Os geradores de imagens e vídeos com IA agora produzem conteúdo praticamente indistinguível de gravações reais, e tendência é que se tornem capazes de reagir em tempo real aos usuários.
AI-generated image by Siwei Lyu using Google Gemini 3
Após um ano de rápidos avanços, os deepfakes estão entrando em uma nova era definida pela interação em tempo real com as pessoas.
Entender o que é e como funciona o “rage bait”, escolhido a Palavra do Ano pelo Dicionário Oxford, pode ajudar a evitar que a raiva influencie e molde seu comportamento e o que você vê nas redes sociais.
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Entender o que é e como funciona o “rage bait” (“isca de raiva”, em tradução literal) pode ajudar a evitar ser manipulado pelo conteúdo das redes sociais
A desinformação climática no Brasil revela-se, entre outros fatores, pela propagação da ideia de que há uma antítese entre preservação e desenvolvimento, o que alimenta questionamentos sobre a real existência e gravidade das mudanças climáticas, banaliza riscos de eventos extremos e transforma fatos científicos em tema de debate político ideológico.
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Apesar da crescente visibilidade da crise climática, a compreensão pública sobre suas causas e consequências ainda é limitada, e está relacionada à escolaridade, à faixa etária e ao acesso à internet, revelando uma profunda desigualdade informacional
“Colonialismo de dados”: A colaboração direta entre a administração Trump e os titãs da tecnologia já foi descrita como um “sistema de negacionismo tecnorregulatório”. A expressão deixa claro que a estratégia não apenas despreza as leis democráticas, mas também implementa outros tipos de leis, orientadas pelas lógicas embutidas nas tecnologias.
Imagem gerada por IA, via EnvatoLabs
Plataformas americanas usam Washington para garantir ganhos e receitas no exterior. E o Brasil mergulha em uma paralisia regulatória e tecnológica que põe em risco sua capacidade de moldar políticas públicas
Trump, Robert F. Kennedy Jr. e o administrador da Medicaid, Mehmet Oz, anunciam a falácia do Tylenol: atitude reforça globalmente a perigosa lógica patologizante em relação às deficiências, problema que já encontra ressonância no Brasil.
Anúncio do presidente americano não é Ciência. Ao chamar uma simples associação de causalidade direta, ele promove um espetáculo global de medo e preconceito contra uma condição que sequer é uma doença, tampouco precisa de cura
Num contexto de desinformação e fake news produzidas nas sombras, o discurso de censura e perseguição contra extremistas como Jair Bolsonaro começa a fazer sentido para parte da opinião pública. Recente pesquisa do Datafolha, divulgada dias antes da ocupação do Congresso por políticos de extrema-direita, mostrou que 45% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente está sendo perseguido e injustiçado.
AP Photo/ Luis Nova
Em um contexto de desinformação, o discurso de censura e perseguição começa a fazer sentido, minando as instituições democráticas e favorecendo forças políticas interessadas em tomar poder sem respeito às normas do Estado de Direito.
Desde que assumiu o cargo no início do ano, RFK Jr tem tido atitudes e tomado decisões que minam a confiança do público e dificultam o acesso e desenvolvimento de vacinas.
As vacinas salvaram 154 milhões de vidas só nos últimos 50 anos, mas as ações de Robert F. Kennedy Jr trazem uma perspectiva assustadora de um retorno à era pré-vacinas
cada infecção recebe um valor chamado R0, que indica quantas pessoas provavelmente serão infectadas por uma já infectada: valores de R0 acima de 1 levam a surtos e epidemias.
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Algumas doenças que se espalham como fogo, mas outras não se disseminam tão rápido.
Líder indígena Yanomami ergue uma cópia da Constituição brasileira durante um protesto em Brasília contra a violência e a destruição ambiental provocada por grileiros e garimpeiros que invadem suas terras.
(AP Photo/Eraldo Peres)
Desinformação transforma os povos indígenas em alvo de ataques nas redes sociais, em discursos políticos e em veículos jornalísticos
Perfil da “Dra. Rosemary Galbraith” no Facebook: um exemplo de almanaque das fraudes cada vez mais sofisticadas que usam a Inteligência Artificial para ludibriar clientes, que podem perder não apenas tempo e dinheiro, mas a própria vida, com promessas falsas de curas e tratamentos milagrosos.
Reprodução/ The Record
Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) and Camila Modanez, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Com as novas ferramentas, qualquer rosto ou voz pode ser sequestrado. Qualquer autoridade médica, jornalística ou científica pode ser falseada para vender produtos e tratamentos fraudulentos, colocando até a vida das vítimas em risco.
As redes sociais coletam dados da nossa navegação como intuito principal de refinar um perfil comercializável de cada um de nós. Quem está nesses bancos de dados nem faz ideia que está sendo comercializado como produto.
Foto: Envato Labs
Marcelo Soares, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Os algoritmos coletam informações que você nunca daria, fazem inferências sobre seu perfil, moldam seu gosto e selecionam o que você vê
A decisão do STF deve ser entendida como um gesto de contenção institucional frente ao poder dos algoritmos de recomendação das plataformas, que passaram a organizar o espaço informacional por meio de uma curadoria opaca.
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Luis Eduardo Tavares, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A decisão do STF deve ser entendida como um gesto de contenção institucional frente ao poder dos algoritmos de recomendação das plataformas, que passaram a organizar o espaço informacional por meio de uma curadoria opaca
O plenário do Supremo, no dia do julgamento da constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet.
AP Photo / Eraldo Peres
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Decisão do Supremo Tribunal Federal aproxima o Brasil de legislações internacionais e obriga redes sociais a removerem conteúdos ilícitos de forma proativa. Congresso, no entanto, se mantém ausente do debate
Relação do Brasil com as Big Techs detentoras das tecnologias de IA está fazendo o país pagar caro por sistemas que não desenvolvemos, que não controlamos e que, muitas vezes, não respondem aos nossos interesses sociais, econômicos ou estratégicos.
Imagem: Envato AI
Ergon Cugler, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Plataformas como OpenAI, Meta, Google e Microsoft tomam decisões constantes sobre o que seus sistemas podem ou não fazer, com base em critérios opacos
Centenas de covas rasas aguardando vítimas da Covid num cemitério de São Paulo, em outubro de 2020: em menos de dois anos, pandemia matou mais de 700 mil pessoas no Brasil.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Pesquisadores estudaram as estratégias de combate à fake news de duas agências digitais em mais de 650 checagens durante a primeira onde de covid, em 2020
Abordagem concentrada no comportamento - como as pessoas interagem, e não no que elas dizem, ou nas suas conexões - ajuda a revelar usuários mal intencionados e é mais difícil de ser driblada com estratégias como uso de palavras codificadas.
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Marian-Andrei Rizoiu, University of Technology Sydney; Lanqin Yuan, University of Technology Sydney, and Philipp Schneider, EPFL – École Polytechnique Fédérale de Lausanne – Swiss Federal Institute of Technology in Lausanne
Um estudo de aprendizado de máquina com milhões de publicações online encontrou cinco tipos básicos de usuários, incluindo os “discordantes”, que gostam principalmente de contradizer os outros.
Manifestantes destroem um carro da Tesla, fábrica de automóveis elétricos do magnata Elon Musk, que também é dono da rede social X, consultor do governo Trump e um dos mais poderosos defensores desregulamentação das redes sociais baseada no argumento de que qualquer forma de controle sobre elas é censura.
AP Photo/Kirsty Wigglesworth
Defensores da desregulamentação, liderados pelas bilionárias Big Techs, propagam a falsa ideia de que controlar as redes sociais é censura, e usam conceitos falsos de liberdade para ampliar lucros
A pesquisa do Aláfia Lab confirma a tendência de consolidação das rede sociais como fonte crucial de informação no Brasil, com o Instagram na liderança. Mas, apesar dessa predominância, os meios de comunicação tradicionais continuam sendo relevantes dentro das plataformas.
Imagem: Ilustração feita à mão por Túlio Carapiá
Os especialistas brasileiros em desinformação Ergon Cugler e Igor Sacramento conversam com o podcast The Conversation Weekly.
Mentira na ciência: Como o cidadão comum pode indentificar resultados falsos apresentados em artigos científicos de baixa qualidade ou gerados para disseminar informações falsas? Para responder a essa questão, é preciso entender como funciona a validação das ideias científicas.
Imagem: The Conversation Brasil, gerada por IA