empresas petrolíferas americanas nunca deixaram de investir e operar na indústria petrolífera da Venezuela, apesar das muitas mudanças nos termos do seu envolvimento
“Ocupação militar”: agentes federais prendem uma moradora de Minneapolis no último dia 13 de janeiro de 2026, próximo de onde Renee Good foi baleada: mesmo depois das evidências de assassinato, governo envia mais policiais e soldados a Minnesota, escalando a intensidade dos protestos e a represssão nas ruas.
AP Photo / Adam Gray
Brasileiro professor de ciência política em Minnesota e integrante de grupos que monitoram ações do ICE explica os fatos que levaram à escalada de violência de forças do governo federal contra moradores
Apoiadores do governo rasgam uma bandeira americana ao meio durante um protesto em Caracas.
AP Photo/Ariana Cubillos
A novidade do episódio atual na Venezuela está na combinação de um gesto militar espetacular com uma narrativa de “administração” direta da “transição” no país
Lula, Trump e a implosão do multilateralismo: processo de erosão do espaço diplomático brasileiro na questão da Venezuela já havia sido exposta anteriormente. Em maio de 2025, uma operação secreta dos EUA retirou, em poucas horas, cinco opositores do governo Maduro que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, então sob tutela brasileira.
AP Photo/Mark Schiefelbein
Apesar de ambições declaradas de liderança regional e global, o Brasil demonstrou carecer de mecanismos eficazes de antecipação de crises, inteligência integrada e protocolos claros de resposta a eventos de alta complexidade estratégica
Já houve dias melhores: o presidente venezuelano Nicolas Maduro, à esquerda, em reunião com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã, em 22 de outubro de 2016.
Gabinete do Líder Supremo do Irã, via AP
Talvez ninguém fora da Venezuela deva se preocupar mais com a invasão dos EUA e o sequestro do presidente Nicolás Maduro do que o líder supremo da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei
Um oficial militar venezuelano conforta a mãe de um soldado morto durante o ataque que levou ao sequestro do presidente Nicolás Maduro, em Caracas: no século XXI, a hegemonia não deverá mais ser medida pelo consenso multilateral, por acordos comerciais ou pelo “soft power”, mas pela capacidade de neutralizar defesas alheias e expropriar recursos sob o pretexto de guerras morais fabricadas.
AP Photo/Matias Delacroix
A operação “Absolute Resolve” usou o tabuleiro marítimo como plataforma para rasgar o direito internacional, estabelecendo um precedente perigoso em que a força bruta se apresenta como o único árbitro efetivo das relações entre Estados
Montagem da marca Origin publicada na rede social X: mensagem publicitária reorganiza o foco do leitor, levando do sujeito político ao objeto material, em um exemplo de golpe publicitário em tempos de imediatismo
O marketing em tempo real reenquadra acontecimentos políticos como golpes publicitários. Qual é o papel do humor e da reação dos internautas?
Interpretações políticas, regras paralelas e regimes não coordenados estão entre os efeitos já sentidos com o enfraquecimento que órgãos reguladores causado pela redução da participação norte-americana.
Imagem: ONU
Processo inclui tanto retiradas formais quanto reduções drásticas de financiamento em áreas como desenvolvimento, saúde global e programas humanitários
Donald Trump anuncia as bases da nova estrégia para oficiais da Base Área de Selfridge, em Michigan.
Foto: Molly Riley/Casa Branca
Política define que, para ser forte, soberana e relevante, União Europeia deve estar alinhada à agenda da Casa Branca, numa parceria que abandona a cooperação e assume contornos de tutela política e econômica
O Secretário de Defesa - cargo agora rebatizado para “secretário de guerra”- Pete Hegseth, durante a apresentação da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA.
AP Photo/Julia Demaree Nikhinson
Nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos deixa de tratar a América Latina como espaço de cooperação estratégica e passa a enquadrá-la como área direta de contenção, controle e possível intervenção
Na imagem divulgada nas redes sociais da Procuradora-Geral do governo americano Pam Bondi, um helicóptero da Marinha dos EUA intercepta petroleiro que estava a serviço da Venezuela: interesse de Trump no país parece ser mais político e econômico do que propriamente militar.
U.S. Attorney General's Office/X via AP)
Pelo menos por enquanto, as ameaças contra a Venezuela não se traduzem em preparação concreta para uma operação militar de grande escala, e soam mais como pressão política pela deposição de Maduro, com vistas aos interesses comerciais americanos no país
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)