Uma das salas de exposições do Parque da Ciência Newton Freire Maia, no município de Pinhais, na Grande Curitiba: a pesquisa ouviu 2.684 pessoas, em 88 municípios do estado, e revelou contradições profundas que atravessam a relação entre conhecimento científico e vida pública no século XXI.
Foto: Silvio Turra / Secretaria de Educação do Estado do Paraná
Débora de Mello Sant' Ana, Universidade Estadual de Maringá (UEM); Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência; Rodrigo Arantes Reis, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, and Tamara Domiciano, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência
Pesquisa mostra que muitos paranaenses confiam na ciência, em vacinas e aquecimento global, mas cerca de metade nega teoria da evolução
Todos na chuva: em seu retorno à presidência dos EUA, Donald Trump agressivamente desmontou políticas locais verdes implementadas por seu antecessor, esvaziou iniciativas alinhadas ao desenvolvimento sustentável no plano internacional, boicotou a COP 30 e pressionou outros governos a flexibilizarem suas legislações climáticas. No pano de fundo desse rolo compressor, a negação à ciência em nome da economia.
Foto: Divulgação / Governo dos Estados Unidos
Como despolitizar a agenda do clima? É preciso restabelecer um consenso mínimo em torno da ciência. Na medida em que a realidade se impõe, os efeitos cada vez mais devastadores da crise climática também cobrará um custo político dos governos que a negam
Protesto em frente ao Congresso por demarcação de terras indígenas, em outubro de 2025: apesar de numerosa, amplamente divulgada pela mídia e apoiada por grande parte da opinião pública, a defesa do ambiente e a luta contra as mudanças climáticas ainda perde feio dentro das casas legislativas para os interesses do agronegócio e do setor de energia fóssil - encorajados pela ambiguidade do governo quanto ao tema.
AP Photo / Eraldo Peres
Estudo mostra contradições complexas: muitos brasileiros têm opinião favorável à preservação, mas compartilham conteúdos falsos sobre o clima, o que favorece os interesses do agronegócio e do setor de energia fóssil
Desde a década de 1950 a indústria sabia da ameaça potencialmente grave que representava para o clima da Terra, e nos anos 1970 tinha certeza que as mudanças climáticas eram inevitáveis, mas ainda assim, em vez de alertar o público sobre a iminente crise e tomar medidas, ocultou o que sabia.
Pan Demin/Shutterstock
Desde a década de 1950 as empresas de petróleo e gás têm se dedicado a lançar campanhas de negação e desinformação para bloquear a adoção de políticas climáticas e de descarbonização.
Desde a ruptura do processo democrático em 2016, o orçamento federal para pesquisa sofreu cortes significativos, afetando laboratórios, bolsas e programas de fomento. Ainda assim, os cientistas brasileiros mantiveram um alto nível de produtividade e relevância internacional, demonstrando a força institucional e a capacidade de mobilização das universidades públicas.
SARS CoV/ kjpargeter
Os resultados mostram que mesmo diante de um cenário político e econômico adverso, em 2022, 5,9% de todas as publicações científicas brasileiras trataram da covid-19, proporção superior à média mundial, que foi de 4,8%.
Um funcionário usando equipamento de proteção carrega frascos de contra a COVID-19 na Fiocruz: hoje, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) é crucial para o abastecimento de vacinas do Sistema Único de Saúde (SUS).
AP Photo/Bruna Prado
Ao investir em pesquisa, formação de profissionais qualificados e inovação tecnológica, o Brasil se blinda contra discursos que descredibilizam o conhecimento científico e constrói um futuro mais seguro e saudável
Incongruências do discurso que nega os efeitos das mudanças climáticas e refletem um radicalismo que se afasta cada vez mais do conservadorismo tradicional
Diante de um mundo doente, que vivencia um contexto de mentiras e negacionismo, há tambem o clamor por uma comunicação saudável, qualificada e baseada em evidência.
Unsplash
Diante de um mundo doente, que vivencia um contexto de mentiras e negacionismo, há tambem o clamor por uma comunicação saudável, qualificada e baseada em evidência
Criança indígena sendo vacinada no Hospital das Clínicas, em São Paulo: Se somarmos todas as mortes de crianças por gripe, pneumonia, meningite, coqueluche, difteria, tétano, hepatite, catapora, sarampo, rubéola que tivemos no Brasil de 20 a 22, a COVID-19 matou mais.
AP Photo/Andre Penner
Renato Kfouri, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
A COVID-19 sozinha vitimou mais crianças em três anos de pandemia no Brasil do que todas as doenças preveníveis com vacinas do calendário infantil juntas.
Pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e em Matemática, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência
Professora Titular do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB)