Os presidentes do Brasil, Panamá
Da esquerda para a direita, os presidentes Bernando Arévalo, da Guatemala; Lula, do Brasil; José Raúl Mulino, do Panamá; Sergio Díaz Granados, do Banco de Desenvolvimento da América Latina; Rodrigo Paz, da Bolívia; Daniel Noboa, do Equador; e o primeiro ministro da Jamaica, Andrew Holness, durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, ocorrido em janeiro de 2026 no Panamá: na nova conjuntura geopolítica e comercial global, a unidade latino-americana deixa de ser um projeto apenas identitário, e assume contornos de sobrevivência estratégica.
Foto: Divulgação / Presidência do Panamá
Na América Latina, regimes autoritários e polarização ideológica profunda comprometeram a construção de instituições regionais duradouras. Mas a desunião regional deixou de ser neutra
A IA já está remodelando a ordem global por meio das cadeias internacionais de suprimentos, da política industrial, dos mercados de trabalho, do planejamento energético e do espaço informacional.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
A IA já está remodelando a ordem global por meio das cadeias internacionais de suprimentos, da política industrial, dos mercados de trabalho, do planejamento energético e do espaço informacional
Eurodeputados votam favoravelmente ao acordo, no dia 21 de janeiro de 2026: a necessidade de diminuir a dependência em relação aos EUA, tanto em questões de segurança quanto de economia, motivou a União Europeia a assinar o acordo com o Mercosul. Por esse mesmo motivo, há pressões sistêmicas para que a UE coloque o acordo em vigor o quanto antes.
AP Photo/Pascal Bastien
André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Em negociação desde os anos 90, acordo assinado em janeiro reflete as mudanças contemporâneas e antecipam cenários possíveis para o futuro
O presidente Donald Trump assina a criação do “Conselho da Paz”, ao lado de presidentes de países como Albânia, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Bulgária, Egito, Hungria, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Kosovo, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, além dos vizinhos Argentina e Paraguai: instrumento para converter o peso militar e financeiro dos EUA em autoridade reguladora sobre conflitos globais.
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Para o Brasil, aceitar o Conselho proposto por Trump seria institucionalizar uma estrutura que fixa o desequilíbrio a favor dos EUA e reduz o espaço de manobra de potências médias que aspiram a papel de articuladoras entre blocos
A estrada que liga as cidades de Chibuto e Chaimite, na província de Gaza, inteiramente isolada pelas águas: até agora, já foram contabilizadas 125 mortes, e mais de 700.000 pessoas estão desabrigadas.
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Luca Bussotti, Universidade Técnica de Moçambique (UDM)
Apesar da violência das inundações, o que sobressaiu foi a imagem de um país colapsado, incapaz de gerir eventos extremos, mesmo que previstos e previsíveis
Poucos dias após o discurso de Mark Carney no Fórum Econômico Mundial em Davos, (foto) Donald Trump ameaçou impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o país avançasse em um acordo de livre comércio com a China.
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Edna Aparecida da Silva, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU)
Autonomia, integração e a longa história de tensões nas relações Canadá–EUA
Proximidade geográfica, concentração regional de comércio e facilidade de projeção militar criam incentivos permanentes para que uma potência mais forte molde o comportamento de vizinhos mais fracos, segundo o conceito de esferas de influência. Nesse contexto, os EUA de Donald Trump usam a América Latina como teste, numa equação na qual o Brasil ocupa posição central. Como maior economia do bloco, o país detém capacidade de travar ou acelerar projetos de integração, negociar com múltiplos centros de influência e articular posições regionais comuns nos cada vez mais fragilizados fóruns multilaterais.
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América Latina, Mercosul e Brasil enfrentam o desafio de formular projetos próprios de desenvolvimento e integração para reduzir vulnerabilidades externas, em vez de aceitar o lugar que outros lhes reservam em mapas de esferas de influência
Na imagem, produzida por inteligência artificial, que o presidente americano Donald Trump publicou em seu perfil na rede Truth Social, ele aparece fincando a bandeira americana na ilha ao lado do secretário de Estado Marco Rubio e do vice, J. D. Vance, com uma placa indicando: “Groenlândia - Território dos EUA - Estabelecido em 2026”.
Donald Trump no Truth Social
Os custos de uma invasão da Groenlândia seriam menos militares e mais normativos. O Ocidente construiu sua legitimidade internacional no pós-Segunda Guerra Mundial com base na defesa da soberania, da integridade territorial e do direito internacional
Navio da Marinha Real Dinamarquesa patrulha a costa da capital da Groenlândia, Nuuk: interesse de Trump na ilha faz parte da nova configuração geopolítica e econômica mundial.
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Edna Aparecida da Silva, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU)
Houve uma transformação profunda na forma como os EUA articulam poder, economia e segurança. Essa dinâmica tem produzido a exclusão de capitais chineses por meio de participações minoritárias, estruturas societárias indiretas ou projetos classificados como sensíveis do ponto de vista geopolítico
Fazendeiros franceses protestam contra o acordo de comércio da União Europeia com o Mercosul em frente ao Arco do Triunfo, em Paris: já aprovado, o acordo tem sua assinatura prevista para o dia 17 de janeiro.
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Ao instrumentalizar ameaças geopolíticas inclusive contra aliados, os EUA deixaram de atuar como parceiro estratégico e passaram a se comportar como um parceiro constrangedor, politicamente coercitivo e estrategicamente imprevisível.
Plantação de soja no Mato Grosso: especialistas destacam que os maiores ganhos do acordo para o Brasil concentram‑se nela, na carne, no café, na celulose, no açúcar e no etanol, segmentos em que o país já detém vantagem competitiva.
AP Photo/Andre Penner
Para o Mercosul e o Brasil, a questão central reside em saber se o ganho de mercado, reputação e diversificação compensa a consolidação de uma inserção internacional ainda regulada pelos padrões definidos em Bruxelas
Manifestantes iranianos bloqueiam uma rua em Teerã, em 9 de janeiro. Enquanto a população iraniana está mergulhada em um apagão digital, a mídia estatal e as autoridades começaram a construir sua narrativa preferida dos eventos.
MAHSA / Middle East Images / AFP via Getty Images
Os líderes religiosos do Irã há muito tentam controlar a narrativa quando eclodem protestos. Até agora, os manifestantes continuam arriscando suas vidas pela liberdade.
Manifestantes seguram cartazes satirizando o presidente Trump e o presidente argentino, Javier Milei, durante um protesto em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires: a difícil nova conjuntura mundial que se avizinha - especialmente para as sociedades latino-americanas - não pode levar ao imobilismo, e nem se pode menosprezar o potencial da população norte-americana de conter os excessos de seu atual governo.
AP Photo/Victor R. Caivano
Ameaças militares, diplomacia coerciva ou intervenções com o uso da força começam a se tornar “normais”, e o arcabouço de normas, princípios e direitos universais se esvai
Lula, Trump e a implosão do multilateralismo: processo de erosão do espaço diplomático brasileiro na questão da Venezuela já havia sido exposta anteriormente. Em maio de 2025, uma operação secreta dos EUA retirou, em poucas horas, cinco opositores do governo Maduro que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, então sob tutela brasileira.
AP Photo/Mark Schiefelbein
Apesar de ambições declaradas de liderança regional e global, o Brasil demonstrou carecer de mecanismos eficazes de antecipação de crises, inteligência integrada e protocolos claros de resposta a eventos de alta complexidade estratégica
Brasileiros protestam contra a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em protesto no Rio de Janeiro.
AP Photo/Bruna Prado
Yasmim Abril M. Reis, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas
O que está em disputa é a legitimidade sobre o destino dos países do continente e o respeito a suas soberanias e recursos naturais e energéticos
Nas fotos oficiais divulgadas pela Casa Branca, o presidente Trump parece monitorar atentamente as operações militares dos EUA na Venezuela, ao lado do secretário de Defesa Pete Hegseth e do diretor da CIA John Ratcliffe. As imagens mostram inconsistências, como cabos de telefone desconectados e monitores ligados em redes sociais. Mas no teatro de guerra real, o espetáculo da força militar americana cumpriu sua função: reivindicou uma América Latina alinhada e submissa, deixando claro que a dissidência tem custos elevados.
Molly Riley/Casa Branca via AP
Ao dissolver a fronteira entre o doméstico e o internacional, criminalizar lideranças estrangeiras e subordinar a soberania latino-americana a interesses estratégicos, Washington reitera uma lógica imperial que atravessa séculos.
Manifestantes se reúnem em frente ao Capitólio do Estado de Ohio, em Columbus, Ohio, no domingo, após os EUA capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa em uma operação militar. As políticas extraordinárias americanas passam a ser justificadas por avaliações unilaterais de risco futuro. O resultado é uma política externa que opera de forma preventiva não apenas no plano militar, mas também jurídico, econômico e diplomático.
AP Photo/Jessica Phelps
Em um cenário já marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo, a lógica da guerra contra as FTOs contribui para tornar a ordem internacional menos previsível, onde alguns Estados se arrogam o direito de definir quais soberanias são plenas e quais são condicionais.
Apoiadores do presidente venezuelano Nicolás Maduro se reúnem durante uma manifestação em Caracas, em 4 de janeiro de 2026.
Pedro Mattey/Anadolu via Getty Images
Se Washington governar pela força na Venezuela, repetirá os fracassos do Afeganistão, Iraque e Líbia: o poder pode derrubar regimes, mas não pode criar autoridade política ou legitimidade.
Apoiadores armados de Nicolás Maduro se reúnem perto do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, em 3 de janeiro de 2026.
Federico Parra/ AFP via Getty Images
Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
O presidente Donald Trump afirmou que os EUA irão “governar” a Venezuela até que uma “transição segura, adequada e criteriosa” possa ocorrer. Mas isso ainda deixa muitas opções em aberto
O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, e sua esposa, Maria Pia Adriasola, cumprimentam apoiadores em Santiago. O novo governo assume em um contexto de fragmentação parlamentar e de elevada polarização social.
AP Photo/Esteban Felix
A eleição de Kast reforça uma tendência observada nos últimos anos: o avanço de lideranças de direita radical em resposta a frustrações econômicas, insegurança cotidiana e descrédito das elites políticas tradicionais.
Pesquisador em Direito Biomédico e propriedade intelectual de medicamentos e Professor titular da Escola de Ciências Jurídicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)