Apesar de assumirem maior projeção agora, desentendimentos entre os presidentes da Argentina e do Brasil ocorrem há algum tempo. Começaram em 2019, com o desalinhamento ideológico dos governos de Alberto Fernández e Jair Bolsonaro. Agora seguem entre Lula e Milei, em polos invertidos.
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André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Entre convocações de embaixadores para consultas e rebaixamento das relações, crise diplomática entre os dois países reflete tensões políticas acumuladas há anos
A crescente preocupação global com a resistência aos antimicrobianos está transformando critérios sanitários em elementos centrais do comércio internacional de alimentos. O debate entre Brasil e União Europeia envolve rastreabilidade, vigilância microbiológica, uso responsável de antibióticos na produção animal e os novos desafios regulatórios para exportação de proteínas de origem animal.
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Do ponto de vista científico, a preocupação da UE possui fundamento sólido. O uso intensivo e inadequado de antimicrobianos na produção animal contribui para selecionar bactérias resistentes, que podem circular entre animais, alimentos, ambiente e seres humanos
A crise envolvendo a carne brasileira evidencia um paradoxo institucional no funcionamento do próprio acordo entrs os dois blocois econômicos. Enquanto o Mercosul opera como uma agência política intergovernamental, dependente de negociações internas e da aprovação nacional das normas acordadas, a UE segue outra lógica.
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A decisão ocorreu em um contexto de crescente pressão política e econômica dentro da Europa para proteger produtores rurais europeus diante da competitividade agrícola sul-americana
Apesar do entrave apresentado pelo Parlamento Europeu, o Acordo Interino de Comércio (ITA) entrou em vigor neste 1 de maio de 2026. Agora, resta acompanhar os processos de ratificação nacional por parte dos 27 Estados-membros da UE.
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Apesar do entrave apresentado pelo Parlamento Europeu, o Acordo Interino de Comércio entrou em vigor neste 1 de maio de 2026. Agora, resta acompanhar os processos de ratificação nacional por parte dos 27 Estados-membros da UE
Assinatura do acordo entre países membros do Mercosul e do EFTA, que reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça: lógica é reduzir custos, ampliar previsibilidade e abrir oportunidades de comércio e investimento.
ocorrida em setembrode 2025, no Rio de Janeiro:
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A EFTA reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, economias pequenas mas sofisticadas em tecnologia, serviços, energia e finanças. A lógica é reduzir custos, ampliar previsibilidade e abrir oportunidades de comércio e investimento
O Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado, e a Comissão Europeia, braço executivo do bloco, deram aval ao acordo. Mas no Parlamento Europeu (foto), braço legislativo da UE, o acordo foi judicializado, e agora pode levar mais de um ano para a questão sejá analisada pelo Tribunal de Justiça da UE.
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Do lado europeu, a ratificação pelos 27 países-membros ainda percorrerá um verdadeiro labirinto institucional, marcado por críticas persistentes e protestos da sociedade civil, sobretudo de agricultores
Eurodeputados votam favoravelmente ao acordo, no dia 21 de janeiro de 2026: a necessidade de diminuir a dependência em relação aos EUA, tanto em questões de segurança quanto de economia, motivou a União Europeia a assinar o acordo com o Mercosul. Por esse mesmo motivo, há pressões sistêmicas para que a UE coloque o acordo em vigor o quanto antes.
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André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Em negociação desde os anos 90, acordo assinado em janeiro reflete as mudanças contemporâneas e antecipam cenários possíveis para o futuro
O presidente Donald Trump assina a criação do “Conselho da Paz”, ao lado de presidentes de países como Albânia, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Bulgária, Egito, Hungria, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Kosovo, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, além dos vizinhos Argentina e Paraguai: instrumento para converter o peso militar e financeiro dos EUA em autoridade reguladora sobre conflitos globais.
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Para o Brasil, aceitar o Conselho proposto por Trump seria institucionalizar uma estrutura que fixa o desequilíbrio a favor dos EUA e reduz o espaço de manobra de potências médias que aspiram a papel de articuladoras entre blocos
Frustrados com o pacote de emendas aprovado pelos eurodeputados, agricultores da UE realizam o maior protesto agrícola desde os anos 1990. Em Bruxelas, mais de 10 mil manifestantes se concentram desde o dia 18 de dezembro nas imediações do Parlamento Europeu, em constantes conflitos com a polícia.
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Categoria intensifica pressão sobre os chefes de Estado e de governo que estão reunidos no Conselho Europeu com um objetivo claro: impedir avanços políticos imediatos no Acordo UE-Mercosul
O Secretário de Defesa - cargo agora rebatizado para “secretário de guerra”- Pete Hegseth, durante a apresentação da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA.
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Nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos deixa de tratar a América Latina como espaço de cooperação estratégica e passa a enquadrá-la como área direta de contenção, controle e possível intervenção
A chefe de política externa da União Europeia Kaja Kallas fala durante coletiva na sede da UE em Bruxelas: para o Mercosul, resistir à pressão europeia não significa rejeitar a integração ou o comércio internacional. Significa, antes de tudo, reconhecer que a atual fragilidade da União Europeia oferece uma rara oportunidade de negociar em condições de maior equilíbrio.
A União Europeia já não é a potência coesa e autônoma de décadas atrás; trata-se de um bloco em franco declínio estratégico, econômico e político, o que muda por completo a balança de forças.
Lula durante a sessão de abertura da primeira reunião em preparação para o encontro do BRICS, que ocorre em julho no Brasil. A necessidade de manter laços econômicos com países de histórico controverso, como China e Arábia Saudita, apresenta desafios à coerência da política externa.
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A economia brasileira depende de parceiros comerciais com históricos problemáticos de direitos humanos. A estratégia de equilibrar valores e pragmatismo é um desafio constante para a diplomacia brasileira
Em Buenos Aires, um boneco de Javier Milei foi levado por ativistas para uma manifestação contra o governo em frente à Casa Rosada nesta segunda-feira, 24 de março, dia em que a Argentina relembrou os 49 anos do início de um período de exceção que mergulhou o país numa crise econômica da qual até hoje parece não ter saído. E que parece se agravar com o governo de austeridade extrema do atual presidente.
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Descontentamento da população, especialmente com relação a aposentadorias e dívida externa, poderá agravar cenário social do país, com implicações no comércio bilateral e na estabilidade regional
Agricultores dirigem seus tratores durante uma manifestação contra o acordo comercial UE-Mercosul, em novembro, em Beauvais, norte da França. O pôster diz: Eu amo meu trabalho e gostaria de viver dele.
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Após 25 anos, UE e Mercosul assinaram um acordo histórico. Em um contexto de crescentes tensões comerciais e estratégicas em escala global, o acordo assume importância inédita. Para o Brasil, a abertura do mercado europeu com tarifas reduzidas ou zeradas é especialmente tentadora.
Professor do Departamento de Bioquímca da UFRJ, Cientista do Nosso Estado da FAPERJ e Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)., Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)