Ana Carolina Marson, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Ao elevar tarifas, governo dos EUA pressiona as empresas a reorganizarem suas operações, o que pode levar à reconfiguração das CGVs por meio de realocação produtiva, práticas de nearshoring ou diversificação de fornecedores
Os presidentes Cyril Ramaphosa (África do Sul), Prabowo Subianto (Indonésia) e Lula na cúpula dos Brics, no Rio. Participação do Brasil no Brics é importante para diversificação e não-alinhamento, mas “é chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade”.
Joédson Alves/Agência Brasil
É chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade
O engajamento dos países do BRICS no processo de desdolarização de parte da economia mundial - que começa a provocar reações pesadas dos EUA - visa proteger as economias destes países da vulnerabilidade gerada pela dependência de uma moeda que começa a sofrer instabilidade, causada principalmente pela política econômica cada vez mais imprevisível do atual governo dos EUA.
AP Photo/Seth Wenig
A desdolarização global é um fenômeno lento e gradual. O engajamento dos países do BRICS nesse processo visa proteger suas economias da vulnerabilidade gerada pela dependência de uma moeda que começa a sofrer instabilidade causada pela política econômica dos EUA
Escalada tarifária unilateral representa uma mudança estrutural na política comercial dos EUA, onde sanções econômicas passam a ser instrumentos de coerção política cujo propósito é muito diferente do reequilíbrio comercial.
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Do ponto de vista jurídico, a medida colide frontalmente com os parâmetros do direito internacional e da Organização Mundial do Comercio (OMC)
Trump e os líderes do Japão, Shigeru Ishiba; da Itália, Giorgia Meloni; da França, Emmanuel Macron; do Canadá, Mark Carney; da Grã-Bretanha, Keir Starmer; e da Alemanha, Friedrich Merz - além do presidente do Conselho Europeu Antonio Costa e da presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, durante a reunião do G7 em que se rediscutiu a questão das tarifas.
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Em jogo estão temas como as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de questões que envolvem regulações ambientais e digitais
Um pirata contemporâneo posa ao lado de um navio recém-saqueado, na costa da Somália: prática milenar considerada uma das mais antigas profissões e registrada como o primeiro crime internacional tipificado da humanidade, a pirataria persiste até hoje, altamente relacionada ao agravamento das desigualdades sociais.
AP Photo/Farah Abdi Warsameh
Prática milenar considerada uma das mais antigas profissões e registrada como o primeiro crime internacional tipificado da humanidade, a pirataria persiste até hoje, altamente relacionada ao agravamento das desigualdades sociais
Sacas de café brasileiro prontas para exportação: com as novas regras da União Europeia, o grão é um dos sete produtos de base e seus derivados obrigados a cumprir metas que envolvem geolocalização e avaliação de riscos associados às areas de produção. Os outros produtos são: carne bovina, cacau, soja, madeira, óleo de palma e borracha.
Foto: Igor do Vale/Folhapress
União Europeia busca combater o desmatamento impondo regras à entrada de produtos agrícolas em seu território, o que impactará diretamente no modelo de exportação de sete produtos brasileiros
Pausa na disputa entre China e EUA busca conter os danos de uma guerra comercial que vinha afetando cadeias globais de suprimento, pressionando os preços e gerando incertezas nos mercados financeiros. Para países com economias dependentes de exportações, como o Brasil, o impacto é direto, mas desta vez os sinais são mais negativos do que positivos.
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Nova fase de negociações entre os dois gigantes comerciais impacta diretamente países dependentes de exportações. Mas, ao contrário do que ocorreu em fases anteriores da disputa, desta vez os sinais são mais negativos do que positivos
Tarefa para os líderes: Reforçar o multilateralismo em áreas estratégicas como comércio, investimentos, tributação e financiamento climático. E garantir que as iniciativas sejam voltadas à promoção de um desenvolvimento social e econômico mais inclusivo.
Foto: Divulgação, Ministério das Relações Exteriores
BRICS+ deve buscar ampliar os fluxos comerciais Sul-Sul para além do eixo centrado na China, que já tem consolidada a sua posição como principal parceiro comercial.
Lula durante a sessão de abertura da primeira reunião em preparação para o encontro do BRICS, que ocorre em julho no Brasil. A necessidade de manter laços econômicos com países de histórico controverso, como China e Arábia Saudita, apresenta desafios à coerência da política externa.
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A economia brasileira depende de parceiros comerciais com históricos problemáticos de direitos humanos. A estratégia de equilibrar valores e pragmatismo é um desafio constante para a diplomacia brasileira
Trump e Xi-Jinping: ofensiva diplomática firme e imediata da China sinaliza estabilidade do país asiático, enquanto os EUA implodem a sua própria credibilidade. Nessa novo configuração comercial internacional, Brasil tem tudo para se reposicionar e ganhar relevância.
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Nos tempos de disputa e instabilidade que virão, a neutralidade passiva será confundida com irrelevância. Se quiser ser ouvido, Brasil terá que falar alto e com coerência
Em Buenos Aires, um boneco de Javier Milei foi levado por ativistas para uma manifestação contra o governo em frente à Casa Rosada nesta segunda-feira, 24 de março, dia em que a Argentina relembrou os 49 anos do início de um período de exceção que mergulhou o país numa crise econômica da qual até hoje parece não ter saído. E que parece se agravar com o governo de austeridade extrema do atual presidente.
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Descontentamento da população, especialmente com relação a aposentadorias e dívida externa, poderá agravar cenário social do país, com implicações no comércio bilateral e na estabilidade regional
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)