Com as consequências do aquecimento global cada vez mais evidentes, fenômenos como secas e inundações tornam-se mais intensos e frequentes, reduzindo a produção agrícola, interrompendo cadeias de abastecimento e limitando o acesso das famílias a frutas, verduras e outros alimentos frescos, e aumentando o consumo de ultraporocessados de baixo valor nutricional.
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Secas e inundações reduzem a produção agrícola,interrompem cadeias de abastecimento e limitam o acesso das famílias a frutas, verduras e outros alimentos frescos
Nações indígenas protestam em frente ao Congresso Nacional, durante o último “Acampamento Terra Livre,” maior mobilização anual de povos originários por direitos fundiários e proteção contra os efeitos das mudanças climáticas, que vêm gerando sofrimento psicológico, ansiedade, medo e sensação de perda coletiva nessas comunidades.
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Nas populações de comunidades tradicionais, a crise climática dilacera vínculos profundos na relação e nos laços espirituais entre o ser humano e a natureza, o que gera sofrimento psicológico, ansiedade, medo e sensação de perda coletiva
Para entender o afastamento entre as igrejas evangélicas e a pauta ambiental, é preciso olhar para como muitas delas se sustentam. Em um ambiente religioso competitivo, marcado pela disputa por fiéis e recursos, lideranças evangélicas investem em alianças políticas e econômicas que trazem benefícios como regularização de templos, aprovação de obras e incentivos fiscais. Porém, muitos destes aliados pertencem a campos políticos e econômicos que se posicionam de forma crítica ou contrária à defesa do meio ambiente.
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Renan William dos Santos, Universidade de São Paulo (USP); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
A relação entre religião e meio ambiente não se dá apenas através da crença. Instituições e disputas políticas também moldam a forma como grupos religiosos respondem à crise climática
Catadores trabalham no entardecer de num aterro sanitário em Rio Branco, no Acre: estima-se que mais de um milhão de pessoas exerçam essa atividade no Brasil, que é responsável por cerca de 90% de todo o material reciclável que chega às indústrias do país.
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Estima-se que cerca de 90% dos materiais recicláveis que chegam à indústria no Brasil tenham passado pelas mãos de catadores de papel, latinhas e outros materiais
Plantação de soja nos arredores de Brasília, no coração do cerrado. Em vez de se expandir para proteger também o bioma mais ameaçado do Brasil, a Moratória da Soja - um dos acordos ambientais mais bem-sucedidos já implementados no mundo - perde força por conta da pressão política do setor agrário do vizinho Mato Grosso.
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Diante das crises climática e de perda de biodiversidade, compromisso voluntário entre empresas, governos e sociedade civil que evita compra de soja proveniente de áreas desmatadas na Amazônia deveria ser expandido para o Cerrado
Antes e durante a sua realização, o governo apresentou a COP 30 como sendo a “COP da verdade”, associando-a à coragem moral e à necessidade de ação rápida. No entanto, esse discurso contrasta com a crescente apropriação da conferência por atores extrativistas, financeiros e corporativos.
Foto: Antônio Scorza / COP 30
Conferência foi operada na combinação de zonas diplomáticas, estruturas corporativas e espaços destinados à sociedade civil, em uma arquitetura que cada vez mais favorece a prevalência de interesses privados
A desinformação climática no Brasil revela-se, entre outros fatores, pela propagação da ideia de que há uma antítese entre preservação e desenvolvimento, o que alimenta questionamentos sobre a real existência e gravidade das mudanças climáticas, banaliza riscos de eventos extremos e transforma fatos científicos em tema de debate político ideológico.
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Apesar da crescente visibilidade da crise climática, a compreensão pública sobre suas causas e consequências ainda é limitada, e está relacionada à escolaridade, à faixa etária e ao acesso à internet, revelando uma profunda desigualdade informacional
A sessão plenária geral dos líderes, que marcou a abertura da COP 30: promover uma transição energética justa, zerar o desmatamento das florestas tropicais, consolidar instrumentos eficazes de financiamento climático, implementar políticas sociais e econômicas de adaptação ao novo clima e reforçar o multilateralismo são os cinco eixos de debate essenciais para que a COP 30 corresponda às expectativas que o mundo inteiro deposita neste encontro inédito sobre o clima, no coração da Amazônia brasileira.
Foto: Alex Ferro / COP 30
A crise climática que enfrentamos é o sinal mais evidente de que a humanidade atravessa mais uma grande transição histórica. O verdadeiro desafio é repensar nossas formas de produzir, consumir e viver — e, sobretudo, redefinir o que entendemos por progresso
Se tratássemos os dados climáticos como tratamos os relatórios financeiros, o pânico se instalaria após cada atualização terrível. No entanto, embora os governos rotineiramente mudem de atitude quando confrontados com uma crise econômica, eles têm sido muito mais lentos para responder ao que os principais indicadores climáticos - os sinais vitais da Terra - estão nos dizendo.
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O mundo já atingiu um nível de aquecimento tão elevado que não pode evitar impactos significativos da mudança climática. Precisamos parar de queimar combustíveis fósseis agora e tomar medidas urgentes para reduzir o aquecimento global.
As comunidades ribeirinhas são vistas como fonte de turismo ou de comércio de produtos típicos, como o açaí, mas as populações locais não participam das tomadas de decisão sobre os territórios.
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Depoimento de um ribeirinho e mestrando em Antropologia mostra como o olhar do pesquisador e o conhecimento tradicional podem se unir na busca de soluções para os problemas ambientais da Amazônia
A distinção entre bio e agro é ética, ecológica e evolutiva. O futuro da agricultura brasileira não pode se contentar com a coexistência destes modelos antagônicos ou com a apropriação da abordagem de bioeconomia como estratégia para obter mais lucros em um contexto de crises ambientais globais.
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O atual modelo de agronegócio tende a agravar as crises ambientais e sociais existentes. O futuro da agricultura depende do respeito à diversidade e à adaptabilidade dos sistemas produtivos.
Em busca de água, dois maçaricos reais aproximam-se perigosamente de um grupo de jacarés-do-pantanal no leito quase seco do rio Bento Gomes, próximo a Poconé, Mato Grosso: calor, seca, queimadas e incêndios que colocam em risco a biodiversidade e a própria sobrevivência humana em diversos ecossistemas do Brasil e do mundo não podem ser vistos como problemas isolados.
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Revisar o Código Florestal, fortalecer práticas agroflorestais e fazer a transição para um agronegócio de baixo carbono são algumas das ações fundamentais para o Brasil reduzir suas emissões
Região do Encontro das Águas, habitat das onças-pintadas no Pantanal matogrossense, com grande parte do seu bioma destruído pelas queimadas dos últimos meses: dados da rede colaborativa MapBiomas mostram que o Brasil já perdeu definitivamente 1/3 da sua cobertura vegetal nativa.
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Julia Shimbo, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Já não basta parar de desmatar: é preciso começar a recuperar a cobertura vegetal destruída. E isso precisa ser feito com urgência, já que nos aproximamos do ponto de inflexão, que tornará as perdas irreversíveis.
Equipe de telejornalismo em ação durante as cheias em Porto Alegre: muito além do testemunho histórico, abordar temas como a injustiça ambiental que as mudanças climáticas evidenciam são fundamentais para despertar a sociedade para a real dimensão do problema.
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Aumento da consciência ambiental e ampla divulgação científica têm levado setores da cobertura jornalística a tratar com mais profundidade e consciência ambiental as mudanças climáticas e a importância das políticas públicas sobre o tema
Recentes decisões judiciais e atos legislativos de questões agrárias na Amazônia contradizem posicionamento internacional do Brasil na questão socioambiental.
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