Governos começam a intervir não só no conteúdo que circula nas plataformas, mas também na maneira como elas são concebidas e funcionam, tendo como alvo algoritmos de recomendação, rolagem infinita, controles de idade e outros recursos concebidos para prender a atenção dos usuários.
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Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
Acordo pode representar um divisor de águas para as políticas públicas sobre as redes sociais justamente por alcançar a arquitetura das próprias plataformas
A suspensão parcial das atividades do Discord no Brasil não reduziu a atividade total nas redes marginais, pois os usuários simplesmente migraram para outras plataformas.
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Especialista explica por que, na letra fria da lei, a decisão tomada pela ANPD contra a plataforma pode ter excedido as atribuições do órgão e enfraquecido a estabilidade regulatória da proteção de dados no país
Julgamento é umj ponto de inflexão no debate global sobre a responsabilidade das gigantes da tecnologia, apontando que o próprio design das plataformas sociais pode dar origem à responsabilidade pelo produto, não pelo que os usuários publicam nelas, mas por como foram construídas.
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Ação judicial contra Meta e Google se desviou da questão da responsabilidade pelo conteúdo e se concentrou nas alegações de que as próprias plataformas de mídia social são prejudiciais por natureza
Vários estudos têm constatado um crescimento significativo dos riscos da internet para os menores de idade, com uma queda constante na idade em que jovens e crianças têm um celular, se conectam, consomem pornografia ou se cadastram em uma rede social.
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A discussão sobre limitar a idade de acesso às redes sociais na Espanha trouxe de volta ao centro do debate uma questão incômoda: quem realmente protege crianças e adolescentes na internet?
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) com estátua A Justiça, de Alfredo Ceschiatti. Novo entendimento da Corte transfere para entes privados o ônus de uma decisão essencialmente jurídica – sem que tenha havido qualquer processo com contraditório, análise de dolo ou garantia de ampla defesa da parte afetada.
Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Responsabilizar as plataformas digitais pelo conteúdo de terceiros abre um precedente perigoso, pois aproxima-se de punir o mensageiro em vez do emissor, e cria uma lógica que, com algumas adaptações, poderia ser estendida indevidamente à imprensa.
Nos últimos cinco anos, a indústria da desinformação se sofisticou e cresceu sem nenhuma punição ou monitoramento. No Brasil, a recente decisão do STF é um alento na luta pela responsabilização das Big Techs sobre o conteúdo que agregam e o comportamento que estimulam. O enfrentamento desse problema pelas camadas: cultural, política e econômica. É uma crise social, não um problema individual.
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O algoritmo é uma programação feita por humanos, com pesos baseados em interesses e ganhos econômicos. E o que vemos é que as plataformas priorizam o que gera mais atenção e lucro, não o que é mais relevante, de qualidade ou confiável. O que engaja mais, aparece mais
No STF, o julgamento da constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet revisitou e alterou o paradigma, defendido pelas Big Techs, de que as plataformas digitais apenas hospedam as opiniões de terceiros, e não são responsáveis por elas.
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Arthur Coelho Bezerra, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) and David Nemer, University of Virginia
A flexibilização do Artigo 19 não é um ataque à liberdade de expressão, como insistem as plataformas. O objetivo não é censurar, mas sim estabelecer um regime de responsabilidade proporcional
Relação do Brasil com as Big Techs detentoras das tecnologias de IA está fazendo o país pagar caro por sistemas que não desenvolvemos, que não controlamos e que, muitas vezes, não respondem aos nossos interesses sociais, econômicos ou estratégicos.
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Ergon Cugler, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Plataformas como OpenAI, Meta, Google e Microsoft tomam decisões constantes sobre o que seus sistemas podem ou não fazer, com base em critérios opacos
Marisa Maiô: resultados impressionantes gerados por novas ferramentas de Inteligência Artificial já provocam controvérsia no mercado do audiovisual e também na publicidade. Personagem, surgida há menos de um mês, já foi utilizada por uma rede varejista numa campanha comercial. Sem remuneração ao seu criador.
Imagem: Reprodução Veo 3
O vídeo de Marisa Maiô representa um marco ético em nossa relação com conteúdos gerados por IA. Quando o absurdo se apresenta de forma tão convincente e frequente ele deixa de causar estranhamento e passa a ser entendido como parte usual da subjetividade.
Donald Trump e seu chefe do Departamento de Eficiência Governamental, o empresário Elon Musk, concedem entrevista ao pool de jornalistas da Casa Branca a bordo de um Tesla: reduzir o significado da influência de Musk e outros gigantes da tecnologia sobre Trump a meras imposições unilaterais de um lado ou de outro seria simplificar demais a sinergia entre as Big Techs, o governo e o próprio Estado.
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Reduzir a influência das Big Techs sobre o governo americano a meras imposições unilaterais de um lado ou de outro seria simplificar demais a complexa sinergia entre as Big Techs, o governo Trump e o próprio Estado