Pesquisa mostra que muitos tipos de câncer são evitáveis, e um dos melhores exemplos de prevenção é a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), cuja cobertura vem caindo.
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John (Eddie) La Marca, WEHI (Walter and Eliza Hall Institute of Medical Research) and Sarah Diepstraten, WEHI (Walter and Eliza Hall Institute of Medical Research)
Quatro vírus e uma bactéria foram responsáveis por 12% dos casos de câncer no mundo em 2024. Isso significa que eles são evitáveis?
Manifestação antivacina em Manchester (Inglaterra) em dezembro de 2020: desigualdade econômica e dificuldades para pagar as contas são o terreno fértil onde discurso populista funciona como fertilizante, e a rejeição à medicina oficial é a erva daninha que brota como resultado.
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A recusa das vacinas não é apenas desinformação, é o sintoma de uma crise de confiança, e a ciência revela como o populismo explora esse medo para minar a saúde pública
Bangladesh vem enfrentando surtos de sarampo desde maio de 2026, com mais de 900 mortes pela doença: enquanto países de baixa renda têm problemas de acesso, em países ricos os surtos estão ligados a questões religiosas e hesitação vacinal devido à desinformação.
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O sarampo está voltando a se espalhar pelo mundo a partir de locais com baixas taxas de cobertura vacinal, onde alguns poucos casos podem rapidamente se transformar em uma epidemia
Uma vacina nova, ao ser incorporada ao Sistema Único de Saúde, continua sendo acompanhada após os estudos clínicos e a autorização regulatória. Ensaios clínicos são indispensáveis, mas não reproduzem integralmente a complexidade da vida real nem detectam todos os eventos raríssimos.
Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Suspensão temporária da vacina é uma demonstração de maturidade institucional, de responsabilidade sanitária e de compromisso com a vida.
Manifestantes contra a vacina confrontam vereadores na Câmara Municipal de Porto Alegre, durante votação do passaporte sanitário, em 2021: padrão de comportamento identificado pela pesquisa sugere que as pessoas não rejeitavam a vacina por avaliarem evidências científicas de forma independente, mas tomavam atitudes com base em intuição e lealdade política. E depois buscavam argumentos para justificá-las.
Foto: Elson Sempé Pedroso / CMPA
Eleitores que declararam só votar em Bolsonaro, rejeitando outros candidatos, mesmo os alinhados à direita, apresentaram uma taxa de vacinação de 65%. Entre aqueles dispostos a considerar outras opções dentro do campo conservador, a taxa de vacinação subia para 71%
A ampla oferta e os benefícios inegáveis da vacinação não têm sido suficientes para levar a população em volume suficiente aos postos de saúde. Em 2025, por exemplo, a cobertura da campanha da Região Norte foi de apenas 41,1%, enquanto a voltada às demais regiões do país chegou a 54,15%. Ainda assim, muito longe da meta de 90%.
Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro
Renato Kfouri, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
A ampla oferta e os benefícios inegáveis da vacinação não têm sido suficientes para levar a população aos postos
Estudantes fazem fila para receber antibióticos do lado de fora de um prédio da Universidade de Kent, em Canterbury: vacina existe desde 2013, mas sistema de saúde britânico a fornece apenas para bebês, o que deixou uma geração inteira de estudantes vulnerável à doença.
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A vacina contra a meningite B existe desde 2013 e o Reino Unido foi o primeiro a adotá-la, mas apenas para bebês: uma geração de estudantes nunca a recebeu, e agora está pagando o preço
om 2.500 pacientes que tiveram infarto. Aqueles que receberam a vacina contra influenza apresentaram 41% menos mortes por causas cardiovasculares ,no período de um ano, quando comparados aos não vacinados.
Foto: Andy Dean / Envato
Estudo com 2.500 pacientes que tiveram infarto mostra que aqueles que receberam a vacina contra influenza apresentaram 41% menos mortes por causas cardiovasculares no período de um ano
Desde que assumiu o cargo no início do ano, RFK Jr tem tido atitudes e tomado decisões que minam a confiança do público e dificultam o acesso e desenvolvimento de vacinas.
As vacinas salvaram 154 milhões de vidas só nos últimos 50 anos, mas as ações de Robert F. Kennedy Jr trazem uma perspectiva assustadora de um retorno à era pré-vacinas
Meninos e meninas em manifestação pró-vacina contra a Covid: histórico de vacinação de pais e mães, seus hábitos de uso da TV e seu apoio a Bolsonaro estão entre as principais causas da hesitação vacinal no caso da Covid-19.
AP Photo/Bruna Prado
Wladimir Gramacho, Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC/UnB)
Preferência política e status de vacinação de pais, mães e responsáveis estão entre os principais determinantes
O mosquito transmissor Aedes Aegypti com o corpo cheio de sangue humano: a existência de condições propícias à dengue foi agravada pelo desmonte da inteligência de controle de doenças e vetores nos estados e municípios entre 2019 e 2022.
James Gathany/Centers for Disease Control and Prevention via AP
Só em janeiro, 15 pessoas morreram no Brasil por complicações da doença, há 149 óbitos em investigação e ainda estamos longe do pico da epidemia, que ocorre entre março e maio. Vacinação começa em fevereiro.
Criança indígena sendo vacinada no Hospital das Clínicas, em São Paulo: Se somarmos todas as mortes de crianças por gripe, pneumonia, meningite, coqueluche, difteria, tétano, hepatite, catapora, sarampo, rubéola que tivemos no Brasil de 20 a 22, a COVID-19 matou mais.
AP Photo/Andre Penner
Renato Kfouri, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
A COVID-19 sozinha vitimou mais crianças em três anos de pandemia no Brasil do que todas as doenças preveníveis com vacinas do calendário infantil juntas.
Criança assustada, pai feliz, profissional de saúde salvando vidas: a imagem que representa a excelência do Programa Nacional de Imunização desde os anos 70 volta a ser bombardeada por fogo amigo. Ideologia ou ignorância?
AP Photo/Bruna Prado
Mônica Levi, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
Causou grande espanto entre especialistas em imunização que o Conselho Federal de Medicina (CFM) tenha questionado a vacinação de crianças, ao criar uma pesquisa para avaliar a opinião dos médicos sobre o tema.
Número de casos da doença aumentou 16% em 2023 no Brasil, com 5% mais óbitos, em comparação a 2022. Mudanças climáticas agravam a situação, diz o doutor em doenças infecciosas e parasitárias da USP Marcos Boulos.
Lauren Bishop; Brandon Clifton para Public Health Image Library (PHIL)
Número de casos da doença aumentou 16% em 2023 no Brasil, com 5% a mais de óbitos. Letalidade reduziu, mas números para este verão preocupam muito por conta das mudanças climáticas .
Na semana em que o Ministério da Saúde determinou a aplicação de dose extra da vacina bivalente para idosos e grupos de risco diante do surgimento de uma nova variante, o sanitarista Gonzalo Vecina Neto escreve sobre como a baixa procura pela vacinação de reforço é preocupante no Brasil.
Fiocruz Imagens
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Membro da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização do Programa Nacional de Imunizações, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
Professor titular do Departamento de Moléstias Infeciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina e Assessor da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Universidade de São Paulo (USP)
Professor Associado da Faculdade de Comunicação e Coordenador do Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública (CPS), Universidade de Brasília (UnB)