Navio de guerra ancorado no porto da Base Militar da Ilha Diego Garcia, no Arquipélago dos Chagos, no Oceano Índico: historicamente, presença militar dos Estados Unidos trazia percepção de segurança à população local. Com a guerra contra o Irã, tudo mudou.
Imagem: Marinha dos Estados Unidos/AP Photo
Autor, que nasceu na Ilha Maurício, explica que durante décadas as bases militares americanas carregaram a promessa de estabilidade. Mas, à luz dos conflitos atuais, com o Irã bombardeando bases nos países do Golfo, isso torna-se questionável
O iraniano South Pars, maior campo de produção de óleo e gás do mundo, atacado por mísseis israelenses: impacto na produção de hirocarbonetos,aliado aofechamentodo Estreito de Ormuz, faz o mundo enfrentar um choque energético global de graves proporções.
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Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
A segurança energética pertence cada vez mais aos Estados capazes de manter uma parcela maior de sua economia em funcionamento quando o petróleo e o gás são interrompidos, graças a alternativas energéticas mais limpas e diversificadas
Navio petroleiro no Estreito de Ormuz, fechado desde o dia 2 de março: estratégia do Irã demonstra que um país com capacidade militar limitada pode, por meio do controle de um gargalo marítimo estratégico, impor custos econômicos a todo o planeta.
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O controle dos gargalos comerciais marítimos confere um tipo de poder que não depende de orçamento militar nem de arsenal nuclear. Basta ter posição geográfica e disposição para usá-lo
“Imperativo antissistêmico”: A pressão geopolítica criada por sanções, guerras e crises provocadas pelos EUA e pela Europa obrigam países a escolher entre a acomodação ou a contestação. Os chamados Estados Proativos, cujos principais representantes seriam a Rússia, a China e o Irã, enfrentam diretamente essa ordem geopolítica e buscam transformá‑la.
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A pressão geopolítica criada por sanções, guerras e crises provocadas pelos EUA obrigam países a escolher entre acomodação ou contestação
Apoiadores houthi levantam cartazes do falecido líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, enquanto cantam slogans contra o Ocidente durante uma manifestação em Sanaa, no Iêmen. Escala de violência faz UE temer ações violentas de núcleos jihadistas no bloco, e já emitiu alerta de segurança.
Foto AP/Osamah Abdulrahman
A escalada de tensões envolvendo o Irã pode reativar correntes ideológicas dentro do universo jihadista. Por isso, a Europol já emitiu um alerta para o aumento do risco de ameaças terroristas na UE
Donald Trump, durante reunião do Conselho da Paz: presença de ditadores e do presidente do Banco Mundial expõe os verdadeiros objetivos do conselho na Faixa de Gaza - e eles nada têm a ver com a segurança do povo Palestino.
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Presença do presidente do Banco Mundial no Conselho da Paz e escancara a perniciosidade da relação dos EUA com a instituição
Um agente de segurança monta guarda durante uma manifestação em apoio à nomeação do aiatolá Mojtaba Khamenei como sucessor de seu falecido pai, o aiatolá Ali Khamenei, como líder supremo do Irã.
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Regras de combate naval foram desenvolvidas ao longo dos séculos, à medida que os Estados buscavam regular a condução de conflitos no mar e, ao mesmo tempo, permitir que as marinhas operassem de forma eficaz
Polícia de fronteira do Paraná em seus novos uniformes: o que realmente ameaça o brasileiro médio não é uma incursão estrangeira. É o crime organizado que capturou a governança local em vastas extensões do país, diversificando-se do narcotráfico e do comércio de armas para a mineração ilegal, o roubo de combustíveis e os ecossistemas de lavagem de dinheiro.
Foto: Polícia Militar do Estado do Paraná
Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
Brasília passou 2024 e 2025 renovando sua doutrina de segurança nacional. O resultado foi uma capa do século XXI para um livro do século XX — e um plano mal adaptado às ameaças que se aproximam do país
Covas abertas às pressas num cemitério em Teerã: quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos foram seguidos por retaliações contra bases militares americanas e também contra áreas civis e infraestrutura sensível, o ciclo de pressão transformou-se em guerra aberta.
Foto: Departamento Iraniano de Mídia Estrangeira, via AP
Ao tornar exigências públicas e mobilizar forças militares, os EUA elevaram o custo político de recuar. Diante da ausência de concessões nos termos esperados, a lógica da credibilidade empurrou a crise para o uso efetivo da força
O petróleo não é uma mercadoria comum – ele molda a geopolítica do mundo. À medida que as tensões internacionais aumentam, dezenas de países estão acelerando planos para reduzir sua dependência do combustível fóssil e aumentar a segurança energética.
Anton Petrus/Getty
O petróleo não é uma mercadoria comum – ele molda a geopolítica do mundo. À medida que as tensões internacionais aumentam, dezenas de nações estão acelerando planos para reduzir sua dependência do combustível fóssil e aumentar a segurança energética
Iranianos residentes em Istambul, na Turquia, queimam cartaz com a imagem de Donald Trump, durante protesto na porta da Embaixada de Israel após o anúncio da morte do líder Ali Khamenei.
AP Photo/Khalil Hamra
Ao contrário, será será lembrado principalmente pela profunda fraqueza que sua liderança trouxe à República Islâmica
O presidente Trump aparentemente discute ações relacionadas ao ataque dos EUA e de Israel ao Irã, em foto divulgada pela Casa Branca: falha da diplomacia tradicional na resolução de conflitos e na mediação de acordos coloca populações locais sob constante e violenta ameaça em nome do discurso da “segurança”.
AP Photo/Daniel Torok
Como tem sido praxe em conflitos, guerras e invasões recentes, estados condenam certas ações políticas e militares, mas raramente tomam medidas práticas que garantam a proteção de seus cidadãos
O lixo está se acumulando nas ruas de Havana devido à falta de combustível para os caminhões de lixo.
Ramon Espinosa/AP
Os soviéticos vieram em auxílio de Cuba na década de 1960. Resta saber se a Rússia poderá fazer o mesmo agora.
Posse do novo presidente interino peruano, José María Balcázar, escolhido pelo Congresso, aos 83 anos de idade: ex‑juiz da Suprema Corte com um histórico de problemas éticos e de corrupção, Balcázar é o oitavo presidente do Peru em dez anos, e simboliza a atual fragilidade da democracia do país, que tem o Poder Executivo refém do poder excessivo do Congresso.
AP Photo / Guadalupe Pardo
A “peruanização” da crise de governabilidade deixa de ser um cenário hipotético e passa a ser um risco real para toda a América Latina
Donald Trump no lançamento da plataforma TrumpRx, no começo de fevereiro de 2026: presidente alega que EUA pagam até três vezes mais por medicamentos de marca do que países comparáveis da OCDE, mas essa distorção vem do fato de que o mercado farmacêutico norte-americano é descentralizado.
AP Photo / Alex Brandon
Edna Aparecida da Silva, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU)
Lançamento da plataforma TrumpRx e acordos firmados com grandes farmacêuticas estão entre as táticas do governo para reduzir preços dos remédios no mercado interno
Em 2022, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky assinou formalmente o pedido de adesão do país à União Europeia apenas 36 horas após a invasão russa. No ano passado, a Ucrânia finalmente foi incluída pela primeira vez nos relatórios formais do Pacote de Alargamento da UE. Ainda assim, a adesão plena permanece incerta.
Foto: Alimdok / Envato
O caminho da Ucrânia rumo à UE não será fácil; ao contrário, será politicamente sensível e juridicamente exigente, exigindo reformas profundas, estabilidade institucional e o fim de uma guerra que ainda redefine o destino do país e da própria Europa
Segundo a teoria gramsciana, a hegemonia de uma potência como os EUA não se sustenta apenas pela força, mas por uma combinação entre consenso e coerção. Seja no plano doméstico ou internacional, a hegemonia depende tanto da capacidade de imposição violenta de regras quanto da produção de aceitação social por meio de instituições, normas e valores compartilhados. Nesse contexto, a violência é um elemento fundamental.
AP Photo/John Minchillo
O segundo governo Trump insere-se em um momento de aprofundamento de crise hegemônica, onde o uso recorrente de dispositivos de coerção deve ser interpretado como reação defensiva diante de um processo de declínio
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à esquerda, e o chanceler alemão Friedrich Merz se encontram em Munique, Alemanha, na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, na Conferência de Segurança de Munique.
AP Photo/Alex Brandon, Pool
Para a América Latina, a lição é dupla: fortalecer capacidades próprias de defesa e gestão de crises, sem cair em corridas armamentistas insustentáveis, e defender com consistência princípios de não intervenção, solução pacífica de controvérsias e respeito a direitos
Pesquisador em Direito Biomédico e propriedade intelectual de medicamentos e Professor titular da Escola de Ciências Jurídicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)