Governos começam a intervir não só no conteúdo que circula nas plataformas, mas também na maneira como elas são concebidas e funcionam, tendo como alvo algoritmos de recomendação, rolagem infinita, controles de idade e outros recursos concebidos para prender a atenção dos usuários.
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Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
Acordo pode representar um divisor de águas para as políticas públicas sobre as redes sociais justamente por alcançar a arquitetura das próprias plataformas
A suspensão parcial das atividades do Discord no Brasil não reduziu a atividade total nas redes marginais, pois os usuários simplesmente migraram para outras plataformas.
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Especialista explica por que, na letra fria da lei, a decisão tomada pela ANPD contra a plataforma pode ter excedido as atribuições do órgão e enfraquecido a estabilidade regulatória da proteção de dados no país
A promessa era facilitar encontros, mas os resultados mostraram mais rotatividade sexual, dificuldade em encontrar relacionamentos estáveis e um mercado amoroso ainda mais competitivo.
Imagem gerada por IA, via Eleven Labs
A promessa era facilitar encontros, mas os resultados mostraram mais rotatividade sexual, dificuldade em encontrar relacionamentos estáveis e um mercado amoroso ainda mais competitivo
Os resultados do levantamento revelaram baixa transparência em praticamente todos os aspectos avaliados: dados incompletos ou ausentes, falhas nas bibliotecas de anúncios, pouca clareza sobre financiamento e segmentação e ausência de padrões que permitam comparações consistentes entre as plataformas.
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R. Marie Santini, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Adriano Belisário, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bruno Mattos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Danielle Pinho, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Debora Salles, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), and Hugo Leal, University of Cambridge
Questão é ainda pior no Brasil, onde o debate regulatório sobre elas permanece incipiente
A desinformação nas redes sociais e outras plataformas digitais é um fenômeno que estrutura estratégias de poder: em vez de circular espontaneamente, ela se articula com interesses econômicos e políticos.
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A desinformação cria bolhas, reforça crenças, intensifica a polarização política e retroalimenta intolerâncias. Seus conteúdos geram engajamento, ampliam a circulação de dados e alimentam a lógica de acumulação de capitais
Julgamento é umj ponto de inflexão no debate global sobre a responsabilidade das gigantes da tecnologia, apontando que o próprio design das plataformas sociais pode dar origem à responsabilidade pelo produto, não pelo que os usuários publicam nelas, mas por como foram construídas.
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Ação judicial contra Meta e Google se desviou da questão da responsabilidade pelo conteúdo e se concentrou nas alegações de que as próprias plataformas de mídia social são prejudiciais por natureza
Ruben Interian, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Uma reflexão sobre o poder dos algoritmos, os vieses das plataformas, o protagonismo crescente da IA, e os desafios da regulação das redes sociais
Em nível global, 48% dos usuários com menos de 35 anos consomem notícias por meio de criadores, superando os 41% que recorrem à mídia tradicional. No Brasil, a descentralização da influência é ainda mais acentuada. Com 84% da população conectada à internet e 54% consumindo notícias semanalmente pelas redes sociais, os criadores de conteúdo independentes já superam as marcas jornalísticas tradicionais na atenção regular do público: 33% contra 30%.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Análise feita pela Reuters em 24 países mostra que o impacto dos criadores de conteúdo é menor em países do Norte da Europa e no Japão. Já em mercados de alto impacto, como o Brasil, eles dominam o fluxo informativo
A decisão do STF deve ser entendida como um gesto de contenção institucional frente ao poder dos algoritmos de recomendação das plataformas, que passaram a organizar o espaço informacional por meio de uma curadoria opaca.
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Luis Eduardo Tavares, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A decisão do STF deve ser entendida como um gesto de contenção institucional frente ao poder dos algoritmos de recomendação das plataformas, que passaram a organizar o espaço informacional por meio de uma curadoria opaca
O plenário do Supremo, no dia do julgamento da constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet.
AP Photo / Eraldo Peres
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Decisão do Supremo Tribunal Federal aproxima o Brasil de legislações internacionais e obriga redes sociais a removerem conteúdos ilícitos de forma proativa. Congresso, no entanto, se mantém ausente do debate
O deputado Nikolas Ferreira, em um vídeo que viralizou nas redes sociais com informações falsas sobre a decisão anunciada pelo governo de monitorar o pix. Aos 29 anos de idade, deputado tem histórico de vídeos retirados do ar pela justiça, por conterem fake news.
Imagem: Reprodução / YouTube
A remoção de conteúdos de redes sociais precisa de mais transparência para proteção da democracia digital
Relação do Brasil com as Big Techs detentoras das tecnologias de IA está fazendo o país pagar caro por sistemas que não desenvolvemos, que não controlamos e que, muitas vezes, não respondem aos nossos interesses sociais, econômicos ou estratégicos.
Imagem: Envato AI
Ergon Cugler, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Plataformas como OpenAI, Meta, Google e Microsoft tomam decisões constantes sobre o que seus sistemas podem ou não fazer, com base em critérios opacos
Com mochilas infantis representando o perigo da circulação de conteúdos de ódio entre crianças, ativista protesta em frente ao Congresso Nacional, em dezembro de 2024. Ele pedia a aprovação da Lei das Fake News, que naufragou e agora corre o risco de se transformar em uma legislação inócua.
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Marcelo Träsel, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Se aprovado com o texto atual, o Projeto de Lei 4691/2024 será pouco ou nada útil no combate às fake news
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), do Brasil, inspirou-se no Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), da União Europeia, no esforço de equilibrar inovação com regulamentação dentro do atual cenário geopolítico mundial, e que enfrenta forte resistência dos Estados Unidos.
Imagem: Freepik
Adoção pelo Brasil da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) seguiu linha regulatória criada na União Europeia, na tentativa de equilibrar inovação e regulamentação, num cenário geopolítico cada vez mais complexo
Manifestantes destroem um carro da Tesla, fábrica de automóveis elétricos do magnata Elon Musk, que também é dono da rede social X, consultor do governo Trump e um dos mais poderosos defensores desregulamentação das redes sociais baseada no argumento de que qualquer forma de controle sobre elas é censura.
AP Photo/Kirsty Wigglesworth
Defensores da desregulamentação, liderados pelas bilionárias Big Techs, propagam a falsa ideia de que controlar as redes sociais é censura, e usam conceitos falsos de liberdade para ampliar lucros
O impacto das plataformas digitais na sociedade contemporânea vai além das dinâmicas econômicas. No âmbito social, elas reconfiguram as interações humanas e os processos de formação de opinião.
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A necessidade de regulamentação implica estabelecer regras de convivência em um ambiente descontrolado ou sujeito apenas ao controle privado, não necessariamente comprometido com os valores republicanos que deveriam guiar a vida pública
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)