Refinaria iraniana em chamas após um bombardeio em junho: guerra provoca alta dos custos logísticos e do preço dos seguros, e aumenta a volatilidade do petróleo - fatores que ajudam a produzir efeitos em cascata que atingem toda a economia mundial.
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A interrupção de rotas estratégicas, a alta dos custos logísticos, o aumento do custo dos seguros e a volatilidade do petróleo estão produzindo efeitos em cascata que atingem diferentes setores da economia mundial
Petroleiros cruzam o Estreito de Ormuz: Acordo assinado entre EUA e Irã vale por 60 dias, deixa em aberto os pontos mais difíceis das negociações e estende o cessar-fogo ao Líbano sem que Israel tenha assumido compromisso de cessar suas hostilidades. Ou seja, trata-se de um documento ainda frágil, que pode ruir antes de o primeiro navio pagar a primeira taxa.
Foto aérea de Boukhatala Chamseddine / Shutterstock
Guerra entre Estados Unidos e Irã está suspensa por um acordo que libera a passagem por 60 dias. Depois disso, Teerã quer administrar, e cobrar, pelo corredor onde transita um quinto do petróleo do mundo
No centro de Teerã, um cartaz mostrando navios norte-americanos presos por redes de pesca diz, em farsi: “o Estreito de Ormuz permanecerá fechado. Todo o Golfo Pérsico é o nosso território”.
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O direito marítimo internacional convenciona que os países costeiros de estreitos internacionais não podem impedir a passagem de navios. Porém, o Irã não assinou o documento que convenciona tal prática
Fuzileiros navais dos EUA cruzam a fronteira do Kuwait para invadir o Iraque em 2003: mais de 20 anos depois, sucesso militar da derrubada do regime de Saddam Hussein deixou para trás um Estado autoritário com fortes laços com o Irã.
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Mais de 20 anos após o sucesso militar dos EUA no Iraque, o resultado dos esforços americanos para mudar o regime não foi o esperado, e ditadores com laços estreitos com o Irã governam o país.
Um agente de segurança monta guarda durante uma manifestação em apoio à nomeação do aiatolá Mojtaba Khamenei como sucessor de seu falecido pai, o aiatolá Ali Khamenei, como líder supremo do Irã.
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A história recente mostra que grupos armados não estatais frequentemente sobrevivem à queda de seus patrocinadores
Covas abertas às pressas num cemitério em Teerã: quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos foram seguidos por retaliações contra bases militares americanas e também contra áreas civis e infraestrutura sensível, o ciclo de pressão transformou-se em guerra aberta.
Foto: Departamento Iraniano de Mídia Estrangeira, via AP
Ao tornar exigências públicas e mobilizar forças militares, os EUA elevaram o custo político de recuar. Diante da ausência de concessões nos termos esperados, a lógica da credibilidade empurrou a crise para o uso efetivo da força
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante a reunião de cúpula do BRICS, em julho de 2025 no Rio de Janeiro: entrada do país do Oriente Médio no grupo é estratégia multilateralista defendida pelo Brasil, que não teria nada a ganhar com um eventual conflito militar com os EUA.
AP Photo / Eraldo Peres
A presença do Irã no BRICS Plus reforça a ambição do grupo de atuar como espaço de coordenação política fora do eixo euro-atlântico. Ataque americano ao Irã colocaria essa estratégia a perder
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (à esquerda), durante a reunião de cúpula do BRICS, em julho de 2025 no Rio de Janeiro: entrada do país do Oriente Médio no grupo é estratégia multilateralista defendida pelo Brasil, que não teria nada a ganhar com um eventual conflito militar com os EUA.
AP Photo / Eraldo Peres
A presença do Irã no BRICS Plus reforça a ambição do grupo de atuar como espaço de coordenação política fora do eixo euro-atlântico. Ataque americano ao Irã colocaria essa estratégia a perder
Em Berlim, manifestante iraniano acende um cigarro na foto em chamas do aiatolá Ali Khamenei, num gesto simbólico de protesto contra o governo do país que se espalhou pelo mundo, em mais um episódio no qual o Irã se vê ameaçado de nova intervenção estrangeira.
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Interferências estrangeiras não são novidade no Irã. Elas têm sido relativamente frequentes e, em geral, penalizaram os próprios iranianos
Manifestantes iranianos bloqueiam uma rua em Teerã, em 9 de janeiro. Enquanto a população iraniana está mergulhada em um apagão digital, a mídia estatal e as autoridades começaram a construir sua narrativa preferida dos eventos.
MAHSA / Middle East Images / AFP via Getty Images
Os líderes religiosos do Irã há muito tentam controlar a narrativa quando eclodem protestos. Até agora, os manifestantes continuam arriscando suas vidas pela liberdade.
Já houve dias melhores: o presidente venezuelano Nicolas Maduro, à esquerda, em reunião com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã, em 22 de outubro de 2016.
Gabinete do Líder Supremo do Irã, via AP
Talvez ninguém fora da Venezuela deva se preocupar mais com a invasão dos EUA e o sequestro do presidente Nicolás Maduro do que o líder supremo da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei
Prisioneiros palestinos comemoram sua libertação no mesmo dia em que o Hamas soltou os reféns que ainda mantinha desde outubro de 2023: responsabilidade pelas pressões internacionais que levaram ao acordo é, principalmente, das mobilizações populares e da resistência civil.
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Os verdadeiros responsáveis para que os governos de Israel e dos Estados Unidos, bem como o comando do Hamas, tenham sido pressionados a aceitar um acordo foram e são as mobilizações populares
Israelenses em protesto para exigir o fim da guerra e a libertação dos reféns em agosto de 2025: há dois anos, perspectiva era de normalização das relações com Árábia Saudita e união para conter o Irã, visão que agora está em frangalhos
SOPA Images Limited/Alamy Live News
Um futuro Estado é complicado devido ao grande número de colonos israelenses nos territórios ocupados e às barreiras que Israel construiu para separar os palestinos.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, visita uma exposição sobre as conquistas nucleares do país, em Teerã: o atual cessar-fogo com Israel surge como uma trégua frágil em meio a um contexto de extrema volatilidade, onde ainda pesa para os iranianos um sentimento de humilhação que gera pressão interna por uma resposta futura às hostilidades recentes.
Foto: Divulgação / Governo do Irã
A tese de que o Irã nuclearizado poderia criar um equilíbrio de poder com Israel é aceita na comunidade internacional, mas carece dos elementos que garantiram sua eficácia durante a Guerra Fria
Equipe de TV transmite ao vivo choro de mãe palestina após a morte do filho após ataque ataque aéreo israelense em Gaza: na era da guerra ao vivo, a mídia corporativa, aliada do complexo político industrial militar, abre o teatro de operações comunicacional em que as narrativas transformam a guerra em espetáculo e mercadoria.
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É preciso ampliar o acesso aos grandes debates tecnológicos e estratégicos por meio de plataformas participativas que integrem cidadãos, pesquisadores e formuladores de políticas.
O Irã tem algumas escolhas difíceis pela frente. O país prometeu uma resposta contundente, mas pode ser limitado no que realmente pode alcançar
Dangerous friendship? The US president, Donald Trump, meeting with the Israeli prime minister, Benjamin Netanyahu, in Washington in February,
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A decisão do presidente dos EUA de se juntar à campanha aérea de Israel contra o programa nuclear do Irã é a sentença de morte da antiga ordem baseada em regras.
Um ativista agita bandeiras revolucionárias da Síria, celebrando a derrubada do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024: a queda do regime sírio foi o primeiro sinal de esgotamento do chamado “eixo da resistência” formado por Irã, Síria e Hezbollah.
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Os próximos meses serão decisivos para saber se surgirá uma nova ordem ou se o vazio de poder abrirá caminho para mais conflitos
Moradores abandonam às pressas prédio bombardeado em Tel Aviv: dentre os cenários possíveis, uma escalada regional de violência no Oriente Médio é um dos mais preocupantes.
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Seja qual for o desfecho, conflito entre Israel e Irã mostra que o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio está mudando rapidamente. E isso afeta economias, alianças políticas e decisões estratégicas em várias partes do mundo
Executive Director, Pacific Water Research Centre, Faculty of Applied Sciences | Director and Professor of Practice, SFU School of Sustainable Energy Engineering, Simon Fraser University
Professor Titular em Segurança Internacional e Resolução de Conflitos e vice-coordenador do Instituto de Políticas Públicas e Relações internacionais (IPPRI), Universidade Estadual Paulista (Unesp)