Mobilização de navios e ataques a barcos da Venezuela e da Colômbia foi justificada pela necessidade de “interromper rotas do tráfico”. Mas o que está em curso é uma tentativa de reposicionar o poder norte-americano em seu entorno geopolítico. E reafirmar o controle de uma região que os EUA consideram seu quintal e sua retaguarda estratégica.
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Estratégia é reforçar controle sobre quintal latino-americano, diminuindo momentaneamente o esforço bélico no teatro de operações principal (Eurasia, Oriente Médio e Pacífico) para reforçar o palco secundário (América Latina e Atlântico Sul)
Venezuelanos acendem velas em Bogotá, Colômbia, durante uma manifestação pela libertação do que consideram serem prisioneiros políticos e em homenagem à líder da oposição Maria Corina Machado, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025.
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O Brasil corre o risco de perder a capacidade de influenciar os rumos da crise, tornando-se mero espectador de uma nova rodada de tensões regionais e, talvez, de um conflito.
Analistas viram o prêmio a Maria Corina como uma mensagem global de rejeição ao regime venezuelano, alinhado à Rússia, num contexto de tensões geopolíticas. O jornal norueguês VG acredita que o prêmio amplia a visibilidade da oposição venezuelana e pode aumentar a pressão diplomática sobre Nicolás Maduro.
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Escolha foi controversa e o impacto real da premiação dependerá da capacidade dos diferentes atores políticos de transformar o simbolismo internacional em avanços concretos para o país
Um membro da Milícia Nacional Bolivariana mostra a uma mulher como operar uma arma durante exercícios militares em Caracas.
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Imagens e notícias de armas e treinamento militar sendo oferecidos a civis indicam que o país se prepara para uma possível estratégia de resistência à base de milícias e guerrilha urbana
Fuzileiros navais dos EUA estacionam um avião de combate Lockheed Martin F-35B na Estação Naval Roosevelt Roads, em Porto Rico, em 13 de setembro de 2025. Embora as chances de um ataque e até mesmo de uma mudança de regime estejam aumentando, a estratégia de Washington no curto prazo parece continuar sendo a de pressão sem comprometimento total, usando demonstrações de força, sanções e ataques seletivos para enfraquecer Caracas e, ao mesmo tempo, evitar ser arrastado para uma guerra complicada ou provocar um choque do petróleo.
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O aumento da presença militar dos EUA no Caribe levou o presidente venezuelano Nicolás Maduro a responder com exercícios militares
Numa coletiva de imprensa em Caracas, o presidente Nicolás Maduro tenta mostrar que o combate ao narcotráfico, razão alegada pelos EUA para mobilizar navios, tropas e aviões no Caribe Venezuelano, não se sustenta, visto que 87% do fluxo de drogas da América do Sul para os EUA ocorre pelo Oceano Pacífico.
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Segundo relatos, militares venezuelanos consideram bastante provável uma operação limitada dos EUA para invadir a Venezuela, sob o pretexto de combater o narcotráfico mas de olho no petróleo e na queda de Nicolás Maduro
O Ministro da Defesa da Venezuela Vladimir Padrino López (ao centro), discursa ao lado de militares sobre as medidas que o país deverá tomar caso a intervenção de navios dos EUA na costa venezuelana se concretize. Segundo avaliação do governo, a suposta ação contra o narcotráfico pode ocultar tentativa de desestabilização do governo de Nicolás Maduro.
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Envio de navios americanos ao Caribe combina sinais de projeção de força militar destinada a combater o narcotráfico ao mesmo tempo em que aplica pressão política e jurídica com o objetivo de enfraquecer o governo de Nicolás Maduro
Migrante venezuelana cruza a fronteira com Roraima com um bebê de colo e uma criança: estudo de pesquisadores da Universidade La Coruña, na Espanha, revela como a travessia, os abrigos emergenciais e até a adaptação às cidades brasileiras é mais perigosa para as mulheres, com riscos que envolvem violência sexual, xenofobia e falta de assistência social.
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A convivência forçada com homens desconhecidos no abrigos gera insegurança e violência para muitas venezuelanas que migram para o Brasil pela fronteira com Roraima
Protesto contra a posse de Maduro, em janeiro: A Revolução Bolivariana completou 25 anos à frente do poder político, alcançando o apogeu na primeira década do século XXI, com prosperidade econômica e social. Entretanto, desde 2013 é marcada por altos níveis de polarização política, derretimento das melhorias sociais e dificuldades materiais.
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O lulismo e parte do Itamaraty convergem na ideia de que, para se afirmar globalmente, o Brasil precisa ser reconhecido como líder regional. Nesse contexto, a Venezuela e a postura apaziguadora adotada por nossa diplomacia representam grandes desafios
Sob ataque crescente da oposição e da maior parte da comunidade internacional, Maduro se perpetua no poder aliando popularidade com ações controversas de controle político, repressão e apoio econômico da China e da Rússia.
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Oposição e grande parte da comunidade internacional, liderada pelos EUA, apontam reforma constitucional recém-anunciada como novo artifício do governo para fortalecer o chavismo às custas de repressão e perpetuação no poder
Embora insatisfeito com a postura de Maduro, que se negou a mostrar as atas eleitorais em julho de 2024, o Brasil deve seguir uma abordagem pragmática, reconhecendo que romper completamente os laços com a Venezuela seria pouco vantajoso.
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A chegada de Trump ao poder pode ser
um fator de estabilização nas relações entre Brasil e Venezuela. O Brasil deve seguir uma abordagem pragmática. Romper os laços com a Venezuela seria pouco vantajoso.
O presidente Lula e Nicolas Maduro em um encontro em Brasília, em 2023, após oito anos de distanciamento: posição do Itamaraty sobre a duvidosa eleição na Venezuela pende entre a necessidade global de defesa intransigente da democracia e a postura de neutralidade e liderança regional que a marcam a tradição da diplomacia brasileira.
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O imbróglio eleitoral venezuelano pode ser uma oportunidade única para o Brasil equilibrar demandas democráticas com os princípios históricos que trazem coerência e estabilidade à nossa política externa no âmbito regional
Manifestantes protestam contra o governo de Nicolás Maduro em Caracas, em 29 de julho de 2024.
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O presidente Nicolás Maduro reivindicou a vitória, mas os líderes regionais e observadores externos reclamaram de fraude.
Famílias inteiras de imigrantes - a maioria da Colômbia, Venezuela e Haiti - arriscam suas vidas e perdem todas as suas economias na tentativa de atravessas o estreito rumo aos EUA, guiados por coiotes do principal grupo de narcotraficantes da Colômbia.
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Mais de meio milhão de pessoas fizeram a traiçoeira travessia por terra entre as Américas do Sul e Central em 2023 - muito mais do que em anos anteriores.
Os presidentes Lula e Zelensky posam durante encontro em Nova York: aprendizados do passado e novo cenário geopolítico podem ajudar a diplomacia brasileira a mediar com mais sucesso tanto as tensões entre Guiana e Venezuela quanto a guerra na Ucrânia.
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Aprendizados do passado e novo cenário geopolítico internacional podem levar Brasil a mediar com sucesso tanto as tensões entre Guiana e Venezuela quanto a guerra na Ucrânia.
Desde o século 19, Venezuela e Guiana disputam por território. Em 3 de dezembro de 2023, eleitores venezuelanos aprovaram a anexação de grande parte da região. A disputa se acirrou por conta da descoberta de gigantescas jazidas de petróleo na área.
Guilherme Tosetto/Folhapress
Exploração de petróleo tornou a Guiana o país que mais cresce no mundo. Para a Venezuela, controlar o território pode significar ganhos econômicos expressivos.