Consequências da tempestade que atingiu a região de Valência, na Espanha, em 2024: em um cenário em constante mudança, seja no clima, na geopolítica ou na tecnologia, os parâmetros de décadas anteriores não servem mais, tampouco o planejamento e a gestão clássicos de crises.
Vicente Sargues/Shutterstock
Marc Homedes, Generalitat de Catalunya; UOC - Universitat Oberta de Catalunya; Universitat Pompeu Fabra
Em um mundo marcado pela incerteza constante e pelo avanço das mudanças climáticas, da inteligência artificial e dos conflitos geopolíticos, os paradigmas do passado já não servem mais para responder às crises
A invasão do Congresso Nacional, em 8 de janeiro de 2023: o sentimento de frustração e falta de pertencimento que estimula esse comportamento é semelhante ao que motiva atitudes misóginas.
AP Photo/Eraldo Peres
Entender esse processo não é desculpar o comportamento: é reconhecer que, para desarmá-lo, será preciso ir além da verificação de fatos e chegar à raiz do sentimento de exclusão coletiva que o sustenta
Ao deixar de lado normas básicas do jornalismo em favor do patriotismo e da narrativa de “guerra ao terror” imposta pelo governo e movida pelo medo, organizações jornalísticas arquitetaram seu próprio declínio e alimentaram a ascensão da atual “era da desinformação”.
Walter Cicchetti/Shutterstock
As redações, em vez de atuarem como órgãos de fiscalização críticos, ecoaram a narrativa do governo Bush
Experimento feito com usuários de redes sociais mostra que mensagens falsas, quando compartilhadas por amigos e parentes próximos, têm altas chances de serem passadas adiante. Foto: Envato.
Experimento feito com usuários de redes sociais mostra que mensagens falsas, quando compartilhadas por amigos e parentes próximos, têm altas chances de serem passadas adiante
Os resultados do levantamento revelaram baixa transparência em praticamente todos os aspectos avaliados: dados incompletos ou ausentes, falhas nas bibliotecas de anúncios, pouca clareza sobre financiamento e segmentação e ausência de padrões que permitam comparações consistentes entre as plataformas.
Imagem: Eleven Labs
R. Marie Santini, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Adriano Belisário, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bruno Mattos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Danielle Pinho, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Debora Salles, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), and Hugo Leal, University of Cambridge
Questão é ainda pior no Brasil, onde o debate regulatório sobre elas permanece incipiente
Estudos de neurociência, psicologia social e comunicação comprovam que o uso do nome próprio faz com que nosso cérebro reaja de forma única, com efeitos que podem transformar radicalmente a interação interpessoal.
Aghavni Shahinyan/Shutterstock
Ouvir alguém pronunciar o nosso próprio nome desencadeia reações neurológicas e psicológicas comprovadas pela Ciência
Imagem ilustrativa de um correpondente estrangeiro em ação numa zona de guerra: profissão que um dia já foi glamourizada e disputada passa por período de esvaziamento e precarização. Jornalistas brasileiros que migraram para o exterior relatam que ganham menos e trabalham mais, num contexto degradante que influencia diretamente a qualidade do que é publicado.
Foto gerada por IA, via Envato
Jornalistas brasileiros que migraram para o exterior ganham menos e trabalham mais, num contexto degradante que influencia diretamente a qualidade do que é publicado
Os golfinhos-nariz-de-garrafa são animais sociáveis que usam assobios e cliques para se comunicarem: pesquisa descobriu assobios que servem como assinatura individuais, além de sons compartilhados.
Foto: Vallarta Adventures
Um banco de dados de sons de uma comunidade de golfinhos selvagens está se revelando um excelente recurso para os pesquisadores que estudam a comunicação dos golfinhos
Prancha de um dos participantes da pesquisa, com símbolos concretos de animais: imagens e símbolos que representam palavras, objetos ou ideias permitem que pessoas com necessidades complexas de comunicação possam expressar desejos, opiniões, sentimentos e participar de interações sociais.
Imagem de arquivo pessoal.
Imagens e símbolos que representam palavras, objetos ou ideias permitem que pessoas com necessidades complexas de comunicação possam expressar desejos, opiniões, sentimentos e participar de interações sociais
Alexander Graham Bell retratado usando sua tecnologia telefônica inicial para fazer uma ligação de Nova York para Chicago: enquanto ele fez fortuna, seu rival Elisha Grey, que também tentava desenvolver um dispositivo do tipo, foi relegado a uma nota de rodapé na história.
The Print Collector/Heritage Images/Alamy
Alexander Graham Bell não foi a única pessoa que tentou inventar o telefone. Mas, há 150 anos, ele venceu - por pouco - a corrida, e o resto é história.
Mais do que um denunciador de fake news, o jornalismo de verificação é fundamental nos mecanismos da sociedade de resposta à desinformação, que deve incluir também educação midiática, regulação, responsabilização de plataformas e políticas públicas de comunicação.
Imagem: Envato
Taís Seibt, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
Mais do que um denunciador de fake news, o jornalismo de verificação é fundamental nos mecanismos da sociedade de resposta à desinformação
Experimentos mostraram que as abelhas têm capacidade de fazer cálculos simples e trabalhar com quantidades, deixando aberta a possibilidade der serem usadas em testes da matemática como linguagem universal para nos comunicarmos com eventuais civilizações extraterrestres
Scarlett Howard
Humanos e abelhas têm habilidades matemáticas, o que abre caminho para testar a matemática como “linguagem universal”
Montagem da marca Origin publicada na rede social X: mensagem publicitária reorganiza o foco do leitor, levando do sujeito político ao objeto material, em um exemplo de golpe publicitário em tempos de imediatismo
O marketing em tempo real reenquadra acontecimentos políticos como golpes publicitários. Qual é o papel do humor e da reação dos internautas?
Em nível global, 48% dos usuários com menos de 35 anos consomem notícias por meio de criadores, superando os 41% que recorrem à mídia tradicional. No Brasil, a descentralização da influência é ainda mais acentuada. Com 84% da população conectada à internet e 54% consumindo notícias semanalmente pelas redes sociais, os criadores de conteúdo independentes já superam as marcas jornalísticas tradicionais na atenção regular do público: 33% contra 30%.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Análise feita pela Reuters em 24 países mostra que o impacto dos criadores de conteúdo é menor em países do Norte da Europa e no Japão. Já em mercados de alto impacto, como o Brasil, eles dominam o fluxo informativo
Suspensão do programa do apresentador por tempo indeterminado é mais um dos momentos que ilustram o projeto deliberado e cuidadosamente planejado de destruir qualquer pessoa ou coisa que se oponha ou mesmo questione o governo Trump
Richard Shotwell/AP/AAP
Sob o governo Trump, a repressão generalizada e coordenada da dissidência está destruindo a própria estrutura da vida política e da democracia americanas.
Estrada vicinal cruza região calcinada pelas queimadas no Pantanal, em 2024: discurso predominante na cobertura midiática das mudanças climáticas é marcado por catastrofismo que pode dificultar visão mais crítica por parte do público sobre as causas e consequências do problema.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Levantamento analisou 38 publicações científicas e identificou padrões na cobertura jornalística do tema na América Latina, com destaque para o caso brasileiro
Irene Ravache em ação no filme ‘A memória que me contam’, o segundo em que a atriz interpreta a própria Lucia Murat: em 40 anos de carreira, a diretora assinou 34 obras de ficção e não-ficção, quase todas dedicadas a tornar visíveis as histórias de corpos torturados pela ditadura, pela polícia, pela usurpação de terras, pelo tráfico, pela opressão de classe, idade, gênero e raça.
Divulgação / Taiga Filmes
Ao longo de mais de 40 anos de carreira, Lucia Murat usou sua câmera para tornar visíveis os invisibilizados, denunciando a ditadura e as desigualdades sociais e de gênero. Mostra sobre sua obra no CCBB tem 34 filmes
Sebastião Salgado, durante o lançamento no Brasil de sua exposição Gênesis, em 2014.
AP Photo/Wong Maye-E
O gênio que um dia foi criticado por supostamente exercer a “estética da miséria” respondia que apenas fotografava o seu mundo: o terceiro mundo
Centenas de covas rasas aguardando vítimas da Covid num cemitério de São Paulo, em outubro de 2020: em menos de dois anos, pandemia matou mais de 700 mil pessoas no Brasil.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Pesquisadores estudaram as estratégias de combate à fake news de duas agências digitais em mais de 650 checagens durante a primeira onde de covid, em 2020
Casos como os de Rodrigo Bocardi - demitido da TV Globo por “descumprir normas éticas” - e Jim Acosta - que pediu demissão ao vivo da CNN por discordar do alinhamento da emissora com o governo Trump - são casos distintos mas que chamam a atenção para a transparência editorial, a coragem e a ética no jornalismo.
Reprodução de TV
Professora titular no programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica e no programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Ex-ouvidora da Comunicação Pública da EBC por seis anos (dois deles como ombudsman da TV Brasil), jornalista, mestra e doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutoranda em Comunicação, Universidade de Brasília (UnB)
Professora no PPG de Comunicação do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e na graduação em Jornalismo, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
Professora do Departamento de Comunicação Social na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e do Programa de Pós- graduação em Comunicação (PPGCOM), Universidade Federal do Ceará (UFC)