A chefe de política externa da União Europeia Kaja Kallas fala durante coletiva na sede da UE em Bruxelas: para o Mercosul, resistir à pressão europeia não significa rejeitar a integração ou o comércio internacional. Significa, antes de tudo, reconhecer que a atual fragilidade da União Europeia oferece uma rara oportunidade de negociar em condições de maior equilíbrio.
A União Europeia já não é a potência coesa e autônoma de décadas atrás; trata-se de um bloco em franco declínio estratégico, econômico e político, o que muda por completo a balança de forças.
Vazamento de óleo em navio de transporte de GNV: permanência de altos subsídios exploração de combustíveis fósseis em países como o Brasil aumentam o consumo de energia poluente, concentram benefícios entre os mais ricos e reduzem o espaço fiscal para políticas sociais mais justas.
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Eliminar de forma programada os subsídios aos combustíveis fósseis seria uma forma eficaz de avançar tanto na agenda ambiental quanto na justiça social, ao permitir que os recursos públicos sejam redirecionados para políticas sociais mais eficientes
Lula e Xi Jinping, durante última visita do presidente brasileiro à Pequim: China não é apenas um dos principais destinos das exportações brasileiras, mas também um ator relevante nos investimentos produtivos no país. Entre 2007 e 2022, eles totalizaram US$ 71,6 bilhões, distribuídos em cerca de 235 projetos em setores variados.
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Nas últimas décadas, o Brasil atraiu cerca de 48% dos investimentos chineses na América do Sul
Com a validação do acordo comercial e expectativa de assinatura do texto final em dezembro, acordo UE–Mercosul deixa de ser apenas um tratado comercial para se tornar uma resposta estratégica ao ambiente internacional hostil criado pela nova postura tarifária de Donald Trump, redirecionando exportações para um novo mercado transatlântico mais previsível.
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O Acordo UE–Mercosul deixa de ser apenas um tratado comercial para se tornar uma resposta estratégica a um ambiente internacional mais hostil, redirecionando exportações para um novo mercado transatlântico mais previsível
A Rua 25 de Março, que concentra milhares de pequenos comércios formais e informais no centro de São Paulo, durante uma manifestação contra o tarifaço de Trump, em julho. A rua é um símbolo das pequenas empresas do Brasil: numerosas, empregadoras e ainda invisíveis nas grandes métricas econômicas do país.
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Pequenas e médias empresas formam a imensa maioria dos CNPJs no país, mas a soma de suas receitas é insignificante frente às grandes, muito menos numerosos. Além de contraditório, o que esse cenário representa para a economia brasileira?
Reduzir déficits comerciais, trazer de volta as indústrias para os Estados Unidos, aumentar o nível de emprego e gerar recursos para reduzir impostos parecem estar entre os objetivos do tarifaço truculento e mal explicado do governo Trump, que a partir de hoje atinge duramente os produtos brasileiros.
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Postura diplomática do Brasil, um dos países mais afetados, indica para o mundo a busca por uma espécie de paciência estratégica. Valentões, em geral, precisam de público e do medo de suas potenciais vítimas
TACO (“Trump Always Chicken’s Out”), TOFU (“Trump Occasionally Follows up”, Trump às vezes cumpre o que diz) e FAFO (“Fuck Around and Find Out”, Faça merda e descubra o que você fez) estão entre as siglas que criticam a politica errática de Trump, ela própria resumida pela sigla MAGA (“Make America Great Again”)
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Depois do Maga (“Make America Great Again”), jornalistas e adversários começaram a usar outras siglas para provocar o presidente americano
A agenda econômica no novo mandato de Trump ameaça desestabilizar tanto a economia dos EUA quanto a global. Seu governo sinalizou uma mistura explosiva de protecionismo, expansão fiscal e instabilidade institucional.
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Ainda que os efeitos não tenham se manifestado plenamente até agora, há expectativa de que os preços subam de forma acelerada nos próximos meses, à medida que estoques forem renovados e repasses se tornem inevitáveis.
O acordo entre EUA e UE leva o bloco europeu a procurar novos fornecedores de energia e alimentos. Produtos agrícolas brasileiros, como a laranja (foto) e a soja passam a ter maior relevância na mesa de negociação europeia.
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A imposição de tarifas sobre os produtos europeus permite que exportadores brasileiros ocupem mercados deixados pela Europa em países terceiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no fórum de democracia e multilateralismo realizado em santiago, em julho: ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump recuou e ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes
Operadores da Bolsa de Nova York trabalham enquanto assistem à cerimônia de assinatura da Lei de Garantia de Stablecoins, o Genius Act, no último dia 17 de julho. No Brasil,o Banco Central testa a sua própria moeda digital, a Drex.
Iniciativas americanas sobre ativos digitais remodelam o ambiente financeiro do país e servem como referência num momento de intensa transformação tecnológica em todo o mundo
Medidas pontuais de aumento de arrecadação, como a tentativa recente de elevar o IOF, são paliativos que não resolvem o desequilíbrio estrutural das contas públicas
U.S. President Donald Trump and then-Brazilian President Jair Bolsonaro attend a joint news conference at the White House on March 19, 2019.
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A carta do presidente dos EUA ao seu homólogo brasileiro mencionou o déficit comercial. Mas não se deixe enganar, essas tarifas são mais políticas do que econômicas
Protesto contra a política econômica de Trump em Cleveland, EUA.
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Ana Carolina Marson, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Ao elevar tarifas, governo dos EUA pressiona as empresas a reorganizarem suas operações, o que pode levar à reconfiguração das CGVs por meio de realocação produtiva, práticas de nearshoring ou diversificação de fornecedores
O engajamento dos países do BRICS no processo de desdolarização de parte da economia mundial - que começa a provocar reações pesadas dos EUA - visa proteger as economias destes países da vulnerabilidade gerada pela dependência de uma moeda que começa a sofrer instabilidade, causada principalmente pela política econômica cada vez mais imprevisível do atual governo dos EUA.
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A desdolarização global é um fenômeno lento e gradual. O engajamento dos países do BRICS nesse processo visa proteger suas economias da vulnerabilidade gerada pela dependência de uma moeda que começa a sofrer instabilidade causada pela política econômica dos EUA
Escalada tarifária unilateral representa uma mudança estrutural na política comercial dos EUA, onde sanções econômicas passam a ser instrumentos de coerção política cujo propósito é muito diferente do reequilíbrio comercial.
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Do ponto de vista jurídico, a medida colide frontalmente com os parâmetros do direito internacional e da Organização Mundial do Comercio (OMC)
Falácia comercial, protecionismo disfarçado, reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as possíveis intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano.
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Euzébio de Sousa, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Falácia comercial, protecionismo disfarçado,
reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano
Muita calma nessa hora: assim como já ocorreu com outros países, reação da diplomacia brasileira frente ao tarifaço de Trump deve ser firme mas fleumática, reforçando o discurso da soberania nacional e da inadmissibilidade de intervenções estrangeiras em decisões do Poder Judiciário.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
‘Altivez serena’ é a receita de especialistas para a diplomacia brasileira lidar com atitude intempestiva e irracional do presidente americano ao dizer que vai taxar todos osprodutos brasileiros em 50%
Xi Jinping e Vladimir Putin durante a Cúpula do BRICS de 2024, em Kazan: a ausência dos presidentes da Rússia e da China no encontro deste ano no Brasil reflete indiretamente uma redução da relevância do bloco no atual contexto geopolítico internacional. No Rio, nenhum acordo multilateral relevante será assinado.
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A presidência brasileira do BRICS preparou uma Cúpula modesta em acordos multilaterais. Ao longo do ano, apresentou eventos reduzidos no escopo da agenda institucional, e poucas atividades no contexto da Diplomacia Pública
Donald Trump e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante o encontro de cúpula que marcou a imposição dos EUA contra a manutenção dos impostos globais das multinacionais. Cada vez mais, Trump faz uso de sua posição dominante na economia mundial e de seu poder de retaliação comercial para conseguir o que quer.
Brasil perde a capacidade de tributar integralmente os lucros de grandes multinacionais americanas atuantes no território nacional, privando o Estado de receitas importantes para saúde, educação e infraestrutura.
Pesquisador em Direito Biomédico e propriedade intelectual de medicamentos e Professor titular da Escola de Ciências Jurídicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
coordenadora executiva da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pesquisadora da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e professora do Departamento de Ecologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Doutoranda em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)